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Braga, quinta-feira

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Este é um tempo que convida a viver o essencial
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Este é um tempo que convida a viver o essencial

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Este é um tempo que convida a viver o essencial

Braga

2020-04-09 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

A Semana Santa de Braga vive-se, este ano, sem celebrações públicas, fruto da pandemia Covid-19 que varre o mundo. É um momento “que ninguém imaginou” e que requer imaginação para que, na Arquidiocese de Braga, “se encontrem gestos gratuitos que aproximam, identificam e unificam as vidas” das pessoas. Em entrevista ao ‘Correio do Minho’, D. Jorge Ortiga refere que o grande desafio passa por fazer com que as pessoas “olhem para o que é essencial”.

Vivemos um momento que ninguém pensou ou imaginou. Celebramos na mesma a Semana Santa, de modo diferente, mas com uma profundidade ainda maior.”
As palavras são de D. Jorge Ortiga, arcebispo primaz, que, perante o actual panorama de confinamento da população, recorda que a Páscoa nasceu com os Judeus que a celebravam em casa, em família, de modo muito íntimo. Na Paixão e Morte de Jesus Cristo, também Ele celebrou a ceia pascal com os apóstolos.
Nesta espécie de regresso às origens, o convite da Arquidiocese e do arcebispo primaz passa por “fazer com que as pessoas olhem para aquilo que é essencial, para aquilo que efectivamente nós celebramos e daí retirarmos as principais lições”. E na Páscoa, o essencial é lembrar que “Jesus Cristo morreu para salvar o povo. Jesus Cristo não é um simples condenado à morte. É um condenado que morre para que o povo se liberte e tenha vida”, realça D. Jorge.

A mensagem Pascal centra-se, assim, nesse apelo para “nos deixarmos possuir pelos mesmos sentimentos de Jesus Cristo, acreditando que a nossa vida não é apenas nossa, mas que nos foi dada. Que sejamos capazes de fazer dela uma oração continua e constante, trabalhando por uma igreja renovada, mas também por uma sociedade mais humana e estruturada em princípios de fraternidade e humanismo autêntico”.
“É esta a grande mensagem que celebramos sempre dentro da nossa catedral, com grande esplendor, qualidade e sensibilidade”, recorda D. Jorge, orgulhoso das celebrações que fazem com que Braga viva aquela que é considerada a Semana Santa mais emblemática do país e que este ano viu eventos como as procissões e concertos serem cancelados e outras cerimónias vedadas fisicamente aos fiéis.

“No próximo ano, se Deus quiser, voltaremos a celebrar a nossa Semana Santa, com as mesmas manifestações de sempre”, vaticina.
No cenário actual, nesta Semana Santa, a Arquidiocese de Braga aposta, assim, “no essencial”, como explicou o arcebispo ao Correio do Minho: “Na nossa Arquidiocese temos procurado fazer com que as pessoas, nas suas casas, consigam viver também esta experiência”. E especifica que todos os dias celebra eucaristia no Paço Arquiepiscopeal.
Esta missa, ao final da tarde, é transmitida em directa nas redes sociais da Arquidiocese. Esta transmissão tem contado, em média com 1500 fiéis a assistir em directo.
Ao domingo, no directo e na contabilização total das visualizações diárias, chegam a ser 60 mil os que assistem à eucaristia.

A Arquidiocese de Braga elaborou um conjunto de orientações que vão sendo transmitidas aos sacerdotes, apelando, desde logo, a que celebrem sozinhos, sem a presença física das pessoas, mas encontrando outros gestos gratuitos que aproximam, identificam e unificam as nossas vidas.
“Há mensagens, contactos telefónicos, saudações pela internet. Tudo deve seguir o que a fantasia da caridade sugere”, refere D. Jorge na carta que dirigiu ao clero e onde apela à criatividade pastoral, que “pode e deve ser usada para inventar outros sinais que manifestem a alegria pascal”.

Ao ‘Correio do Minho’, o arcebispo primaz recorda o apelo para que, durante esta Semana Santa, em casa se construa “uma cruz, muito simples e ornamentada com tecido roxo”. Colocada em local visível, no sábado à noite e no Domingo de Páscoa essa cruz deve ser revestida de flores. O objectivo é “com um gesto simples, perceber e mostrar que a Páscoa não é um cruzar de braços, um resignar-se à morte. É trabalhar para termos um mundo melhor”.
D. Jorge Ortiga lembra ainda que pediu aos sacerdotes para que trabalhem “esta ideia de uma Páscoa com Páscoas, com pequenos gestos, pequenos sinais, que mostrem que Jesus Cristo está Ressuscitado e a provocar uma vida nova nas pessoas”.

Dirigindo-se directamente às famílias, o arcebispo apela a que exteriorizem a sua fé na noite de Sábado para Domingo de Páscoa, colocando uma ou mais velas na janela. “Recordar-nos-ão o baptismo e convidar-nos-ão a ser luz no mundo”, explica.
Já no Domingo de Páscoa, D. Jorge pede que se toquem festivamente os sinos dos templos.

Hoje, Quinta-feira Santa, uma das celebrações que se costuma realizar na Sé Catedral é a Missa Crismal e Bênção dos Santos Óleos. Trata-se de uma celebração que não obedece ao calendário lunar, como as restantes celebrações da Semana Santa, pelo que será realizada posteriormente, possivelmente a 19 de Junho, Dia do Sagrado Coração de Jesus. Nesta celebração, que comemora a instituição do sacerdócio, o arcebispo primaz faz-se acompanhar de todo o clero da Arquidiocese e com este concelebra a eucaristia. Durante a celebração, consagra os Santos Óleos, que serão levados pelos presbíteros para as suas paróquias a fim de servirem para ungir os baptizandos e os doentes.

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