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Desinvestimento económico e político exige maior reflexão pública sobre a rádio
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Desinvestimento económico e político exige maior reflexão pública sobre a rádio

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Desinvestimento económico e político exige maior reflexão pública sobre a rádio

Braga

2021-02-25 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva promoveu, ontem, uma conversa em torno do papel fundamental desempenhado pelas rádios em tempos de pandemia, nomeadamente a rádio Antena Minho, a RUM e a TSF.

“A rádio é uma ferramenta poderosa e chega a mais pessoas do que qualquer outra plataforma de media.”
António Guterres - Secretário-geral da ONU


As rádios locais, sendo que muitas “vivem numa situação de agonia”, têm sofrido um “desinvestimento económico e político”. Para a investigadora da Universidade do Minho (UMinho), Madalena Oliveira, que falava ontem durante uma conversa promovida pela Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva sobre o papel fundamental desempenhado pela rádio em tempos de pandemia, as rádios locais precisam de uma “maior reflexão pública”.
Na conversa, que contou com as participações de Paulo Monteiro da rádio Antena Minho, de Elsa Moura da RUM e de Ricardo Alexandre da TSF, Madalena Oliveira deixou o apelo: “faz falta fazer mais notícias sobre os próprios profissionais e os órgãos de comunicação e é preciso falar no espaço público sobre aquilo que se faz”.

Perante as fragilidades das rádios, a investigadora referiu que a rádio local “é um sector que tem sido desinvestido economicamente, de toda a indústria mediática é o que recebe menos receita de publicidade”, constatou.
Madalena Oliveira alertou também para o desinvestimento político. “Continuamos com uma lei desadequada, que não está a proteger a missão das rádios locias”, constatou a investigadora, apelando que “há assuntos que precisam de melhor debate público”.
A questão da alteração das rotinas dos profissionais, a alteração dos conteúdos e a questão do arquivo também mereceram a atenção da investigadora. “Não há ao nível político uma política de arquivo. Consultar os arquivos das rádios é uma miragem e no campo da investigação é muito difícil fazer o trabalho com recurso sonoro”, informou Madalena Oliveira, destacando ainda o impacto do teletrabalho e o que isso implicou na vida dos profissionais e o quanto afecta o jornalismo conceptualmente.

Madalena Oliveira foi peremptória: “fala-se muito dos profissionais da linha da frente, mas não se fala dos jornalistas que estão na linha da frente. Os jornalistas também têm um papel absolutamente relevante, imprescindível e necessário naquilo que estamos a viver. Não teríamos determinados compor- tamentos se não tivemos acesso à informação que temos”.
À conversa, moderada pela directora da biblioteca, Aida Alvez, juntou-se Paulo Monteiro, da rádio Antena Minho, que começou por anunciar “a profunda reestruturação” da rádio, onde não vão faltar “grandes novidades” a partir do próximo dia 1 de Abril.

“Estamos a pensar essencialmente em todas as plataformas que existem e focando na comunidade e na proximidade”, sublinhou Paulo Monteiro, admitindo que se aprendeu muito com o confinamento. “Nunca fizemos tantos directos como no primeiro confinamento, tivemos entrevistas em todos os municípios do Minho e até fizemos contactos com muitos minhotos espalhados pelo mundo com informação a toda a hora e trazendo o nacional para a rádio”, lembrou Paulo Monteiro, admitindo que a rádio teve “mais proximidade” com a comunidade neste ano de pandemia do que em circunstâncias normais.

O director geral do grupo Arcada Nova destacou ainda a criação de um programa (‘Vai ficar tudo bem’) “virado para as pessoas que estavam em casa e numa tremenda solidão”. “A grande lição que queremos trazer desta pandemia para a rádio é que estamos cada vez mais na rua e na proximidade das pessoas. Aprendemos muito na pandemia e, sobretudo, sobre a comunicação que todos temos que fazer”, constatou.
Também Elsa Moura, da RUM, destacou o trabalho feito pela rádio em tempo de pandemia. “Passou quase um ano de ‘guerra’ e não foi fácil, enquanto jornalistas, fazer este trabalho”, confessou Elsa Moura, evidenciando também o papel de companhia que a rádio tem tido junto dos ouvintes.

Perante este “desafio incrível”, no confinamento “trabalhou-se muito mais”. Elsa Moura foi mais longe: “não havia outra solução e a gestão de equipa não foi fácil, não tínhamos recursos, mas também não queríamos deixar de dar informação”.
Já Ricardo Alexandre falou mais da experiência vivida na rádio TSF. “Se as rádios com mais músculo e estruturas maiores tiveram dificuldades em gerir este ano, não faço ideia como foi nas estruturas mais pequenas”, referiu. “Como é lamentável que não tenhamos no país muitos mais exemplos como a Antena Minho e a RUM. O cenário da informação local radiofónica não é uma coisa brilhante”, realçou ainda Ricardo Ale- xandre, elogiando o trabalho que as rádios locais fazem.

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