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Encerramento das fronteiras terrestres tem um “impacto brutal” na economia
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Encerramento das fronteiras terrestres tem um “impacto brutal” na economia

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Encerramento das fronteiras terrestres tem um “impacto brutal” na economia

Alto Minho

2020-05-21 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Muito dependente da clientela vinda da Galiza, é sobretudo no comércio que Valença mais sente o impacto do encerramento das fronteiras. Presidente da Câmara, Manuel Lopes, considera que já é hora de restabelecer a livre circulação de pessoas.

O encerramento das fronteiras terrestres com Espanha está a causar graves prejuízos para a economia do concelho de Valença, muito dependente dos vizinhos galegos. O alerta é deixado pelo presidente da Câmara Municipal, Manuel Lopes, que considera estarem reunidas as condições para permitir a livre circulação de pessoas entre o Norte de Portugal e a Galiza.
O controlo das fronteiras terrestres com Espanha mantém-se, com Valença a ser um dos nove pontos de passagem autorizada no país. Estão impedidas as deslocações turísticas e de lazer entre os dois países, sendo apenas permitida circulação de transportes de mercadorias e de trabalhadores transfronteiriços.

Manuel Lopes realça que têm sido feita pressão junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros para que se reabram as fronteiras. Do lado Galego tem sido solicitado o mesmo. O edil refere que também Alberto Núñez Feijóo, presidente da Junta da Galiza, tem feito pressão junto de Madrid com o mesmo objectivo.
O autarca compreende que a medida foi necessária para combater a propagação da pandemia, mas considera que existem condições para ser resposta a livre circulação de pessoas na eurorregião.
“Na Galiza a situação não foi tão má como no resto da Espanha”, realça o autarca de Valença, argumentando que do outro lado do rio Minho a situação também já estabilizou.
É sobretudo no comércio que mais se sente esse impacto do encerramento das fronteiras terrestres.

Na zona da Fortaleza de Valença, referenciada como a maior área de comércio concentrado no Alto Minho, os galegos representam cerca de 90% dos clientes.
Manuel Lopes conta que há lojas na Fortaleza que ainda se mantém encerradas, assim como há restaurantes no concelho que ainda não reabriram porque a maior parte da sua clientela é galega. “Não lhes compensa estar abertos se não têm cá os seus clientes”, justifica.
Com o município vizinho de Tui, Valença forma uma das eurocidades mais activas. O fecho de fronteiros em nada contribui para dinamizar o espírito transfronteiriço. os autarcas dos dois concelhos têm mantido contacto no sentido de dar seguimento, na medida do possível, ao trabalho que vinha sendo realizado em contexto de eurocidade.

No próximo dia 27 de aio regressa a feira semanal de Valença, que tal como outras feiras do Alto Minho, sobretudo nos concelhos banhados pelo rio Minho, são muito frequentados por galegos.
Manuel Lopes antevê que nem todos os feirantes vão regressar à feira precisamente por saberem que apesar da retoma da actividade não vão contar com os clientes vindos do outro lado do rio Minho.
Para combater este impacto negativo da falta de clientes galegos, Manuel Lopes apela à população local para que opte por comprara no concelho contribuindo assim para ajudar a economia da sua terra.
Mas apela também a população em geral a que visite Valença, porque neste momento este “é um concelho seguro”. Os escassos casos que existem de Covid-19 estão “identificados, confinados e sob vigilância para ga- rantir que esse confinamento é respeitado”, garante.

O controlo das fronteiras terrestres com Espanha está a ser feito desde as 23 horas de 16 de Março em nove pontos de passagem autorizada. Valença-Tui é o único ponto no Norte do país e por aqui passa quase 50% do volume de mercadorias do país.
Todos os autarcas das sete eurocidades ibéricas, entre as quais Valença-Tui, apelaram já, através de um manifesto conjunto, para a necessidade de restaurar a liberdade de circulação nestas regiões que estão a ser afectadas pelo encerramento da fronteira terrestre devido à pandemia de Covid-19.

Concelhos do Alto Minho estão juntos nas decisões

A reabertura das feiras semanais é uma das mais recentes medidas concertadas pelos dez concelhos que integram a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho.
Tem sido assim durante a pandemia: as medidas mais emblemáticas têm sido tomadas neste contexto da CIM, permitindo que todos os concelhos “caminhem ao mesmo tempo e no mesmo sentido”.
Manuel Lopes, que é também vice-presidente da CIM Alto Minho, realça que ao centralizar neste órgão decisões as decisões evita que haja protagonismos. “Estamos todos no mesmo barco e agimos em consonância”, explica Manuel Lopes.

“As coisas têm corrido bem em Valença”

Com apenas 12 casos confirmados de covid-19 desde o início da pandemia, segundo os dados da Direcção Geral da Saúde, pode considerar-se que neste momento o concelho de Valença está praticamente “limpo” do coronavírus. Os casos existentes são residuais, estão identificados, em confinamento e sob vigilância para garantir que não vai haver propagação.
“Em Valença, as coisas têm corrido bem”, admite Manuel Lopes, presidente da Câmara Municipal, em entrevista ao ‘Correio do Minho’.

O autarca atribui este sucesso não apenas ao “trabalho árduo” desenvolvido pela autarquia, mas a toda uma rede de parceiros que envolve centro de saúde, Bombeiros Voluntários de Valença, IPSS e outras instituições do sector social, Juntas de Freguesia e, sobretudo, “as pessoas que acolheram e respeitaram muito bem as recomendações” das autoridades de saúde.
Entre as medidas tomadas pela Câmara de Valença — como a distribuição de material de protecção individual aos profissionais de várias instituições e organismos públicos, que se man- tém operativos no apoio à comunidade — Manuel Lopes destaca a desinfecção de ruas e espaços públicos.

“Fomos o primeiro município do país a avançar com a desinfecção dos espaços públicos e isso, naturalmente, trouxe-nos alguma vantagem”, explicou o autarca. Apesar de haver quem duvide da eficácia da medida, Manuel Lopes garante que em Valença ela foi e continua a ser muito útil.
O exemplo de Valença acabou por ser seguido por outros concelhos, realça o autarca que foi “contactado por vários colegas de outros municípios” que lhe pediram informações sobre a forma como realizam a desinfecção e os produtos que utilizam.

Desde 14 de Março que equipas da Protecção Civil e Sapadores Florestais procedem à desinfecção nos espaços públicos e de uso público mais movimentados de Valença.
Centro de saúde (interior e exterior), parques de estacionamento dos hipermercados, bombas de combustível, farmácias, posto da GNR, lares de idosos, multibancos, bancos de jardim, esplanadas, e todas as ruas da Fortaleza e da área urbana da cidade são locais que continuam a ser desinfectados frequentemente.
Com o desconfinamento em marcha no país, o autarca reconhece que os valencianos continuam a cumprir as recomendações da DGS pelo que acredita que o trabalho realizado até agora vai continuar a ter frutos, que é como quem diz, Valença vai continuar entre os concelhos do país com menos infectados.

O autarca nota ainda que o concelho “não registou situações graves” em lares de idosos. Destaca apenas uma situação na cozinha do lar da Misericórdia local, mas com pronta intervenção e confinamento o contágio foi estancado.
Importante para definir a resposta da autarquia foi o acesso aos dados sobre a situação epidémica no concelho. No início, o edil confessa que “não foi fácil”, mas acabou por se conseguir convencer a autoridade de saúde local de que as autarquias necessitam de conhecer a situação pandémica para definir a sua actuação no combate à propagação da Covid-19. Essa informação permitiu saber quantos e onde se localizam os casos activos, os recuperados e os casos sob vigilância.

“O Governo ainda não fez a sua parte”

Para atenuar os efeitos da crise causada pela pandemia da Covid-19, a Câmara de Valença implementou um amplo pacote de medidas de apoio que vão sendo actualizadas de acordo com o evoluir da situação.
Estes apoios, tal como tudo o que tem sido investido para combater a pandemia, representam um “duro golpe” para os cofres municipais. Com as despesas a subir e as receitas a descer, a autarquia vai avançar com um orçamento rectificativo que implica a redefinição dos projectos a executar. É neste contexto que Manuel Lopes aguarda que “o Governo dê o seu contributo” aos municípios, considerando que “têm sido as câmaras municipais a suportar a maioria das medidas de apoio directo às populações”.

“Espero que o Governo faça a sua parte, que ainda não fez. Não tem olhado para os municípios como eles merecem”, acusa o autarca de Valença.
O edil acusa mesmo o Governo por se “vangloriar” com os resultados de medidas que têm sido levadas a cabo e financiadas pelas autarquias. “Temos sido nós, os municípios a fazer praticamente tudo e ainda não recebemos nada”, afirma, dando como exemplo o facto de serem as autarquias que estão a distribuir equipamentos de protecção individual a centros de saúde, bombeiros, IPSS, forças de segurança entre outras instituições.
Outro exemplo prende-se com o ensino à distância que teve de ser garantido pelas autarquias locais, apesar de ser competência da administração central. “Tivemos de ser nós a abrir os cordões à bolsa para garantir o ensino on-line”, salienta.

Pobreza envergonhada preocupa Câmara e Juntas de Freguesia

Manuel Lopes reconhece que os últimos dois meses foram “muito difíceis” para os trabalhadores. A acção social do município está atenta e, em conjunto com as Juntas de Freguesia, estão no terreno a dar resposta a quem efectivamente precisa.
O presidente da Câmara de Valença mostra-se particularmente preocupado com a pobreza envergonhada, porque sabe que “muitas vezes quem precisa realmente tem vergonha de pedir”. É nesse contexto que destaca o papel das Juntas de Freguesia que conhecem as realidades locais e as populações e percebem mais facilmente a quem é que devem bater à porta a levar a ajuda possível.
O autarca espera que a situação se altere com a retoma praticamente integral do sector industrial no concelho. Em Valença, as indústrias já retomaram a actividade, sendo que houve casos em que nem pararam a laboração.

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