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Alto Minho

2018-04-16 às 06h00

Teresa M. Costa

Vinho Verde está na moda e a sua diferenciação abre-lhe cada vez mais mercados e áreas como o enoturismo, valorizando a região que os produz.

O vinho verde está na moda, não só em Portugal, mas também além fronteiras e isso repercute-se não só nas vendas e nas exportações, mas também na região que produz um vinho único no mundo.
O vinho verde foi 'servido' na última edição do programa da Rádio Antena Minho 'Da Europa para o Minho', conduzido pelo director da Rádio e do Jornal Correio do Minho, Paulo Monteiro, e pelo eurodeputado José Manuel Fernandes.
O presidente da comissão executiva da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), Manuel Pinheiro, explica os factores de sucesso do vinho verde que passam, sobretudo, pela diferenciação de um produto único no mundo.

O dirigente da CVRVV lembra o debate que se gerou, nos anos 90, no seio da região dos vinhos verdes em que venceu a opinião de fazer do vinho verde um vinho único no mundo com as castas próprias e com o sabor próprios.
"Não é melhor nem pior que os outros, não temos essa preocupação, é diferente dos outros" salvaguarda Manuel Pinheiro para quem "a diferenciação é a nossa afirmação e tem sido a chave do que temos feito e tem permitido que a região apresente grandes vinhos em todo o lado e bons resultados comerciais".
Apesar dos bons resultados, com as vendas a cifrarem-se nos 32 por cento e as exportações nos dois dígitos, o dirigente da CVRVV aponta: "estamos muito longe do que queremos".

Entre os objectivos está, em primeiro lugar, a valorização da região. "Que se traga mais riqueza, que as uvas sejam melhor pagas e que os produtores tenham mais rendimento" sustenta Manuel Pinheiro, que traça o caminho: "é o caminho de fazer melhores vinhos, de comunicar melhor, de valorizar mais o vinho verde".
O presidente da CVRVV acredita: se formos capazes de ser perseverantes no rumo exacto que estamos a fazer, nós iremos chegar a uma valorização maior gerando mais riqueza.
Entre as áreas que estão a aparecer, figura o enoturismo.
Quem hoje vem a Braga, a Guimarães ou a Viana do Castelo tem à volta da cidade vários produtores de vinho verde que são visitas fantásticas que vale a pena fazer sugere Manuel Pinheiro que não tem dúvidas de que o enoturismo, ligado àquilo que já é hoje o turismo nas grandes cidades da região. vai ser uma nova forma de negócio e vai gerar desenvolvimento para toda a região.

Região de vinhos com muita tradição mas ao mesmo tempo competitiva

Vinte e sete produtores da região dos vinhos verdes foram a Tóquio apresentar os seus vinhos ao mercado japonês.
Para o presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), Manuel Pinheiro, esta é a melhor imagem do que é hoje a situação do vinho verde, um vinho aberto ao mundo.

Estes produtores que estão lá fora, alguns são cooperativas, alguns são empresas comerciais, uns pequenos, uns grandes, são a melhor bandeira do futuro do vinho verde defende Manuel Pinheiro.
Um região antiga, com muita tradição, mas ao mesmo tempo uma região competitiva. É esta a realidade da região dos vinhos verdes.
Não temos medo nenhum de chegar ao outro lado do mundo, seja na Alemanha, nos Estados Unidos ou no Japão e apresentar os nossos vinhos que são grandes vinhos sustenta o presidente da CVRVV que traça o caminho: temos é que perseverar e também ter orgulho do que fazemos. Tantas vezes nos fartamos de ouvir críticas e afinal temos aqui um produto que é único no mundo e que fazemos bem.

Castas antigas ajudam a reiventar o vinho verde

Uma visita à Estação Vitivinícola Amândio Galhano, no concelho de Arcos de Valdevez, ajuda a conhecer o percurso de sucesso do vinho verde, mas sobretudo o futuro que está a ser trilhado com base na investigação.
A estação Amândio Galhano é um centro de de desenvolvimento experimental, criado pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes em Outubro de 1986, que se dedica ao estudo e desenvolvimento de novas técnicas e procedimentos de apoio na área da viticultura.
É uma quinta onde se faz investigação, experimentação e se procura definir o futuro do vinho verde descreve o presidente da comissão executiva da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), Manuel Pinheiro.

É neste centro de investigação que se trabalha para recuperar e desenvolver as castas tradicionais da região, um desafio que tem tanto de enorme como de apaixonante assume Manuel Pinheiro.
Hoje, quando se fala de vinho verde, fala-se, sobretudo de loureiros e de alvarinhos. São as nossas grandes bandeiras, mas precisamos de encontrar outros caminhos para o vinho verde que não sejam só o loureiro e o alvarinho refere o dirigente da CVRVV.
Na Estação Amândio Galhano, o que se está a fazer é ir buscar as plantas mais antigas que foram abandonadas, esquecidas, que se calhar não eram produtivas e voltar a plantá-las em condições ideais e perceber se elas hoje respondem bem explica Manuel Pinheiro.
A nossa expectativa é que o trabalho de experimentação que se faz aqui leve a redescobrir castas antigas e, se elas forem boas, o que faremos é multiplicá-las e colocar estas plantas na casa dos produtores para que possam fazer novos vinhos verdes acrescenta o responsável da CVRVV.

O trabalho que está a ser feito passa rastrear as castas que foram abandonadas ao longo de décadas e séculos na região dos vinhos verdes.
Foi plantada uma nova vinha com seis castas minoritárias. Pode acontecer que uma destas seis se revele muito boa, mas também se nenhuma das seis se revelar boa, passaremos às seis seguintes afirma Manuel Pinheiro que acredita que a reivenção constante que precisamos de fazer da região vai passar por novas castas, se calhar as que estamos aqui a experimentar hoje.
Hoje falamos de loureiro e alvarinho, mas temos outra casta - o avesso - que produz grandes vinhos e que ainda é muito pouco conhecida exemplifica o presidente a CVRVV, que antecipa: o próximo passo já será o avesso e outras virão se calhar aquelas que estamos aqui no Vale do Lima a experimentar.

Nova cultura do vinho pode trazer gente nova à região

A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez sempre apoiou a Estação Vitivínicola Amândio Galhano, encarada pelo actual edil, João Manuel Esteves, como o grande laboratório de investigação do vinho verde na região, congratulando-se com o seu relançamento.
É um gosto saber que temos aqui um arquivo genético do vinhos da região, saber que há produção científica a partir daqui realça o autarca arcuense, que lembra o desenvolvimento, há pouco tempo, de uma máquina para combate a uma doença da vinha.

É com grande satisfação que vejo que aquilo que temos sempre acarinhado com a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) se possa vir a concretizar, a materializar ainda mais porque o vinho faz parte da cultura da nossa região, da economia dos Arcos e espero que este seja o momento de relançamento, de criar mais inovação sustenta o edil, que acredita: será um grande salto que podemos dar para o vinho e para a região.
João Manuel Esteves destaca, também, o assumir do papel importante do vinho no turismo. A quinta onde funciona a Estação Amândio Galhano e que tem uma área de cerca de 60/70 hectares pode servir ela própria para promover a região enquanto espaço de turismo, espaço de enoturismo e de enogastronomia.

O presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez concorda que o vinho verde está na moda, cada vez mais se ouve falar de vinho verde, mas também cada vez mais se percebe que ele tem esse papel económico com a produção a crescer todos os anos, tal como as exportações.
Para o edil arcuense, é um sinal daquilo que se pode investir, mas também um sinal de que se pode trazer gente nova para a região porque há uma nova cultura do vinho, um novo élan para o vinho verde que deixou de ser aquele vinho ácido para passar a ser um vinho apreciado pelo mundo inteiro e na região.
Seja branco ou tinto, sendo que Arcos de Valdevez promove o vinhão, o que interessa é que a região beneficie com isso, quer em conhecimento, quer em visibilidade e atracção, afirma João Manuel Esteves.

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