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Estudo da UMinho prova existência de europeus na Índia há cinco mil anos
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Estudo da UMinho prova existência de europeus na Índia há cinco mil anos

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Ensino

2018-01-31 às 10h16

Redacção

Investigação liderada por Pedro Soares, do Centro de Biologia Molecular e Ambiente, tem merecido críticas por parte de vários cientístas, nomeadamente os indianos

Um estudo liderado por Pedro Soares, investigador do Centro de Biologia Molecular e Ambiental da Universidade do Minho (UMinho), provou a existência de europeus na Ìndia há cerca de cinco mil anos.
O estudo foi publicado na revista BMC Evolutionary Biology e está entre os cinco por cento de artigos científicos com mais impacto social.
O assunto tem criado discussão entre a classe científica e é dos temas mais delicados da história política indiana.
Segundo Pedro Soares, a diversidade genética, linguística e cultural na Índia remonta aos caçadores-recolectores que colonizaram a região há mais de 50 mil anos, e aos emigrantes originários do próximo Oriente e do Irão.

O estudo foca-se essencialmente na Idade do Bronze, período durante o qual acorreram à região pastores e domesticadores de cavalos que falariam uma língua indo-europeia baseada no hinduísmo. O hinduísmo é das civilizações mais antigas do mundo e terão sido migrantes arianos a ajudá-lo a nascer, segundo o estudo. Mas a última coisa que queremos com a ciência é insultar, o que fazemos é olhar, ler e interpretar, disse Pedro Soares, coordenador do estudo.
O estudo suscitou muita oposição, com mensagens de in- dignação no email de Pedro Soares e em páginas on line de jornais locais.
A investigação conclui que boa parte das linhagens masculinas indianas era externa e que as linhagens femininas indianas denunciaram muito pouca migração. Ou seja, há 3500-5000 anos houve mistura de homens do exterior com mulheres locais da Índia.

O geneticista acrescenta que os homens falantes indo-europeus terão saído ao mesmo tempo das estepes para o subcontinente indiano e para a Europa central, influenciando também as línguas e a cultura deste continente. A teoria da migração global tem gerado cada vez mais consenso na comunidade científica.
Vamos tentar arranjar a nossa própria amostragem e avançar para mais análise genética, embora saibamos da dificuldade de não existirem fósseis humanos com ADN antigo da Índia ou estudos com dados suficientes, ao contrário da realidade da Europa, elucida Pedro Soares.

A teoria da migração global é defendida por cientistas europeus, no modelo chamado invasões arianas, mas tem sido ferozmente rejeitado por nacionalistas hindus, que criticam ainda as conotações racistas e colonialistas.
O trabalho uniu 16 investigadores das universidades do Minho, Porto, Huddersfield (Inglaterra), Sydney (Austrália), Edimburgo (Escócia) e Gales (País de Gales), incluindo oito portugueses Pedro Soares, Marina Silva, Marisa Oliveira, Daniel Vieira, Andreia Brandão, Teresa Rito, Joana B. Pereira e Luísa Pereira.

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