Correio do Minho

Braga, sábado

- +
“Esta não é uma doença fatal para todos. Temos de ser responsáveis e positivos”
Bombeiros desempenham uma “muito nobre e importante missão”

“Esta não é uma doença fatal para todos. Temos de ser responsáveis e positivos”

Ambiente e Arte unem Aquamuseu do rio Minho e Fundação Bienal de Arte de Cerveira em projeto

“Esta não é uma doença fatal para todos. Temos de ser responsáveis e positivos”

Braga

2020-04-04 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

Enfermeira infectada com Covid-19 está em isolamento há 17 dias. Trata a doença como “uma gripe agressiva” e confessa que o isolamento social é a maior das provações que o vírus impõe. A responsabilidade é, por isso, um dever de todos para com todos.

É o testemunho na primeira pessoa de uma profissional de saúde que, como tantos outros, está infectada e em isolamento. Maria Inês (nome fictício), enfermeira bracarense, acedeu falar sobre o seu caso, de como soube que estava infectada, dos sintomas, da progressão da doença e, sobretudo, das implicações que a mesma trouxe à sua vida. Pretende apaziguar o pânico que se instalou, mas também sublinhar o papel que cada tem de assumir na eliminação de um vírus astuto na forma como se propaga.

Em isolamento há 17 dias, Maria Inês conta que os primeiros sintomas surgiram na penúltima semana de Março. O primeiro teste foi inconclusivo, mas o segundo, feito três dias depois, confirmou o diagnóstico. “Tinha febre muito alta que não cedia à medicação. Também tinha tosse e a sensação no corpo que me tinha passado literalmente um camião por cima. Tudo doía, não dava para sair da cama”, confessa a enfermeira que diz ter sido sempre uma pessoa saudável, com um sistema imunitário a funcionar em pleno. “Nunca tive uma gripe. Não costumo ficar doente porque tenho uma imunidade bastante boa. Por isso, achei estranho aqueles sintomas”, confessa a profissional de saúde que logo que se foi acometida destes sinais decidiu ficar em isolamento por prevenção e para não infectar ninguém. “A partir dessa altura não tive em contacto com ninguém”, conta. “As primeiras 48 horas são as piores, as mais difíceis porque a temperatura não desce, as dores no corpo não passam”, continua a enfermeira, dando conta que a partir dessa altura a febre começou “a espaçar e a ceder à medicação”, mantendo-se, no entanto, a tosse. “O que veio a seguir foi uma congestão nasal, uma constipação”, prossegue.

Actualmente sem sintomas, Maria Inês diz que os primeiros dias são os “mais difíceis” e que o coronavírus em pessoas com a sua condição apresenta-se como “uma gripe agressiva”, não descurando que o Covid-19 pode ser perigoso noutra situações, sobretudo em pessoas que já possuam patologias crónicas ou um sistema imunitário debilitado por várias condicionantes.
“Acredito que a maioria poderá ter estes sintomas aos quais se associam também a perda de olfacto e paladar”, explica ainda a profissional de saúde, frisando que a “parte mais difícil é a do isolamento social”.

A enfermeira destaca a “atitude positiva” que todos devemos ter perante a situação, confessando que “o desespero” em nada altera o diagnóstico, contribuindo somente para debilitar o sistema imunitário.
Maria Inês sossega também todos os que estão na mesma situação, uma vez que, tal como ela, são acompanhados pelo médico de família que todos os dias faz a monitorização do quadro médico, assim como da saúde pública, que procuraram saber os contactos que teve anteriormente. “Todos os dias liga a perguntar como é que estão os sintomas, se está melhor, se está pior, se está estável.?É um trabalho que está a ser muito bem feito. Falo como enfermeira e como utente do ACES?Cávado I neste momento, onde está a ser feito o rastreio do Covid das pessoas que estão em casa. Nunca estamos sozinhos”.


“Tenho saudades da minha família, de poder beijar e abraçar o meu filho”

O isolamento social é uma das principais provações que um ser humano pode ser submetido, como neste caso. Ao CM, Maria Inês confessa ter saudades da vida que tinha, sobretudo dos afectos. “Tenho saudades da minha vida normal.?Tenho saudades da minha família, dos meus amigos que são fundamentais na minha vida, de poder beijar e abraçar o meu filho, de ir trabalhar, de andar na rua”, diz emocionada.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho