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Braga

2020-11-23 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

Autarcas minhotos dizem que medidas são necessárias para confinar a Covid-19, mas exigem apoios “imediatos” e “exequíveis” condizentes com as restrições a que estes concelhos ficam sujeitos e tendo as suas especificidades.

Praticamente todo o distrito de Braga volta a estar pintado a vermelho no novo mapa criado pelo governo tendo em conta o risco de contágio de Covid-19. Exceptuando Esposende, Vila Verde, Terras de Bouro e Cabeceiras de Basto, todos os restantes concelhos integram a lista de risco “extremamente elevado”, o mais alto de quatro níveis, ficando sujeitos, a partir de amanhã, de medidas muitas restritivas.
Além das medidas aplicadas a todo o território nacional, neste concelhos será ainda proibida a circulação na via pública aos sábados, domingos e feriados das 13 às 5 da manhã, sendo obrigatório o encerramento dos estabelecimentos comerciais a partir das 15 horas nos dias 30 de Novembro e 7 de Dezembro.

Não se mostrando surpreendidos com as medidas anunciadas face à situação que estão a viver - embora alguns considerem que pecam por tardias - os autarcas minhotos reclamam também por apoios mais robustos e exequíveis que aliviem as finanças dos empresários, sobretudo da restauração e do comércio local, que estão a viver momentos “dramáticos”.
Vizela é um dos concelhos que vive uma das situações mais preocupantes face ao número de infecções e mortes por Covid. Em confluência com concelhos que desde Outubro registavam um acréscimo do número de casos face à média nacional - como Felgueiras, Lousada e Guimarães - o autarca local diz que este cenário era “previsível” . “Como somos um concelho com alta densidade populacional era previsível que rapidamente o vírus se iria espalhar”, explica Victor Hugo Salgado, afirmando que esta é o exemplo de que as medidas restritivas devem ter em conta as realidades de cada região e não serem tomadas de forma isolada. “Penso que as medidas devem ter um carácter regional, intermunicipal e serem avaliadas por forma a ter o menor impacto no que concerne à questão económica”, diz.

O autarca de Vizela adianta também que foi quebrado o princípio da igualdade no que toca aos apoios económicos e de saúde pública. “Se o número de casos é muito superior a outros concelhos tem que haver um reforço dos meios de saúde pública que sinalizem e façam a monitorização dos casos.?Por outro lado, estamos a tomar medidas globais para o comércio, embora hajam comerciantes de alguns concelhos que não estão a sentir as mesmas restrições que estão a sentir os de Vizela. E as medidas são todas iguais”, refere Victor Salgado, sublinhando que os apoios têm de ser “imediatos e exequíveis” e não sujeitos a um processo burocrático cujos efeitos são apareçam “daqui a quatro meses”.

A suspensão dos pagamentos à segurança social, “nem que fosse parcialmente” é uma das sugestões apresentadas pelo autarca de Vizela que regista actualmente uma subida da taxa de desemprego acima dos 40%.
Também o presidente da Câmara de Famalicão defende que as medidas anunciadas pelo governo deveriam ser acompanhadas de mais medidas de apoio à economia. “O governo não acompanha as medidas de saúde pública com medidas de apoio económico”, diz o autarca local, sublinhando que a tutela “sabe muito bem” o impacto que estas restrições têm no tecido empresarial e que não pode estar sempre a anunciar apoios “a conta-gotas”, revelando ainda que o apoio de 20% anunciado para a restauração é “absolutamente insignificante”.
“Espero que que o governo acerte a bússola e tome medidas com profundidade”, diz Paulo Cunha, permitindo aos empresários um planeamento do negócio.

Quanto às restrições aplicadas a estes concelhos de risco extremamente elevado, Paulo Cunha considera que são “necessárias”, lamentando, no entanto, que o governo privilegie a “dinâmica reactiva” em vez da “preventiva”.
“As medidas vêm com significativo atraso e à custa de muitas infecções”, considera Paulo Cunha, explicando que se tivessem sido tomadas “na altura certa” a curva da epidemia não teria “um pico tão alto”.
Considerando que a “a economia não pode parar”, o autarca da Póvoa de Lanhoso deixou ontem um apelo aos munícipes para que cumpram as recomendação das entidades de saúde para ajudarem a travar o número de infecções que colocam também o concelho no grupo de risco mais elevado.
Avelino Silva dirigiu-se particularmente aos jovens para não “facilitarem o uso da máscara e restringirem os contactos, pensado nos mais próximos, os pais e avós, que integram o grupo de maior risco para a infecção pela Covid.

“Antevejo dias negros para a restauração e o comércio local”, diz Miguel Alves

No distrito de Viana do Castelo, Caminha e Valença também integram o grupo de concelhos de risco extremamente elevado. Uma decisão que não apanhou de surpresa o autarca de Caminha que já se tinha preparado para “o pior” face ao número de casos registados. “Estamos quase a duplicar o número de novos casos de Outubro, um mês em que triplicamos os casos dos meses anteriores”, diz ao CM Miguel Alves. O autarca considera que o governo percebeu que é necessário equilibrar aquilo que são as medidas de controlo da pandemia com a necessidade de manter a economia “à “tona de água” e que só não tomou medidas mais “drásticas “ porque os dias de pandemia serão longos. No entanto, Miguel Alves quer que o governo olhe para os concelhos com “malha mais apertada” - Paços de Ferreira, Felgueiras, Lousada e Vizela”, com uma preocupação “diferenciada” no que diz respeito à aplicação de medidas de apoio ao comércio e à restauração.

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