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Entrevistas

2021-06-14 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Instalada em Braga, nas antigas instalações do Idite-Minho adquiridas pelo IPCA para o efeito, vai ser inaugurada em Setembro a mais recente escola deste politécnico. É a Escola Técnica Superior Profissional, que vai receber mais de mil alunos.

O IPCA - Instituto Politécnico do Cávado e do Ave inaugura em Setembro a Escola Técnica Superior Profissional (ETESP), em Braga, que vai receber já mais de mil alunos no arranque do novo ano lectivo.
A nova escola vai funcionar no antigo edifício do IDITE-Minho, adquirido pelo IPCA com receitas próprias e adaptado para receber alunos dos cursos técnicos superiores profissionais.
A ETESP foi a quinta Escola aprovada para o IPCA, sendo também a mais recente. Veio juntar-se à Escola Superior de Gestão (criada em 1996), à Escola Superior de Tecnologia (2004), a Escola Superior de Design (2015) e à Escola Superior de Hotelaria e Turismo (2017).
Convidada do programa ‘Da Europa para o Minho’, da rádio Antena Minho, a presidente do IPCA realçou que é a primeira instituição do país a ter uma escola desta natureza, recordando que a mesma foi aprovada pelo Governo em 2019.

Actualmente o IPCA tem em funcionamento 32 Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP). “São cursos que se vão esgotando à medida que não houver necessidades na região daquele tipo de qualificação”, explicou Maria José Fernandes.
A presidente do IPCA salientou que estes cursos são definidos a partir das necessidades diagnosticadas junto do tecido empresarial da região. Aliás a ligação à região é uma das imagens de marca da acção deste politécnico.
O IPCA tem crescido bastante nos últimos anos, porém Maria José Fernandes realça que esse crescimento é feito em articulação com a rede de ensino superior: “Nós não queremos invadir, ou seja, duplicar ofertas formativas. Nós oferecemos o que outras instituições de ensino superior não oferecem na região”.
Com sede em Barcelos, onde surgiu, o IPCA expandiu-se já pelos quatro concelhos do Quadrilátero e chega também agora a Esposende.

Neste processo de expansão tem sido fundamental o apoio dos municípios.
Em Esposende, a Câmara tem em curso o concurso público para a construção do Laboratório de Inovação e Sustentabilidade Alimentar que vai albergar cursos do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, uma empreitada de 3,4 milhões de euros. É também neste concelho que o politécnico vai criar a sua Escola de Verão. Já em Guimarães, num investimento superior a cinco milhões de euros, a Câmara Municipal vai requalificar um palacete no centro da cidade, transformando-o numa escola-hotel onde vai funcionar a Escola de Hotelaria e Turismo. São mais de mil alunos que vão passar a estudar na cidade-berço.
Em Barcelos, a Câmara Municipal disponibilizou mais 10 mil metros de terreno para concretziar a expansão do campus universitário.
Estes são alguns exemplos de como os apoios de entidades externas têm sido determinantes para o crescimento do IPCA, que não tem fundos próprios que lhe permitam, por só, concretizar a sua expansão territorial.

IPCA é a instituição com menos financiamento por aluno

Maria José Fernandes, presidente do IPCA e a única recandidata ao cargo, defende que é necessário ajustar a fórmula de financiamento do ensino superior.
O IPCA é actualmente a instituição de ensino superior com menos financiamento por aluno.
O actual modelo financiamento foi definido em 2009, altura em que o IPCA tinha pouco mais de 2500 estudantes. Agora tem 5700, mas continua a ser financiado de acordo com o perfil de 2009.

“A fórmula de financiamento tem de ser ajustada. O desafio é pensar uma nova fórmula que tenha em conta os resultados, aquilo que a instituição consegue fazer pela região, pelo país e pelo mundo”, referiu,
Maria José Fernandes também considera que seria “muito positivo” implementar o financiamento por contratos-programa com objectivos definidos.
“Não temos ainda a solução para a fórmula, mas uma coisa é certa: como está não pode ser”.

Actualmente, e de acordo com o contrato de legislatura assinado com o actual Governo, nestes quatro anos o IPCA recebe um aumento de 2% por ano no financiamento.
A responsável realça que o IPCA só tem conseguido expandir-se, e dessa forma dar resposta às necessidades da região, pelos apoios que recebe. por exemplo dos municípios. “Sozinhos, por nós, não teríamos condições financeiras para esses investimentos”, admitiu.

Fundos europeus determinantes para consolidar infra-estruturas

São vários os desafios que Maria José Fernandes elenca para os próximos anos do IPCA, sendo que em comum todos eles têm a consolidação do projecto, concretamente em termos de infra-estruturas. Os fundos comunitários, sobretudo os do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) afiguram-se como determinantes para concretizar esse objectivo.
A Câmara de Barcelos disponibilizou ao IPCA 10 mil metros de terreno para expandir o campus. Há quatro projectos determinantes e praticamente prontos para avançar, aguardando a abertura dos respectivos avisos para submissão de candidatura a fundos comunitários.
A primeira necessidade identificada é a construção de uma residência universitária, pois é a única instituição que não dispõe desta valência.

Outro projecto estruturante é o Laboratório Colaborativo para a Inovação e Investigação, que promete ser um edifício emblemático em Barcelos, com quase seis mil metros de área destinada à investigação multidisciplinar.
“Nós estamos lotados em termos de investigação. Estamos a contratar investigadores permanentemente, por conta de projectos, e não temos espaços”, alerta a presidente do IPCA.
Um pavilhão multiusos, que permita a prática desportiva, e um auditório com capacidade para 500 pessoas são também projectos que o IPCA espera concretizar nos próximos anos.

“Já temos terreno para construção, temos os projectos quase concluídos, precisamos que abram os avisos para apresentar as candidaturas”, sintetiza Maria José Fernandes, que espera ver todos estes equipamentos construídos e ao serviço do IPCA durante o seu próximo mandato, se tudo correr como planeado.
A responsável realçou que os fundos determinantes tem sido determinantes para o crescimento do IPCA, nomeadamente a nível de oferta formativa, uma vez que a oferta de Cursos Técnico Superior Profissional (TeSP) é financiada com fundos europeus. A expectativa é que com novos fundos, em concreto do PRR, o IPCA consiga aumentar ainda mais a sua oferta formativa, nomedamente com a aposta na formação de activos.

Investigação, internacionalização e desafios da pandemia são apostas ganhas

Na conclusão do seu primeiro mandato como presidente do IPCA, Maria José Fernandes revela que o grande objectivo concretizado “acaba por ser aquele que não estava previsto”: dar resposta aos desafios trazidos pela pandemia causada pela Covid-19.
“Foram muitas as concretizações que nós conseguimos nestes quatro anos, mas a maior foi chegar hoje aqui e dizer que nós conseguimos dar resposta aos desafios lançados pela situação pandémica”, referiu, no decorrer da sua participação no ‘Da Europa para o Minho’, programa da Antena Minho, com apresentação e realização de Paulo Monteiro e a participação do eurodeputado José Manuel Fernandes.

Maria José Fernandes apontou sobretudo a inexistência de abandono escolar devido à pandemia, realçando que neste ano lectivo o IPCA conseguiu mesmo aumentar a procura tendo ocupado na primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior quase 99% dos vagas.
A presidente destaca ainda a afirmação do IPCA na área da investigação, com a criação de três centros de investigação aprovados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia com a classificação de Muito Bom, “o que é um factor muito importante”.
“A investigação é uma área em que temos vindo a crescer muito e temos neste momento alguma dificuldade em responder a todas as solicitações em áreas de tecnologia, inteligência artificial, contabilidade e fiscalidade e no design”, referiu, justificando a necessidade de concretizar o Laboratório Colaborativo para a Inovação e Investigação.

A internacionalização é outra marca os últimos anos do IPCA, concretamente com a sua integração da rede europeia RUN-EU, a Aliança Inter-Regional de Universidades.
A internacionalização é uma aposta a manter, referiu Maria José Fernandes, que prevê que dentro de uma década o IPCA seja encarado como uma instituição não só da região, mas também do mundo.
O IPCA conta também com “bastantes estudantes estrangeiros”, não só Erasmus, mas também estudantes internacionais, sobretudo oriundos dos PALOP.
Maria José Fernandes alerta que tem havido um problema, ao qual o IPCA tem tentado responder à medida das suas possibilidades, e que se prende com a capacidade financeiras desses estudantes. “Nós estamos disponíveis para os receber, para os formar, mas nós temos de ter condições para os apoiar. É um assunto que tem de ser acordado entre países”, referiu, explicando que alguns desses estudantes. “Nós ajudamos como podemos, nomeadamente através do Fundo Social de Emergência, reduzindo propinas e até no alojamento. Os nossos Serviços Sociais tem feito um trabalho permanente de apoio a estes alunos”, vincou.

Presidência do IPCA
Eleição é a 30 de Junho

Maria José Fernandes, que conta já com uma ligação de 25 anos à instituição, é a única candidata à presidência do IPCA. Nos últimos quatro anos, exerceu já a função de presidente, sucedendo ao professor João Carvalho.
De acordo com o calendário eleitoral, a eleição terá lugar a 30 de Junho, em reunião de votação do Conselho Geral.
Maria José Fernandes insere-se na categoria de professora coordenadora principal. Foi presidente do Conselho Técnico-Científico da Escola Superior de Gestão do IPCA, da qual foi directora entre 2000 e 2003. Doutorada em Ciências Empresariais e com agregação em Gestão, foi directora do Centro de Investigação em Contabilidade e Fiscalidade do IPCA.
É actualmente vice-presidente do CCISP, função que exerce desde Julho de 2017.

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