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Braga, segunda-feira

Domingos Bragança: Progresso de Guimarães assenta no desenvolvimento sustentável
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Domingos Bragança: Progresso de Guimarães assenta no desenvolvimento sustentável

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Entrevistas

2018-05-27 às 12h00

Rui Alberto Sequeira

Domingos Bragança assume ser um "eco presidente" e um autarca preocupado em fazer crescer o concelho de Guimarães sustentado por uma forte consciência ambiental dos municípes. Em entrevista á Antena Minho e ao Correio do Minho, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães defende a descentralização para financiar a cultura no concelho e fala da importância de requalificar o Teatro Jordão e a Garagem Avenida.

P O que é que este seu segundo mandato significará para o concelho de Guimarães?
R Confirmar com os vimaranenses o conjunto de acções, de investimento e também aquela que é a nossa concepção de cidade e de território, dentro de quatro anos.

P Um modelo muito ambiental, muito ecológico.
R A agenda central é o desenvolvimento sustentável. Eu tenho afirmado que desejo muito que os meus concidadãos vimaranenses sejam ecologistas no seu quotidiano, sejam eco cidadãos. Aliás eu tive um momento muito interessante numa das escolas onde fui apresentar a candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia e em que uma aluna interpela-me apelidando-me de eco presidente (risos). Foi um momento delicioso.
P Encarna essa responsabilidade de ser um eco presidente?
R Interiorizo esse conceito. Eu diria que essa designação relativamente ao presidente da Câmara Municipal de Guimarães (CMG) está certo porque é isso que eu me sinto.

P - Assume-se como um "eco presidente", pode dizer-se que já tem "eco munícipes"?
R - Quando refiro todos os nossos concidadãos serem "eco cidadãos" inclui todas as profissões, todas as actividades e entre elas a industrial que muitas vezes é das maiores predadoras dos recursos ambientais. Estamos perante um processo de mudança de mentalidades e de hábitos no domínio da sustentabilidade ambiental que é irreversível. Está interiorizado pelos vimaranenses. Quando eu sair da presidência da Câmara este processo irá continuar.

P A candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia, não teve sucesso nesta primeira tentativa. É intenção do Município reafirmar no futuro uma nova candidatura?
R Apesar de não termos recebido essa distinção eu creio que a candidatura foi um sucesso. Nós fizemos tudo para sermos em 2020, Capital Verde Europeia (CVE). Estávamos a concorrer com as 13 melhores cidades europeias a nível do ambiente, usando uma linguagem futebolística, estávamos a concorrer para a Taça dos Campeões das cidades ambientais. Oslo (capital do Noruega) só após três candidaturas será CVE, o que diz bem da exigência que é colocada ás cidades. Eu queria a assumir a vida política - enquanto presidente da Câmara com o propósito muito forte do desenvolvimento sustentável. Quando apresentei este objectivo de ser Capital Verde Europeia como uma das linhas de força na minha primeira candidatura á câmara em 2013, senti que as pessoas consideraram um desafio quase impossível. O que é certo é que a candidatura de Guimarães veio a afirmar-se. No ranking das 13 melhores cidades da Europa ficámos na 5ª posição e em quatro indicadores, dos doze a considerar, Guimarães ficou em 2º lugar. Significa que o que temos de fazer é subir todos os nossos indicadores de forma a ficarmos em primeiro lugar.

P Guimarães vai continuar neste campeonato da primeira liga ambiental?
R Esta avaliação por parte da Comissão Europeia - a que nós voluntariamente nos propusemos - mostrou que temos todas as possibilidades de um dia sermos Capital Verde Europeia. Eu também disse sempre que tão ou mais importante do que conseguirmos aquele estatuto em 2020, era o caminho que estávamos a percorrer.

P Trata-se agora de melhorar os indicadores. Como é que isso pode ser conseguido?
R Nós ficámos em segundo lugar no indicador relativo á governança. Uma das dimensões que mais me satisfez foi saber que fomos reconhecidos na envolvência dos cidadãos, das instituições, da comunidade escolar, sensibilizando todos para as questões ambientais.

P Guimarães assumiu de corpo e alma a agenda para a sustentabilidade ambiental?
R No ano passado fomos considerados o Município mais sustentável do país.

P Neste contexto que papel é que assume por exemplo o Laboratório da Paisagem e a Incubadora de Base Rural?
R No ambiente tudo se interrelaciona. Uma das áreas que nós privilegiámos foi a ligação com as Universidades do Minho e de Trás-os-Montes e constituímos a Associação Laboratório da Paisagem. É uma estrutura que se dedica á investigação e divulgação na área do ambiente.

P - Habitualmente fala-se da ligação universidades /empresas. Neste caso estamos perante um interface universidades/ Município.
R Numa das visitas que recentemente fiz a empresas instaladas em Guimarães, todos os industriais; sem eu os ter questionado; afirmaram estarem atentos á sustentabilidade ambiental nas respectivas empresas. Relativamente á Incubadora de Base Rural chamámos também a comunidade escolar.

P Guimarães é um concelho com uma matriz industrial muito vincada.
R Guimarães tem uma marca industrial forte desde a primeira revolução industrial e somos o quinto maior exportador do país, mas isso não quer dizer que não tenha recursos naturais, muitos terrenos férteis que possam ser bem utilizados o chamado uso sustentável do solo - para que exista um sector agrícola e florestal, forte.

Apostar na agricultura

P A Câmara Municipal de Guimarães criou um Banco de Terras.
R Eu apresentei a ideia de criarmos uma Incubadora de Base Rural que tenha em conta o bom uso da terra e também a segurança alimentar. Desafiámos os proprietários a cederem terrenos á Câmara, através de aluguer, e nós, autarquia, cedemos esses mesmos terrenos em condições excepcionais a jovens ou menos jovens que queiram dedicar-se á actividade agrícola. Nós damos formação, têm que apresentar um plano de acção, vamos promover visitas a várias unidades e só depois avançaremos com a certificação para capacitar a implementação de um negócio.

P Salvo as devidas diferenças poderíamos dizer que estamos perante uma nova Leis das Sesmarias.
R (risos) Eu costumo dizer aos mais jovens e aos menos jovens que não há idade para se dedicarem a novos projectos. Hoje ser agricultor não é mesma coisa que há 20 ou 30 anos atrás. Quem se dedica á agricultura vai usar o conhecimento produzido nas universidades, as novas tecnologias, os novos modelos de produção.

P - O conceito de desenvolvimento sustentável que defende para o concelho de Guimarães, que tem uma actividade industrial muito marcante, também está a beneficiar de uma nova era, porventura mais adequada a princípios ambientais.
R - Vivemos numa época de grandes desafios e no que diz respeito á indústria estamos a viver uma nova revolução. Nós criámos no âmbito da candidatura a CVE, um comité de aconselhamento externo presidida pelo professor Mohan Munasinghe. Ele diz que "hoje temos conhecimento, temos tecnologia, mas o que faz com que as mudanças sejam efectivas é a educação para a cidadania" e é por isso que a CMG apostou no pilar da educação ambiental nas escolas.

P - Falou de tecnologia, do conhecimento, remete-nos para o trabalho desenvolvido no Avepark - Parque de Ciência e Tecnologia nas Caldas das Taipas.
R - O Avepark tem um potencial extraordinário.

P - No passado atravessou momentos difíceis de afirmação.
R - Sim, deu ideia que iria definhar. Actualmente percebe-se uma nova dinâmica e até uma "boa euforia" em relação ao Parque de Ciência e Tecnologia. Neste momento está a decorrer o concurso para a construção do Instituto Cidade de Guimarães para a área da biomedicina e dos biomateriais e que vai acolher o "Discoveries Centre" - o Centro de Excelência Europeu em Medicina Regenerativa e de Precisão.

P - Existe a consciência da importância e da dimensão científica desse projecto?
R - Creio que a região em si ainda não se apropriou do impacto deste centro de investigação científica. À medida que formos concretizando o projeto, irá surgir certamente toda a força estratégica que o "Discoveries Centre" representa.

P - Qual é neste momento o ponto da situação quer em relação á via do Avepark que em relação ao desnivelamento em Silvares?
R - No caso do desnivelamento o processo é da responsabilidade das Infraestruturas de Portugal (IP), depois de muita pressão da autarquia. O projecto está a ser elaborado, para quando estiver concluído, dentro de dois a três meses, a obra possa ser lançada a concurso por parte da IP e em relação á qual haverá também uma comparticipação financeira da Câmara porque resulta do acordo estabelecido que inclui a ligação ao Avepark. A ligação ao Avepark é da responsabilidade da CMG - com o apoio da IP - e tem financiamento no âmbito programa de acesso ás áreas industriais e tecnológicas.

P - São obras que vão decorrer em simultâneo?
R - A sua execução não será simultânea. Primeiro será feito o desnivelamento. Penso que o mais tardar em 2019 a obra será iniciada. Há ainda uma rotunda em Ponte que fará a ligação ao Parque Industrial. Essa segunda via está ainda dependente de formalismos e do processo de aquisição de terrenos. A ligação ao Avepark se em 2020 estiver concluída, significa que correu tudo muito bem!
P Tem insistido que a engenharia têxtil na UMinho deve ter a ambição de ser de excelência a nível europeu e mundial, á semelhança da indústria do sector no concelho de Guimarães.
R Temos nesta região do Ave uma indústria têxtil de excelência. Os empresários na fragilidade que o sector atravessou há uns anos, souberam tirar linhas de força que colocaram essas unidades industriais entre as melhores do mundo ao nível da tecnologia, do desenvolvimento, de novos produtos e da organização. Para a produção do têxtil concorrem hoje todas as ciências e áreas de saber. O que eu quero dizer é que com esta nova realidade industrial, porque é que não fazemos uma escola de engenharia têxtil de referência mundial. Não estou a colocar em causa nada do que se tem feito na UMinho e tenho até conversado sobre o tema com os reitores da universidade.

P Um dos projectos ligado ao ensino em Guimarães é a recuperação da Quinta do Costeado para aí instalar uma Escola-Hotel no âmbito de uma parceria com o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA).
R É um terreno de 3 hectares com uma casa senhorial, contemporânea do Palácio de Vila Flor, localizada na Cruz de Pedra e que a autarquia já adquiriu. Teremos ainda de construir um edifício complementar para a escola. Vamos fazer uma recuperação com toda a autenticidade da casa e preservar um jardim de Camélias com cerca de três séculos. Seguiremos o modelo das melhores "escolas-hotéis" do mundo e nesse sentido haverá uma deslocação á Suíça para observar in loco como se faz. Queremos ter em Guimarães uma Escola-Hotel de referência para todo o país e que vai também orientar-se para a realidade do Minho que tem uma importante oferta de alojamento nas casas senhoriais.

P - Enquanto vereadora da Cultura na Câmara Municipal de Braga, não corre o risco de ser criticada por não ter acrescentado muito de novo nesta área?
R - Tomei a liberdade de trazer algo que foi explorado no meu gabinete: a comparação entre aquilo que encontrámos em 2013 e aquilo que encontrámos em 2016.

P - O que nos mostra de 2016 é uma página A4 mais preenchida.
R - São heranças muito importantes para o território como as submissões das Solenidades da Semana Santa e das Festas de S.?João ao inventário do Património Imaterial.

P - A grande parte dos projectos da actual maioria são imateriais?
R - São também projectos imateriais. Houve necessidade de dar vida a muitas coisas. Estou a falar da Braga Romana, das Noites de Verão, da revista Bracara Augusta que tinha um atraso enorme, o termo-nos associado a Vila Nova de Famalicão e Guimarães com o Festival Voudeville, o Festival de Órgão, o Braga em Risco, o programa À Descoberta de Braga, que é de uma grande consistência e abrangência, o Braga Vai ao Museu, o Braga Barroca, a alteração do Prémio Maria Ondina. São coisas muito concretas que têm a ver com a vida das pessoas.

P -Na linguagem da oposição isso são festas e festinhas. Como reage a essa crítica?
R - Olhe, quando lhe falo deste conjunto de actividades, falo de pessoas que têm nome e falo de instituições. Falo do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, falo da Companhia da Música, falo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, falo da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, falo da Casa do Professor...

P - Está a dizer que essas instituições não se revêem nesse tipo de crítica?
R - Isso foi algo que foi erradamente colado, porque eu vejo essas pessoas nas festas e festinhas. Se são assim de tão fraca qualidade, tenho pena mas não é esse o retorno de quem está e de quem participa.

P - A três meses das próximas eleições autárquicas, o que é que não conseguiu concretizar na área da Cultura?

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