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Empresas impedidas de aferir tacógrafos obrigam clientes a ir a Espanha
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Empresas impedidas de aferir tacógrafos obrigam clientes a ir a Espanha

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Empresas impedidas de aferir tacógrafos obrigam clientes a ir a Espanha

Economia

2019-07-22 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Regulamento do tacógrafo digital inteligente entrou em vigor no dia 15 de Junho. Empresas que fazem a aferição de tacógrafos estão impedidas de o fazer. Clientes são obrigados a ir a Espanha para conseguirem ter viaturas novas na estrada.

Desde o passado dia 15 de Junho, os veículos pesados (camiões e autocarros) novos têm de ter instalado o tacógrafo digital inteligente. O novo regulamento entrou em vigor em todos os países da União Europeia, mas em Portugal as empresas ainda não conseguem aferir os tacógrafos, obrigando os clientes a fazê-lo em Espanha para pôr a circular viaturas novas. “Estamos há mais de uma mês sem conseguir pôr na rua camiões novos, a solução das marcas é deslocar os camiões a Espanha e isso implica custos elevados para eles e perdas muito significativas para nós”, lamentou o sócio-gerente da Tacóminho, Jorge Cunha, que vai fazer uma exposição à União Europeia.
A situação é igual em todo o país, mas Jorge Cunha, daquela empresa com sede em Braga, e José Mendes, da empresa José Mendes & Paulo Monte Lda, com sede na Póvoa de Varzim, dão a cara por este problema, estranhando “o silêncio” das grandes marcas.

“Depois de comprar o equipamento necessário, que custou mais de quatro mil euros, e dos colaboradores terem formação especializada, a Tacóminho não pode aferir os novos tacógrafos, porque falta o cartão do centro técnico diferente”, começou por explicar Jorge Cunha, referindo que esse cartão “foi solicitado ao Instituto de Mobilidade e Transportes (IMT) e é produzido supostamente pela Casa da Moeda, que ao que parece não tem o equipamento necessário para o produzir”.

Entre visitas ao IMT ao Porto, “porque em Braga é para esquecer, o que dizem é que o cartão estará disponibilizado em Setembrou ou lá para Janeiro do próximo ano”, referiu. E Jorge Cunha atirou: “não estamos a trabalhar com viaturas novas, só estamos a fazer selagens de bienais e carros mais antigos, porque os carros com matrículas depois de 15 de Junho não pode- mos fazer a respectiva selagem”.
A Tacóminho faz, actualmente, a selagem de viaturas das marcas Man, Iveco, Scania e Mitsubishi. “Estou a falar de menos 25% de lucro no nosso negócio mensal, porque os clientes têm ido a Espanha. Em muitos casos carregam três camiões em cima de porta-carros e vão fazer a aferição para poder circular, caso contrário não estão legais”, frisou.

Esta legislação já foi aprovada pelo Parlamento Europeu em Abril passado. “Sei que há contactos com a VDO (marca de tacógrafos líder de mercado), que disponibilizou tacógrafos e todos os equipamentos que faziam falta, mas não foi feito mais nada”, acusou Jorge Cunha, por isso estranha e não percebe o “silêncio” dos importadores das grandes marcas. “Parece que ninguém acordou, eles é que tinham de fazer barulho, porque estão a ter muitos custos”.

As empresas portuguesas que têm certificação para fazer a aferição dos tacógrafos estão impedidas inclusive de contratar serviços a Espanha ou contratar alguém que esteja habilitado a fazê-lo.
“Nós pagamos os nossos impostos, além de estarmos nós a perder dinheiro, está também o Ministério da Economia e o Instituto Português da Qualidade, a quem pagamos a taxa mensalmente. O nosso único contacto é o IMT e quem nos tutela, vigia e controla é o Instituto Português da Qualidade, que nos passa o certificado anualmente de que estamos capazes de requerir o cartão, mas depois vamos ao IMT e a partir daí ninguém fala, ninguém conhece, ninguém sabe nada”, apontou o dedo.
Esta é uma norma europeia, mas “Portugal é o único país da Europa nesta situação, é uma vergonha”, afirmou e aquele sócio-gerente sugeriu: “se a Casa da Moeda não tem capacidade que faça um protocolo com Espanha para produzir o nossos cartões, já que tem as máquinas necessárias, enquanto nós não temos”.

Também José Mendes, da empresa de tacógrafos José Mendes & Paulo Monte Lda., mostrou-se “surpreso” com o “silêncio” de muitos clientes que “compraram os camiões, já estão a pagar o leasing e não podem circular com as viaturas”.
A situação “vai piorar” nos próximos meses, já que a compra de veículos sobe sempre no final do ano. “Vai ser muito mais complicado, vai andar toda a gente atrás dos cartões”, alertou.
Já Paulo Barbosa, responsável comercial da TAR Braga, maior concessionário da MAN, lembrou que “há concessionários que já estão a receber estes carros com os tacógrafos novos, porque já começaram a ser produzidos em Abril deste ano, mas todos estes camiões têm que ser aferidos fora do país, porque em Portugal não existe nenhuma entidade que o consiga fazer. Estão todas as empresas bloqueadas”, confirmou aquele responsável, admitindo, no entanto, que “há camiões novos a circular, mas não foram aferidos em Portugal”.

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