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Cultura reabre portas e convida público a uma visita com regras de segurança

Nacional

2020-06-05 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

Em Maio foram vários os equipamentos culturais que decidiram abrir portas, muitos tendo até como motivo a celebração do Dia Internacional dos Museus. Foram também muitos os que, um pouco por todo o Minho, voltaram esta semana a abrir as portas.

É com pequenos passos, mas seguros, que, a pouco e pouco, os museus e espaços culturais vão reabrindo portas aos visitantes um pouco por todo o Minho. Os dirigentes culturais e municípios minhotos têm trabalhado de mãos dadas rumo ao desconfinamento, mas com alterações na forma de visitação e no escrupuloso cumprimento das regras impostas pela Direcção-Geral de Saúde. Em Braga, por exemplo, o Mu-seu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, o Museu dos Biscainhos e o Mosteiro de Tibães já têm tido procura e são várias as propostas que oferecerem.
Não se registando a afluência massiva como acontecia como até à data em que foi decretado o confinamento das pessoas devido à pandemia causada pela Covid-19, a directora dos Museus de Arqueologia D. Diogo de Sousa e dos Biscainhos, Isabel Silva, indicou ao ‘Correio do Minho’ que o público tem aderido progressivamente e que têm sido fundamentalmente “famílias nacionais” a procurar os espaços culturais, sobretudo “ao fim-de-semana e para usufruir especialmente das áreas verdes e ao ar-livre”.

“A verdade é que sentimos que as pessoas já estavam a precisar da abertura dos espaços culturais e eles têm, de facto, servido para muitas famílias começarem a desconfinar com segurança”, assumiu a directora, apontando para as “aulas de ioga e meditação” no Museu D. Diogo de Sousa para um público mais infantil e com outras actividades recreativas e no Museu dos Biscainhos para o público adulto.
Há alguns eventos de menor dimensão que estão já programados também, como é disso exemplo uma ‘Feirinha de Artigos em 2.ª Mão’ que vai ter lugar nos Biscainhos no próximo sábado, além de uma actividade que incentiva à descoberta.
“Temos uma parceria com a ‘Fava de Cacau’, que permite que os visitantes possam encomendar o seu lanche e usufruí-lo agradavelmente nos jardins do Museu dos Biscainhos”, adiantou, acrescentando que “aos poucos, as pessoas retomam os hábitos e estão a regressar aos espaços culturais”. Para Isabel Silva “é importante não deixar de proporcionar a possibilidade de as pessoas saírem de casa e encontrarem propostas diferentes para usufruir na cidade”.

O Mosteiro de Tibães está já a receber visitantes também desde o início de Maio passado, depois de ter reaberto a cerca, no dia 4, incentivando a visitação com entradas gratuitas. Paulo Oliveira, responsável pela gestão do espaço, refere que o Dia Internacional dos Museus, celebrado a 18 de Maio, foi “um sucesso”.
“Abrimos as portas extraordinariamente e passaram pelo Mosteiro de Tibães mais de 100 pessoas, apesar das suas próprias limitações em termos de mobilidade e tendo que cumprir com a etiqueta respiratória, em que o uso de máscara é obrigatório. Mas já foi muito bom”, confessou, com alegria, registando que, desde então, as visitas têm sido frequentes, “embora não tanto como o que é normal”.

Sem o número de turistas estrangeiros que lhe é habitual, o Mosteiro de Tibães tem cativado os visitantes portugueses, sobretudo ao fim-de-semana e, por isso, alargou já também o número de pessoas - de 40 para 60 - com permissão para entrar.
“Acabámos de retomar também as visitas guiadas às 11 e 15 horas, com um limite de 10 pessoas”, adiantou. As datas mais importantes não são esquecidas em Tibães, como o Dia da Criança ou o Dia do Ambiente que se celebra amanhã, embora estes sejam momentos assinaladas com actividades lúdicas, mas ainda para muito poucos.

Espaços culturais readaptam-se no Minho para voltar a receber visitantes

O Museu da Olaria de Barcelos, o Museu do Ouro da Póvoa de Lanhoso e o Paço dos Duques e o Castelo de Guimarães são alguns dos mais emblemáticos espaços culturais da região minhota que também já reabriram portas ao público, na expectativa de apoiar a população e alguma visitação no desconfinamento, mas também no sentido de promover o património local e potenciar o trabalho de muitos artistas que ficou ‘em suspenso’ durante o confinamento geral.

Em Barcelos, o Museu da Olaria faz jus a uma das artes mais representativas do país, incontornável em qualquer visita à cidade. O museu reabriu esta semana, na terça-feira, seguindo também as regras de segurança e higienização dos espaços e com grupos “sempre reduzidos”. Armandina Saleiro, vereadora da Cultura do Município de Barcelos, não tem dúvidas de que o espaço voltará a ser muito procurado “até porque há duas expo- sições muito interessantes em exibição que tinham acabado de ser inauguradas quando aconteceu o confinamento, mas que nós decidimos manter ainda durante mais algum tempo e que merecem ser visitadas”.
Uma das exposições é uma colecção privada de peças únicas de grandes dimensões de Rosa Ramalho e a outra mostra ‘Guizos’ é de Virgínia Fróis, professora na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, exibe peças de olaria, numa abordagem contemporânea à arte “que merece ser tocada”. “É que nesta exposição os visitantes são convidados a sentir as peças com o seu tacto e a interagir com elas e certamente que as famílias vão gostar muito, pois as crianças podem divertir-se e ‘brincar’ com as peças”.

Em Travassos, no concelho da Póvoa de Lanhoso, o Museu do Ouro, de propriedade privada, que faz conjunto com a Casa de Alfena (turismo de habitação), é também local de visita obrigatória para muitos turistas estrangeiros, trazidos pela mão das agências e operadores turísticos. Mas agora está encerrado.
Sem turistas para quem abrir as portas, o responsável do espaço, Manuel Sousa, passou a contar apenas com a incerteza do dia-a-dia. “O Museu do Ouro tinha sempre muitos visitantes porque sempre foi visto como uma ‘oferta especial’ pela sua exclusividade - que é algo que os turistas apreciam muito e a nível de estadia na casa de turismo rural tinha praticamente tudo ocupado para esta época e de repente ficou tudo na estaca zero”
.
Mas o mundo voltaria a dar mais uma volta e Manuel Sousa espera de novo pelos turistas, mas nacionais, que nos últimos dias já lhe voltaram a preencher a ocupação, o que levará também à habitual visitação ao Museu do Ouro muito brevemente. “Penso que esta é também uma oportunidade para os turistas nacionais conhecerem o que o nosso país tem de melhor para lhes oferecer, até porque neste momento os próprios portugueses procuram locais mais recônditos em espaços mais verdes, naturais e, sobretudo, mais seguros”, disse.
No ‘berço da Nação’, o desconfinamento tem acontecido também nos principais espaços históricos, nomeadamente no Paço dos Duques de Bragança e Castelo de Guimarães - também eles espaços de elevado índice de visitação diária.

Adelina Pinto, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Guimarães, refere que os espaços culturais têm reaberto, “mas com alterações significativas” em termos de funcionamento e na gestão das visitas. “São várias as alterações que realizámos nos equipamentos para que voltassem a ser abertos ao público. Por exemplo instituímos um circuito único de visita que evita que as pessoas se cruzem”, esclareceu a responsável autárquica.
Entre outras obrigações, nas visitas que agora se permitem há várias regras a levar em conta, desde a higienização dos espaços, a obrigatoriedade do uso de máscaras e, nalguns casos como na Casa da Memória, os visitantes terem também que usar luvas, que lhes disponibilizamos porque esta visita inclui o toque em ecrãs.
Garantindo que eventos como as ‘Gualterianas’ não deixarão de ser assinalados, Adelina Pinto adiantou que a actividade cultural em Guimarães está a ser retomada “aos poucos” e haverá muita programação a decorrer ao ar-livre, por exemplo, nos jardins do Vila Flor.

Actividades repensadas para manter oferta

A Casa de Camilo, em S. Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão, é um dos espaços culturais que abriu portas esta semana aos visitantes, mas com restrições, já que ali a visita só pode ser efectuada ‘a dois’, mas os horários são muitos à disposição quer durante a semana, quer ao fim-de-semana. Basta ter vontade de ir.
Tal como todos os responsáveis pelos equipamentos culturais que confessam a sua “tristeza” por não ver neste momento as suas ‘casas cheias’ de visitantes como acontecia até aqui em qualquer espaço valioso do ponto de vista patrimonial e cultural, também José Manuel Oliveira, o director da Casa de Camilo e do Centro de Estudos Camilianos (CEC), que fica do outro lado da rua, demonstra que foram várias as alterações pensadas para garantir a segurança e saúde dos visitantes.

Agora, a visita à Casa-Museu de Camilo Castelo Branco é efectuada mediante um circuito único, ao longo de 45 minutos sensivelmente, mas que tem que ser feito, apenas, com duas pessoas de cada vez, dada a limitação de espaço. Seja como for, há vários horários à escolha que podem facilitar a concertação de uma visita, até porque há ainda para admirar a exposição ‘Passos de Camilo’ na galeria onde podem estar quatro pessoas.
“As pessoas vão pingando sempre, mesmo que não tenhamos programação”, referiu, apontando para o cancelamento da programação prevista para esta altura no CEC. As actividades do auditório foram todas canceladas. As portas do centro abriram na passada segunda-feira, mas a limitação no interior é de tal ordem que só permite uma pessoa por cada 20m2.

Seja como for, o director José Manuel Oliveira diz que já está orquestrada uma nova programação, regrada, claro está, mas sobretudo para disponibilizar actividades ao ar-livre nas segundas quinzenas de Julho e de Agosto.
Na cidade de Viana do Castelo são muitos os equipamentos culturais que também já reabriram ao público como é o caso do Museu do Traje, do Museu de Artes Decorativas e do Navio-Museu Gil Eannes, embora sob a alçada das medidas de segurança ditadas pela Direcção-Geral de Saúde, com circuitos únicos, higienização dos espaços e a obrigatoriedade de regras como o uso de máscara.

José Maria Costa, presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, nota que a oferta cultural está a ser retomada e que já está a ser desenhada uma “programação especial” para os próximos meses de Verão.
“Neste momento estamos a preparar novas exposições para que todos os que nos visitem durante a época veraneia tenham sempre à disposição oportunidades culturais para desfrutar”, realçou o edil, avançando, por exemplo, que, uma vez que a Romaria d’Agonia não se poderá realizar nos mesmos moldes que nas edições anteriores, a própria Câmara Municipal de Viana do Castelo irá promover as festas, com todos os seus momentos mais alegóricos e representativos como o cortejo da mordomia ou a procissão ao mar através de exposições, com o objectivo de “divulgar” este património cultural, mas também no sentido de “manter a proximidade” dos festejos em honra de Nossa Senhora d’Agonia no seio da população.

Há circuitos únicos, grupos limitados e a máscara é obrigatória

Os vários equipamentos culturais e patrimoniais que dotam a região do Minho já reabriram novamente as suas portas aos visitantes, mas todos têm rigorosos planos de segurança que seguem as normas impostas pela Direcção-Geral da Saúde, tal como confirmaram os seus responsáveis ao jornal ‘Correio do Minho’. Os espaços culturais alteraram, sobretudo, as respectivas regras de funcionamento e gestão, proibindo grandes aglomerações de pessoas durante as visitas, que cada qual restringe à sua medida com a visitação a ser possibilitada mas em grupos mais restritos. Vários municípios, que tinham grandes eventos no Verão como as ‘Gualterianas’ de Guimarães e a ‘Romaria d’ Agonia’ em Viana do Castelo, reprogramam a agenda cultural e prometem não esquecer as efemérides, embora em moldes mais seguros.

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