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Cávado tem “especiais condições para ter estratégia de sucesso”
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Cávado tem “especiais condições para ter estratégia de sucesso”

Braga

2021-06-12 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Estratégia de Desenvolvimento ‘Cávado 2030’ foi ontem apresentada numa sessão realizada no Altice Forum. Comissária Europeia para a Coesão e Reformas defendeu o reforço do potencial existente.

Nem todas as regiões terão condições para se afirmarem globalmente, mas todas as regiões “têm obrigação de identificar as valências capazes de gerar pólos dinâmicos, ancoradas em vantagens competitivas”, defendeu ontem a comissária Europeia para a Coesão e Reformas. Elisa Ferreira, que falava no final da sessão de apresentação da Estratégia de Desenvolvimento ‘Cávado 2030’, acredita que a região do Cávado “tem especiais condições para ter estratégia de sucesso”.
As linhas instrutoras desta estratégia, elaborada pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Cávado, foi apresentada ontem numa sessão que decorreu no Altice Forum Braga e a comissária Europeia referiu que “as universidades, politécnicos, centros de investigação e de desenvolvimento tecnológico encontram nesta zona um tecido empresarial dinâmico com longa tradição empresarial e de internacionalização que tem que ser estimulada”.

No actual período de financiamento foram apoiados na região do Cávado quase 4.600 projectos com contribuição europeia de 670 milhões de euros, sendo que a competitividade, internacionalização e investigação, inovação e desenvolvimento tecnológico receberam mais de metade deste montante. Elisa Ferreira foi peremptória: “o Cávado tem como desafio reforçar este potencial, já que todos estes sectores são essenciais e requerem uma abordagem estratégica adaptada aos recursos existentes”.

Para a comissária Europeia é essencial pensar estratégias regionais que enquadrem e orientem estratégica e responsavelmente esses apoios excepcionais. “Ao fim deste período de 10 anos temos que ter reforçado inequivocamente a convergência entre Estados e também dentro dos Estados-membros e isso requer que seja prestada maior atenção e maior estímulo aos países e regiões que menos capacidade têm de se ajudarem a si próprios para que as suas empresas possam competir com sucesso no mercado interno. Além disso, é preciso garantir que esta aceleração do desenvolvimento seja estrutural, por oposição do alastramento em ‘mancha de óleo’ de modelos repetitivos assentes em baixa produtividade e em baixos salários”, desafiou ainda Elisa Ferreira.

À espera de mais verbas e projectos

A Estratégia de Desenvolvimento ‘Cávado 2030’ é um “processo aberto” que “aponta o caminho” para a inovação, para a coesão territorial e social, assente na sustentabilidade de todo o território. O reforço das verbas é “uma ambição” até porque para o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Cávado “é necessário olhar para um território que ainda tem muitas carências e que têm que ser suprimidas”.
Mas Ricardo Rio deixa o recado: “este território tem mérito, porque apesar de todos os handicaps tem sido de facto um dos grandes motores de desenvolvimento do país, sendo o território que mais tem crescido ao longo dos últimos anos e esse crescimento tem que ser alavancado com base em mais investimento e mais projectos”.

Ricardo Rio, que falava ontem na sessão de apresentação da Estratégia de Desenvolvimento Cávado 2030, espera que as verbas sejam “claramente reforçadas” no próximo quadro comunitário, bem como no próprio Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). “Estamos a falar de muitos milhões de euros, mas ainda não temos grande clareza para onde vão ser distribuídas as verbas, mas esperamos que haja encaminhamento de um envelope financeiro considerável para este território”, apelou.
Seguindo o que são as “tendências internacionais” da sustentabilidade, da digitalização e da valorização do papel da inovação, o também presidente da Câmara Municipal de Braga, assumiu que o documento ajusta-se ainda à realidade própria deste território. “Temos um território muito rico e com muitos recursos, mas um território também ele muito heterogéneo, não só geográfica e até climaticamente, mas obviamente a nível de desenvolvimento”, referiu o autarca, lembrando que “ainda há zonas da comunidade intermunicipal que carecem de investimento substancial em infra-estruturas básicas”.

Por isso, tem que “ser acautelada essa diversidade” em tudo o que venham a ser instrumentos de financiamento para o futuro próximo. “Este é um tempo de incerteza, mas também de esperança”, confidenciou. Ricardo Rio destacou ainda o processo de construção desta estratégia, que julga ter “um mérito inquestionável de mobilização de todos os actores de desenvolvimento, tendo sido nesse aspecto algo verdadeiramente diferenciador”. Neste processo foi dada voz ao tecido social, aos agentes culturais e instituições de produção de conhecimento e ao próprio tecido empresarial. “Foi muito enriquecedor e acabou por trazer contributos potenciadores”, assegurou.
Destacando ainda a aposta na cultura, Ricardo Rio admitiu que a candidatura de Braga a Capital Europeia da Cultura em 2027 “poderá ser uma poderosa alavanca para o desenvolvimento integral de toda esta região”.

António Cunha: “Não temos sido capazes de valorizar o que aqui é produzido”

As potencialidades da região do Cávado também foram enaltecidas pelo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N). “Se tivesse que definir a região numa só palavra escolheria ‘equilíbrio’”, começou por afirmar António Cunha, destacando que o Cávado foi “a região que nos últimos anos cresceu significativamente mais, registando um crescimento médio de 3,7%, quando a média da região Norte é de 2,7%.”
Para António Cunha, o desafio da região é, agora, o da geração de valor. “O rendimento e os níveis salariais não são consentâneos com o que aqui é produzido. Não temos sido capazes de valorizar o que aqui é produzido. Este é um desafio que tem de ser vencido”, apelou António Cunha, referindo que se trata de “um problema estrutural da região” e, por isso, “é fundamental mudar a forma como valorizamos o que produzimos e o que fazemos”.
O presidente da CCDR-N acredita que a região do Cávado terá “uma grande interacção com a Grande Área Metropolitana do Porto e com o Alto Minho”, sublinhando a indústria automóvel de futuro por aqui instalada e que “dará um potencial de crescimento muito grande”.

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