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À espera de “grandes desafios” para os próximos três anos

Braga

2020-10-06 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Catarina Miranda é a nova líder da Junta Regional de Braga do Corpo Nacional de Escutas (CNE). Grávida, a jovem, de 30 anos, é a primeira mulher a comandar o destino da maior região do país. Pela frente tem “grandes desafios”.

Catarina Miranda é a primeira mulher a ocupar o cargo de chefe regional do Corpo Nacional de Escutas (CNE) de Braga. A jovem, grávida do primeiro filho, tem pela frente “grandes desafios”. A nova equipa regional, que tomou posse no passado domingo para o triénio 2020 a 2023, tem em mãos, entre outros desafios, as comemorações do centenário do movimento escutista em Portugal.
Ser chefe regional foi algo que surgiu “naturalmente”. Catarina Miranda já integrava a anterior direcção, liderada por Hugo Cunha, tendo estado responsável pela Secretaria para as Actividades Regionais.

“Tinha a meu encargo todo o tipo de actividades, nomeadamente a Abertura Regional do Ano Escutista (ARAE), que normalmente junta cerca de oito a nove mil escuteiros todos os anos”, contou a chefe regional, adiantando ainda que esteve responsável nos últimos anos pela actividade a ‘Luz da Paz de Belém’, que é uma cerimónia mais restrita e que se realiza por altura do Natal. Os festivais regionais, que envolvem quatro concursos, também foram da responsabilidade de Catarina Miranda e que juntam sempre cerca de mil escuteiros.
Na sequência de todo este trabalho, foi lançado o desafio de se candidatar à liderança da Junta Regional de Braga. “Foi uma decisão que careceu de bastante reflexão, mesmo em casa com o marido e com a restante família”, confidenciou a jovem, sublinhando que a região de Braga é a maior do país e “tinha de perceber se conseguiria abraçar este desafio”.

“O meu marido também é escuteiro e foi o primeiro a dizer ‘tu consegues’ e que estava ao meu lado. A partir daqui tudo foi mais fácil”, confessou.
De seguida, a agora chefe regional lançou o desafio a Alexandre Novais, do Agrupamento de Mesão Frio, do núcleo de Guimarães, que também integrava a anterior direcção, para ser o seu chefe adjunto. Juntos reuniram os restantes elementos da actual direcção.
Quando aceitou o desafio, a jovem não fazia ideia que iria engravidar.

“Quando descobri que estava grávida não foi preocupação. Ainda me deu mais força, porque a sensação que eu tenho é que muitas mulheres dirigentes se afastam do movimento quando engravidam. O meu objectivo é passar a mensagem de que tudo é possível. Claro que eu tenho a vantagem do meu marido ser escuteiro e isso facilita e muito. Mas quero passar a mensagem que conseguimos, todas somos capazes”, deixou o incentivo.
Com o primeiro filho previsto nascer no final deste mês, Catarina está tranquila, porque sabe que tem estrutura familiar e a equipa que a acompanha ao lado dela. “Tenho noção que os primeiros 15 dias não vão ser fáceis, mas temos que ver o lado bom das coisas negativas e a pandemia trouxe-nos coisas positivas nomeadamente a possibilidade, que sempre foi uma possibilidade, de fazer as reuniões através das plataformas digitais e de trabalhar à distância”, referiu Catarina Miranda, admitindo que “vai ser uma vantagem na fase inicial”.

No movimento escutista desde 1997, a actual chefe regional entrou com sete anos para o Agrupamento n.º 618 - Galegos Santa Maria, do núcleo de Barcelos. Inspirada pela mensagem de Baden-Powell e sabendo que pode “contribuir para a educação não formal dos jovens”, a chefe regional não podia virar costas a este novo desafio.
“A minha área de formação é engenharia, mas sou professora no ensino profissional, por isso, digo que sou escuteira a tempo inteiro”, atirou a chefe regional. Catarina Miranda foi mais longe: “noto, em contexto sala de aula, que quando os alunos são escuteiros são muito mais pró-activos e despertos para participar e trabalhar em equipa”.

Catarina Miranda acredita que pode inspirar de alguma maneira outros jovens a entrar para o movimento, motivando ainda os que já são escuteiros. E aqui, a chefe regional destaca o papel dos dirigentes. “Sei que muitos dirigentes, com esta questão da pandemia, estão um bocado assustados. Claro que quando aceitei o desafio não fazia a menor ideia que vinha uma pandemia a caminho, mas todos juntos vamos conseguir”, tranquili- zou.
Nos próximos três anos, a nova equipa regional tem seis grandes desafios pela frente, mas Catarina Miranda destacou três.

“Acima de tudo queremos motivar os dirigentes, sendo que já adaptamos o nosso projecto à actual situação e, portanto, queremos de alguma maneira motivar e preparar para aceitar estes desafios de trabalharem com os miúdos de forma diferente. Queremos inspirá-los para que sejam promotores do trabalho com os jovens e que se sintam eles próprios com vontade de trabalhar com os jovens”, defendeu a chefe regional, acreditando que “para tornar possível o que agora parece impossível, o movimento escutista deve regressar à sua essência, trabalhando em pequenos grupos, no chamado ‘sistema de patrulhas’”.
Outro dos objectivos que a nova direcção da Junta Regional de Braga tem pela frente é trabalhar com os núcleos. “A Região de Braga está dividida em nove núcleos, tal como os arciprestados, e o objectivo é trabalhar com os chefes de cada núcleo e criar aqui uma ligação para que haja este sentimento de unidade regional”, assumiu.

O terceiro “grande desafio” passa pela comemoração do centenário do CNE em 2023. “O escutismo em Portugal nasceu na região de Braga e vamos celebrar o centenário e já temos o plano definido”, confirmou a jovem dirigente. As comemorações do centenário do CNE passam por um acampamento regional (ACAREG) com todos os escuteiros da região. “Com a alteração da data da Jornada Mundial da Juventude, que passou também para 2023, fomos desafiados pela equipa anterior a integrar aqui a fase da pré-Jornada Mundial da Juventude neste acampamento”, anunciou a chefe regional. “Em 2023 vamos ter um grande acampamento regional, onde podemos acolher, e já articulamos isso com a Diocese de Braga, jovens de várias partes do mundo que também vão participar na Jornada Mundial da Juventude, que se vai realizar em Lisboa”. Catarina Miranda referiu que ainda não há datas definidas, mas o objectivo é os jovens que participarem no acampamento regional sigam depois de Braga para Lisboa e integrem a Jornada Mundial da Juventude.
Por tudo isto, a chefe regional realçou a honra e a responsabilidade pelo novo cargo, “um cargo desafiante”, numa região que é o berço do escutismo católico português e que os próximos três anos terá pela frente “grandes desafios”.

Definir estratégias para ajudar agrupamentos

Um dos primeiros passos que a nova direcção da Junta Regional de Braga vai tomar é reunir com os nove chefes de núcleo que integram a região para fazer um “ponto de situação” dos vários agrupamentos e encontrar estratégias para ajudar os agrupamentos que ainda não fizeram o desconfinamento.
No passado dia 12 de Setembro, para além de se terem realizado as eleições para a Junta Regional de Braga, também houve actos eleitorais nos núcleos de Cego de Maio (Esposende, Vila do Conde e Póvoa de Varzim), Braga, Guimarães e Vieira do Minho. Por isso, a nova equipa regional só está à espera das cerimónias de tomada de posse dos novos chefes de núcleo para marcar uma reunião com todos.

“O objectivo é reunir com todos os chefes de núcleo para tentar, em comité, perceber quais são as dificuldades núcleo a núcleo. Há agrupamentos que já reiniciaram as actividades de acordo com as normas estabelecidas pela Junta Central do CNE, mas há agrupamentos que ainda não conseguiram fazer o desconfinamento”, sublinhou a chefe regional, Catarina Miranda.
Depois da reunião pretende-se saber, por núcleo, quantos agrupamentos já reiniciaram as actividades e quantos ainda não desconfinaram, percebendo quais são as dificuldades e quando é que prevêem reiniciar as actividades. “A partir daí vamos traçar um plano concreto para cada agrupamento em conjunto com os chefes de núcleo, já que são eles que vão actuar mais directamente com os agrupamentos”, justificou.

O movimento escutista trabalha as “oito maravilhas do método” e Catarina Miranda acredita que estas “oito maravilhas” serão fundamentais nesta fase. “O sistema de patrulhas e a vida na natureza poderão ser aqui estratégias muito boas para os agrupamentos reiniciarem. No entanto, também sabemos que há agrupamentos que têm algumas dificuldades e ao nível da natureza também não será fácil porque vem aí o Inverno”, admitiu.

Equipa tomou posse no domingo

Com o lema ‘Geração + – Ser o (im)possível que sonhamos’, a barcelense Catarina Miranda encabeçou a única lista às eleições da Junta Regional de Braga.
Para além de Catarina Miranda tomaram posse, no passado domingo durante a cerimónia de Abertura do Ano Escutista, Alexandre Novais (Chefe Regional Adjunto), Mafalda Pereira (Secretaria das Actividades e Internacional), Bruno Marques (Secretaria Pedagógica), Carla Faria (Secretaria da Gestão), Valdemar Magalhães (Secretaria dos Adultos), Joana Matos (Secretaria da Comunicação) e Rui Costa (Secretaria de Património).

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