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É preciso reforçar leis para conciliar família e profissão
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É preciso reforçar leis para conciliar família e profissão

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É preciso reforçar leis para conciliar família e profissão

Nacional

2020-03-08 às 06h00

Redacção Redacção

Isabel Estrada Carvalhais defende que “ainda há muitas situações de desigualdade”, por isso, é “urgente” criar condições para que as mulheres consigam conciliar a família e o trabalho. Mariana Coelho é uma das 14 mulheres motoristas dos TUB. É com “orgulho” que todos os dias põe ‘as mãos ao volante’ dos autocarros, confessando que foi ali que se realizou profissionalmente. Por sua vez, a Vereadora da Acção Social da câmara vimaranense destaca planos de acção para intervir na área da prevenção na violência doméstica e promoção da igualdade de género.

Textos: Patrícia Sousa, Marta Amaral Caldeira e Paula Maia

É preciso reforçar leis para conciliar família e profissão

Para a eurodeputada Isabel Estrada Carvalhais “faz todo o sentido” continuar a celebrar o Dia Internacional da Mulher, porque “infelizmente ainda há muitas situações de desigualdade”. Por isso, considera “urgente” que haja um esforço do quadro legislativo a nível nacional e europeu para “reforçar ainda mais a compatibilidade entre a vida pessoal e a profissional”.
Apesar de todo o esforço de homens e mulheres, para a eurodeputada “ainda há muitas situações de desigualdade e todo o caminho feito até aqui não é linear, ou seja, as conquistas do passado são muitas e importantes, mas nunca podem ser vistas como adquiridas e sem necessitar de uma luta permanente”.

Perante a realidade actual, Isabel Estrada Carvalhais defende um reforço “muito urgente” dos quadros legislativos a nível nacional e europeu no sentido de haver mais compatibilidade entre a vida familiar e a profissional. E exemplificou: “a mulher eurodeputada não tem licença de maternidade, ou melhor, pode ter mas não é substituída no seu cargo o que tem implicações tremendas. Logo, as mulheres tendem a adiar a maternidade”.
Aliás, esta é um “problema recorrente” da sociedade que é o adiamento da maternidade. “Muitas vezes as mulheres são condicionadas pelo percurso profissional, porque sentem que a maternidade vai de alguma maneira desviá-las desse percurso. E esse sentir tem razão de ser, porque efectivamente são penalizadas a partir do momento que optam pela maternidade”, lamentou a eurodeputada, defendendo que a etapa urgente que se segue é ao nível da legislação. “As leis são importantes para criar as condições e os quadros de sancionamento para quem não as respeita também são essenciais no sentido de permitir uma conciliação mais reforçada entre a vida familiar e profissional das mulheres”, apelou.

Sobre a “aventura” que começou em Setembro passado no Parlamento Europeu, Isabel Estrada Carvalhais garante que tem conseguido conciliar a vida familiar e profissional com muita determinação e com o apoio da família. “Acho muito curioso, porque a um homem ninguém pergunta ‘como consegue conciliar a sua vida profissional com a questão familiar’. No caso das mulheres essa é a primeira pergunta e isso só por si é revelador de como as mulheres são vistas na nossa sociedade”, constatou.
Apesar de “ficar muitas vezes para segundo plano” e de ter sempre situações “sacrificadas”, de uma forma geral, Isabel Estrada Carvalhais tem conseguido conciliar a vida profissional e familiar. “O meu filho, o meu marido e a minha mãe são uma prioridade, para além do meu trabalho como eurodeputada. É muito gratificante verificar que apesar dessas pequenas cedências consigo perfeitamente caminhar em paralelo não deixando nada importante para trás”.

Mariana mostra como a mulher tem “mãos para o volante” nos autocarros dos TUB

A bracarense Mariana Coelho, de 36 anos, é uma das 14 mulheres motoristas dos Transportes Urbanos de Braga (TUB). Assume as funções de sorriso nos lábios, dando as boas-vindas aos passageiros que todos os dias recebe nos autocarros que dirige e mostra que nasceu para esta profissão.
“Estou há dois anos e meio nos TUB e estou muito contente por cá estar”, afirma, garantindo que foi ali que conseguiu realizar o seu sonho. “Já tinha tentado entrar para os TUB em 2010, mas, na altura, não aceitaram, justificando que não tinham ‘condições’ e, entretanto, tive outros trabalhos, mas nunca me senti como hoje me sinto nesta casa: sinto-me um um peixe na água”, confessou, de sorriso aberto, ostentando orgulho por ser uma das muitas mulheres que actualmente trabalham num mundo que era até há bem pouco tempo, apenas, de homens.

Filha de pais divorciados, foi talvez a busca dessa figura mais paternal que levou Mariana a ter procurado sempre ofícios maioritariamente mais desempenhados por homens como é o caso da profissão de motorista e da profissão de militar.
“Comecei a trabalhar muito cedo, a tomar conta de crianças através do Instituto Português da Juventude. Acabei por ingressar no Exército Português, onde fiz carreira militar nas funções de instrutora de condução, onde obtive as cartas das várias categorias, entre as quais de pesados, pesados de mercadorias e pesados de passageiros, o que foi uma grande mais-valia para mim depois de ter saído do Exército”, contou a jovem motorista dos TUB.

Depois de ter saído do Exército, onde exerceu funções durante sete anos, Mariana Coelho decidiu acabar o 12.º ano de escolaridade nas ‘Novas Oportunidades’, em Mazagão e mais tarde acabou por fazer o curso de técnico auxiliar de saúde. “Trabalhei quatro anos no Hospital Escala Braga na área da esterilização e adorei. Simplesmente, não era para mim”. Passou por outros trabalhos, desde ajudar familiares num café até ‘caixa’ de supermercado, mas foi ao volante dos TUB que finalmente encontrou a sua realização profissional. “Estou muito feliz por estar aqui nos TUB”, disse, chamando a atenção, no entanto, para uma “condução mais cívica” por parte dos condutores, sobretudo nas ‘horas de ponta’ durante a semana.
Considerando que o Dia da Mulher continua a ser um dia importante para lembrar que as mulheres têm os mesmos direitos e deveres que os homens, a jovem Mariana Coelho diz que “é uma data em que se devem lembrar e homenagear todas as mulheres que no passado lutaram para hoje termos estes direitos e igualdades”.

Guimarães reforça estratégia para promoção da igualdade de género

A vereadora da Acção Social da Câmara Municipal de Guimarães afirma que a autarquia recorre a “todos os instrumentos possíveis” para desenvolver a promoção de igualdade de género, sublinhando um trabalho com quase duas décadas assente no Espaço Municipal para a Igualdade, um gabinete criado pelo município em 2001, onde se desenvolvem planos de intervenção vocacionados para a prevenção e educação, assim como o acompanhamento de um psicólogo e uma assistente técnica.

Paula Oliveira, que participou no seminário ‘A Mulher e as Violações dos Direitos Humanos’, no âmbito do projecto ‘Go- od Vibes’, promovido pela Sol do Ave, em parceria com o Município de Guimarães, realçou ainda a cooperação com as diversas instituições, sobretudo na Rede Social, com um reconhecimento amplo nas políticas sociais, sendo disso exemplo a distinção de Município de Exce- lência do Prémio Viver em Igualdade no âmbito da Estratégia Nacional para a Igualdade e Não Discriminação.
Considerando que a a violência doméstica “ainda é um flagelo que atinge a sociedade”, Rosa Oliveira, da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, sublinhou que esta discussão “só faz sentido com o empenho de todos”, elogiando o papel do Município de Guimarães que “tem dado sinais muito positivos nesta estratégia” .

“Preocupam-nos muito as vítimas de violência. Precisamos muito do apoio dos municípios e ministérios. Ninguém fica para trás e é muito importante trabalhar em parceria”, salientou.
Recorde-se que o Município de Guimarães assinou em 2019 um protocolo com a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género que visa contribuir para o desenvolvimento de uma cultura de direitos humanos, igualdade entre mulheres e homens, não discriminação e não-violência, junto das populações. Trata-se de um protocolo previsto na Estratégia Nacional para a Igualdade e Não Discriminação, tendo como objectivo reforçar o compromisso mútuo, estabelecendo linhas orientadoras seguras no percurso dos municípios.

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