Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Cultura e tradição de mãos dadas no Dia de Ponte de Lima
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Cultura e tradição de mãos dadas no Dia de Ponte de Lima

Júlia Ramalho e Amadeu Lemos distinguidos

Alto Minho

2018-03-05 às 06h00

Teresa M. Costa

Outorgado há 893 anos o foral que fundou a vila de Ponte de Lima foi ontem celebrado com inaugurações e com vários momentos culturais onde as tradições tiveram lugar de destaque.

Foi ao som do ribombar dos bombos que abriram as comemorações do Dia de Ponte de Lima que, durante o dia de ontem, incluíram diversos momentos culturais e institucionais, culminando na sessão solene presidida pelo ministro da Cultura, Luís Castro Mendes, que este ano foi o convidado de honra.
O Dia de Ponte de Lima é, também, pretexto para inaugurações com destaque para a abertura da sede portuguesa da Rede Iter Vitis - Rota Cultural dos Caminhos da Vinha na Europa - que passa a ter representação no Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde.
Classificada como Itinerário Cultural do Conselho Europeu, cujo objectivo principal é a promoção do património cultural, histórico e paisagístico associado ao vinho de qualidade, a ITER Vitis continua hoje em destaque no seminário que também decorre em Ponte de Lima, no auditório municipal, a partir das 9.30 horas.

Trata-se do primeiro seminário da Iter Vitis Portugal onde os Caminhos da Vinha se cruzam com os Caminhos de Santiago.
Caminhos: com pan e vinho ándase o caminho é o mote da exposição que ontem foi inaugurada na Torre da Cadeia Velha, marcando mais uma iniciativa cultural do Dia de Ponte de Lima.
Esta mostra tem percorrido os diversos municípios por onde passa o Caminho Português de Santiago, evidenciando diversas temáticas, como o caminho, a arte, o vinho, os bilros e os bordados e a presença franciscana no Caminho Português de Santiago.

A exposição fica patente até 20 de Março e pode ser visitada de segunda a domingo.
Outra inauguração foi a da Sala Arlo no Museu do Brinquedo Português.
A chuva não ajudou à festa. Mesmo assim, todos os grupos folclóricos do concelho saíram à rua no desfile da tradição que mostrou a cor e a vivacidade do folclore local para gáudio de todos os que, ao fim-de-semana, demandam a vila de Ponte de Lima.

Autarca pede uma autêntica política de descentralização cultural e não só

O presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, Victor Mendes, pediu ontem uma autêntica política de descentralização cultural. O desafio foi dirigido ao ministro da Cultura, Luís Castro Mendes, na sessão solene que encerrou o Dia de Ponte de Lima, e num palco que não podia ser mais adequado - o Teatro Diogo Bernardes, equipamento cultural gerido pelo município e que se prepara para assinalar 122 anos de serviço à cultura.
Num discurso onde a descentralização foi mote importante, o edil de Ponte de Lima defendeu que a itinerância e digressão dos espectáculos seja condição objectiva para a concessão de subsídios à actividade criativa de modo a consolidar uma verdadeira rede de teatros e espaços culturais.
Para Victor Mendes seria bom que os projectos culturais chegassem a todo o país e não se ficassem pelos grandes centros urbanos.

Da parte da autarquia de Ponte de Lima, existe a disponibilidade para assumir a parte que é da sua responsabilidade compromete-se o edil.
O autarca reclamou ainda a urgência de um programa de apoio à reestruturação dos teatros e auditórios municipais, eventualmente com recurso ao Portugal 2020, tendo em conta o elevado custo destas intervenções.
Victor Mendes reconheceu que a manutenção e programação do Teatro Diogo Bernardes representam um enorme esforço financeiro para uma autarquia da dimensão de Ponte de Lima, mas congratula-se por ter um equipamento aberto e ao serviço dos limianos com uma programação plural e contínua que vai ao encontro dos mais diversificados públicos.
No dia em que o município condecorou seis escolas, entre as 11 instituições que receberam a medalha de mérito municipal, o edil limiano afirmou que ninguém pode negar a mais-valia da descentralização de competências nesta área que o autarca quer ver replicada na área social, na saúde e na cultura.

O ministro da Cultura assumiu que a descentralização é algo em que este governo acredita profundamente, mas admitiu que a tarefa não é fácil e tem que ser realizada em conjunto, decorrendo o diálogo com a Associação?Nacional de Municípios Portugueses.
Luís Castro Mendes acredita que neste novo ciclo político temos condições para encontrar os necessários consensos, quer nas forças políticas que apoiam o governo, quer na oposição.

Depois de elogiar a actividade cultural notável de Ponte de Lima, o ministro da tutela garantiu que o seu Ministério está apostado em linhas de cooperação com os poderes locais, defendendo que só em articulação de poderes se poderá dinamizar e aumentar o investimento na cultura e salvaguardando que a despesa pública em cultura não se pode reduzir ao orçamento do Ministério da Cultura.
Luís Castro Mendes realçou que investir na cultura tem consequências económicas, não só pela atractividade turísticas, mas também pelas indústrias criativas.
O ministro agradeceu a hospitalidade com que foi recebido em Ponte de Lima e recebeu, como lembrança, uma peça em latoaria - um foral emoldurado.

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