Correio do Minho

Braga, sexta-feira

- +
Dia Mundial da Saúde Mental: “Há muito a fazer para combater estigmas”
Famalicão recebe menção honrosa em Prémio Autárquico

Dia Mundial da Saúde Mental: “Há muito a fazer para combater estigmas”

Guerreiros cada vez mais próximos do líder

Dia Mundial da Saúde Mental: “Há muito a fazer para combater estigmas”

Braga

2020-10-11 às 15h10

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Plataforma Communitas do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho celebrou o Dia Mundial da Saúde Mental com um debate sobre os efeitos da pandemia e o papel dos media neste tema.

Apesar dos esforços que têm sido feitos ainda “há muito a fazer para combater os estigmas da saúde mental”, por isso, é necessário manter a saúde mental na agenda diária e “este mediatismo que começa a ser dado precisa começar a ter mais consequências”. Este foi o alerta deixado pelos convidados do debate on-line que a plataforma Communitas do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho (UMinho) realizou ontem para celebrar o Dia Mundial da Saúde Mental.
Os efeitos da pandemia na saúde mental, as iniciativas na área e o papel dos media neste tema foram abordados durante o debate pelo médico Pedro Morgado, que é psiquiatra do Hospital de Braga, investigador do Instituto de Investigação em? Ciências da Vida e Saúde (ICVS) e docente e vice-presidente da Escola de Medicina da UMinho, pela socióloga Alice Delerue Matos, que é coordenadora nacional do projecto SHARE - Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe, investigadora do CECS, e por Sofia Branco, presidente do Sindicato de Jornalistas e jornalista da Agência Lusa.
“Os estudos mostram que o isolamento social aumenta a chance das pessoas se sentirem deprimidas e terem sintomas”, sublinhou a socióloga Alice Delerue Matos, assegurando que “o isolamento quando não é desejável é prejudicial para a saúde mental”.
É sabido que as pessoas não vão reagir todas da mesma maneira à pandemia, por isso, vamos “precisar de políticas diversificadas que actuem em diferentes áreas sejam elas políticas públicas ou acções de movimentos de cidadania”, alertou a socióloga, mostrando-se “preocupada” com as pessoas de mais idade.
O médico Pedro Morgado começou por avançar com alguns dados de um “estudo longitudinal”, afirmando que “ansiedade” marcou a pandemia. Enquanto sociedade, Pedro Morgado acredita que vamos aprender. “Há pessoas que vão sofrer muito, mas a maioria vai conseguir adaptar-se”, garantiu. Pedro Morgado chamou a atenção ainda para o “problema gravíssimo” de consumo de fármacos não prescritos, admitindo, entretanto, “muito importante não estigmatizar as formas de tratamento que existem e funcionam”.
Em todo este processo, os jornalistas têm sido “aliados fundamentais” dos profissionais de saúde mental. Mas o médico deixou o recado: “os jornalistas também são agentes de perpetuação do estigma da doença mental e isso não é bom. A forma como trataram, por exemplo, o suicídio de uma figura pública contribuiu para a estigmatização da doença e foi uma oportunidade perdida para o aumento de literacia”.
Para Sofia Branco, presidente do Sindicato de Jornalistas e jornalista da Agência Lusa, “os jornalistas são parceiros fundamentais e a pandemia mobilizou o jornalismo de uma forma incrível a partir de casa”. Para Sofia Branco “houve boa resposta de informar e esclarecer”, apesar dos media ‘lutarem contra o tempo’ e acabarem sempre por “ouvir os mesmos e que saibam falar bem”. No caso da questão da saúde mental, a jornalista admitiu que “é difícil” encontrar fontes que falem de forma “clara, curta e concisa”, lamentando que ainda haja “muito poucos media training e é preciso saber como funciona deste lado para a mensagem passar bem”, até porque a tendência no jornalismo não é para a especialização.
Perante este cenário, Sofia Branco alertou que “é preciso perceber como jornalismo funciona para perceber como tudo acontece”, destacando aqui a conjectura actual e a própria estrutura. E apesar do jornalismo ser “mais uma missão do que uma profissão”, a realidade é que “a sustentabilidade financeira e a precariedade” acabaram por “funcionalizar e hoje os jornalistas são operários das notícias”. Sofia Branco lembrou ainda a “responsabilidade social enorme” que os jornalistas têm, acrescida ainda da “má remuneração e da muito difícil conciliação familiar”. Perante o cenário actual, os jornalistas fazem o que lhe pedem para manter o trabalho ou largam a profissão por questões éticas, mas a ética “não paga ordenados”. A falta de reconhecimento social também é, ainda nas palavras de Sofia Branco, “enorme”, quando a comunicação social “é um activo importantíssimo da sociedade democrática”.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho