Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Direita portuguesa exige um novo partido
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Direita portuguesa exige um novo partido

Renovação do Centro Histórico de Monção

Entrevistas

2018-03-21 às 06h00

José Paulo Silva

Democracia 21 é o nome do novo partido em formação. Sofia Afonso Ferreira lidera o movimento e esteve em Braga em acção de recolha de assinatura para a legalização da nova força política de Direita e Liberal.

P - Porquê a criação de um novo partido político quando grande parte da população portuguesa está afastada dos partidos ?
R - Há vários motivos. Democracia 21 é de Direita e liberal. A conjuntura neste momento na Direita portuguesa exige um novo partido. Aliás, já pedia há muito tempo, mas agora torna-se mais urgente. É verdade que as pessoas estão completamente desligadas da política. Talvez isso seja um factor que leve a criar um novo partido, mas com outras premissas.

P - O Democracia 21 será diferente?
R - Há muito tempo que é esperado um partido da ala liberal. Por um motivo ou outro, houve projectos que falaram? Na Europa, os liberais são a segunda maior força política.

P - Os novos movimentos políticos, nomeadamente em Espanha e França, deram algum alento ao Democracia 21?
R - Neste momento há oito primeiros ministros liberais na Europa.Talvez um dos motivos por não terem vingado os partidos liberais em Portugal tenha sido o encostar à Esquerda de alguns projectos. Parte da atenção que temos tido deve-se ao facto de nos termos afirmado de Direita. A eleição de Rui Rio no PSD e a ideia de um bloco central ajudam- nos ainda mais.

P - O posicionamento liberal concretiza-se de que forma?
R - Uma grande bandeira é a diminuição do peso do Estado e dos impostos, acompanhada de reformas nos sectores da Segurança Social, Saúde, Justiça e Educação.

P - Como que é que se consegue pôr o Estado a funcionar com menos impostos?
R - Ainda recentemente tivemos uma tentativa de reforma da Justiça que ficou a meio caminho. As reformas não se fazem num ano nem em dois, têm de ser subscritas por vários partidos independentemente das eleições. Estamos habituados a olhar para o Estado previdência que toma conta de tudo. Eu não concordo. Nos últimos tempos transparece na comunicação social o sonho de que as coisas melhoraram, mas pagamos mais impostos, o que não faz sentido. Nós tivemos um período de crise em que os impostos aumentaram. Agora deveriam ter descido. No sector da Saúde há um problema gravíssimo: as cativações.?Na prática, o que acontece é que os fornecedores vão para 12 meses sem receber. Vamos ter de pagar isto depois.

P - O que é que um partido liberal faria com o Serviço Nacional de Saúde (SNS)?
R - No imediato, regularizar as contas. Toda a dívida vai ter de ser paga alguma vez e com juros. Com a crise atravessámos uma situação igual no sector da Saúde, agora não há motivo. Deve-se parar imediamente com a história das cativações, que é um nome muito bonito que significa falta de pagamento.

P - Concorda com o SNS?
R - A solução é conciliar o SNS com o sistema privado. Com os nossos impostos, o Estado não consegue pagar tudo. Este não é um problema para daqui a 50 anos, é da minha geração.?Da- qui a pouco tempo temos três pessoas na reforma por uma na vida activa.

P - Os partidos não têm coragem de fazer essas reformas?
R-?Não têm coragem, dizem o que convém. Os partidos que estão há 40 anos no poder têm vícios muito difíceis de contornar. É-lhes mais fácil continuar a empurrar os problemas com a barriga. Em 2019 temos novamente eleições e o que importa dizer é que está tudo bem, que houve retoma económica, mas um dia vamos pagar a factura. Sem crise económica, porquê persistir em aumentar os impostos e manter o que se está a passar na Saúde?

P - Na Justiça, o que defendem?
R - Foi pena que a reforma iniciada pelo Governo de Passos Coelho não tenha sido levado até ao fim. Sou filha de advogados e oiço falar da reforma da Justiça há décadas. Não é normal em 2018 uma pessoa ir para tribunal e demorar anos a resolver um caso.

P - Democracia 21 defende causas como a eutanásia ou o casamento e adopção gay.
R - Isso confunde as pessoas, porque não temos a tradição de partidos liberais. Nós entendemos que os cidadãos é que decidem e que o Estado é só um árbitro, não é um jogador. Sou a favor da legalização das drogas leves. Este é um assunto completamente ultrapassado em muitos países.

P -?Não teme que a discussão destas questões por um partido de Direita crie confusão no eleitorado?
R - Há o trabalho de explicar o que o Liberalismo defende.?Se calhar acabamos por coincidir com a Esquerda em muitas questões. O nosso pressuposto é que é diferente.

P - Têm intenção de se apresentarem às eleições europeias de 2019. Têm uma visão própria do projecto europeu?
R - A nossa grande ambição é ligar o Democracia 21 aos restantes partidos liberais da Europa que têm uma força enorme. Para um país mais periférico e com uma economia mais frágil como o nosso é vital estarmos na União Europeia. É muito importante para nós marcarmos essa posição. O tempo é curto e é muito difícil um novo partido competir com os que já estão instalados. Eu vejo isto como o começo, não tenho expectativas muito elevadas. Ter ou não eleitos em 2019 não vai condicionar o nosso futuro.

P - Como está a correr o processo de legalização do Democracia 21?
R - O sistema não é favorável ao surgimento de novos partidos, temos de recolher 7 500 assinaturas. Depois de Lisboa, onde tive mais contactos foi em Braga. O primeiro evento fora de Lisboa foi aqui. Passada a fase burocrática, a nossa ideia é inovar um pouco através de grupos de trabalho sobre matérias que nos são caras, a partir de Maio. Já lançámos um inquérito nacional sobre a paridade. Queremos fazer barulho.

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