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Braga, sábado

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Eça sentou-se à mesa com muita alma
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Eça sentou-se à mesa com muita alma

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Eça sentou-se à mesa com muita alma

Braga

2020-10-31 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Restaurante Alma D’Eça recebeu o último jantar vínico da edição deste ano do Vinho Verde Fest. Fazendo jus ao nome do restaurante, ao jantar não faltaram convidados especiais e uma ementa bem retratada nos livros do escritor.

“Caindo do alto, da bojuda infusa verde - um vinho fresco, esperto, seivoso, e tendo mais alma, entrando mais na alma, que muito poema ou livro santo.”
in ‘A Cidade e as Serras’
Eça d’Queirós


A noite prometia boa comida e bom vinho verde de Braga. Mas ninguém estava à espera de dois convidados especiais: Eça d’Queirós e a cunhada Benedita Castro Pamplona sentaram-se à mesa do restaurante Alma D’Eça e proporcionaram a todos os presentes uma viagem ao século XIX, ‘espreitando’ aqui e ali por algumas das obras do escritor. Assim se fechou com “chave de ouro” a VII edição do Vinho Verde Fest.
O evento, organizado pela Câmara Municipal de Braga em colaboração com a Associação Comercial de Braga (ACB), teve como finalidade promover o consumo do vinho verde nos restaurantes. O restaurante Alma D’Eça foi o nono estabelecimento a abrir portas ao jantar vínico, inserido pela primeira vez nesta iniciativa. À mesa juntaram-se os vinhos do Solar da Pena para harmonizar com o melhor da gastronomia num dos restaurantes de referência da cidade.
Os actores Rafael Pereira e Ana Pinto, da companhia Viajantes no Tempo, têm vindo a retratar a vida e a obra do escritor, e anteontem surpreenderam tudo e todos ao longo do jantar.
Fã incondicional do escritor Eça d’ Queirós, Pedro Sousa, do restaurante que dá alma ao escritor, admitiu que Eça d’Queirós é o escritor português que “melhor junta” duas dimensões: “a arte da narrativa e a arte descritiva, sendo que na arte descritiva está muito bem presente a comida e a bebida”.

Por isso, o restaurante, em parceria com o Solar da Pena, decidiu apresentar um menu inspirado nas obras do escritor pelas mãos do chef José Pedro Santos. “Decidimos fazer uma pequena viagem pela gastronomia da obra de Eça d’Queirós e nada melhor do que o restaurante Alma D’Eça celebrar o quinto aniversário com um menu inspirado no escritor”, justificou Pedro Sousa, destacando as obras ‘Mandarim’, ‘O Crime do Padre Amaro’, ‘Os Maias’, ‘A Cidade e as Serras’ ou ‘O Primo Basílio’, que têm várias referências gastronómicas que se apresentaram à mesa no nono jantar vínico. Canja de galinha, com miúdos, moelas e fígado, seguida de um bacalhau confitado com puré de grão e salada de pimentos e depois um arroz de favas com frango alourado foram os pratos apresentados entre representações cénicas dos actores. À sobremesa não faltaram ainda o leite creme nacional e o doce Teixeira. Tudo isto bem regado pelos vinhos do Solar da Pena.

O enólogo do Solar da Pena, Pedro Campos, acredita que “esta é uma oportunidade muito boa para produzir bons vinhos, sendo que a quinta está situada na zona de Braga com o melhor potencial, a bacia de montanhas do lado de esquerdo quem vai para a Póvoa de Lanhoso”.
O enólogo garantiu que este projecto recente tem ‘pernas para andar’. “Estamos a produzir o vinho há três anos com castas da região e está a correr muito bem”, assumiu.

No jantar vínico, o Solar da Pena apresentou no Welcome Drink o Folclore, que é “um vinho verde cuidado de forma tradicional e que expressa a frescura e a leveza”, explicou. À mesa ainda estiveram, a acompanhar o bacalhau, o Solar da Pena Arinto e para fazer jus ao arroz de favas com frango alourado esteve o Solar da Pena Batonnage. “O Solar da Pena Arinto é uma casta extraordinária que permite fazer de tudo e no primeiro ano de lançamento já ganhou uma medalha de prata”, informou o enólogo, acreditando que o Solar da Pena vai levar “muito longe” o nome de Braga.

Jantares temáticos e com história podem ser próximo desafio

Surpreendido com a presença de Eça d’Queirós e a cunhada Benedita Castro Pamplona no último Jantar Vínico, inserido na edição deste ano do Vinho Verde Fest, o vereador do Turismo da Câmara Municipal de Braga, Altino Bessa, deixou o desafio de se fazerem jantares temáticos e com história. “Esta surpresa foi muito interessante. Temos que pensar num modelo com jantares temáticos e com a história das personagens da cidade como Ondina Braga, Carlos Amarante ou até S. Geraldo”, incitou Altino Bessa, lançando o repto aos restaurantes da cidade. Esta ideia pode até vir a ser trabalhada com a Companhia de Teatro de Braga.
Também o director geral da Associação Comercial de Braga admitiu que o momento vivido no último jantar vínico foi “uma lufada de ar fresco e uma experiência extraordinária”. Rui Marques foi mais longe: “esta surpresa corporizou na perfeição o que era a ideia da organização para este tipo de eventos, que fossem distintivos, diferenciadores e desafiantes quer para os restaurantes quer para os produtores de vinho”. O certo é que aquele momento “foi extremamente bem sucedido e casa na perfeição a gastronomia e os vinhos com a cultura e a história”, aplaudiu.

Jantares vínicos vieram para ficar

Os jantares vínicos, inseridos pela primeira vez no Vinho Verde Fest, vieram para ficar. “A dificuldade, às vezes, aguça o engenho. Foi uma inovação e como resultou tão bem vai continuar a fazer parte do Vinho Verde Fest”, garantiu o vereador do Turismo da Câmara Municipal de Braga, Altino Bessa, no final do jantar vínico, que decorreu no restaurante Alma D’Eça.
“Esta iniciativa foi um sucesso e tivemos uma adesão muito interessante. Tivemos nove jantares vínicos muito interessantes, tivemos vários produtores de vinhos e vários restaurantes a participar nesta iniciativa e de certeza que serve como alavanca para a próxima edição do Vinho Verde Fest”, sublinhou Altino Bessa, esperando que quando “não houver constrangimentos” da pandemia, em vez de nove jantares vínicos sejam 20.
“Queremos potenciar esta associação entre a restauração e os produtores de vinhos para o negócio fluir ao longo do ano”, justificou o vereador, referindo que estes são “pequenos contributos para que os negócios se mantenham”.

Este ano, havia “todos os motivos” para não se realizar o Vinho Verde Fest, mas a organização decidiu fazê-lo. “Fizemos num modelo virtual, onde os produtores de vinho apresentaram os seus produtos e fazia-se uma espécie de viagem através do site. Não desistimos das nossas actividades, algumas não são possíveis realizar, mas as que são possíveis nós realizamos”, confirmou Altino Bessa, lembrando a realização do Fórum do Turismo, a Gala do Turismo, o Conselho Consultivo do Turismo, o Verde Cool e o Verde Vinho Fest.

Também, o director geral da ACB, Rui Marques acredita que esta iniciativa é para replicar já em 2021. “O balanço é positivo, já que conseguimos manter o evento activo e ter novamente na agenda a promoção dos vinhos verdes e da gastronomia local, reinventando o modelo existente”, referiu Rui Marques, admitindo que “não se conseguiram resultados extraordinários” em termos financeiros. No entanto, dado o contexto actual, “conseguiu-se criar estímulos positivos quer para os consumidores quer para os empresários”.
Rodeados de “grande pressão negativa”, esta foi “uma oportunidade de continuar a criar desafios às empresas e experiências às pessoas, por isso, foi uma mais-valia”. Rui Marques concluiu: “conseguimos encontrar o modelo para envolver a restauração nesta grande festa, que é qualificante, distintiva e que valoriza o produto vinho e o produto gastronomia”.

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