Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +
Cristo lança ‘de pernas para o ar’
Politécnico de Viana do Castelo lança campanha de crowdfunding

Cristo lança ‘de pernas para o ar’

Um referência no panorama do futebol nacional

Cristo lança ‘de pernas para o ar’

Entrevistas

2022-07-09 às 06h00

Rui Serapicos Rui Serapicos

Novo álbum do cantautor bracarense é apresentado hoje, em Barcelos, seguindo-se Viana do Castelo.

Citação

Com as primeiras apresentações dia 9 em Barcelos e dia 15 em Viana do Castelo, é perto de casa que espera ter boa receptividade?
Sem dúvida alguma, a minha região - que é aquela que canto e levo comigo - é onde tenho mais amigos, onde as pessoas se identificam mais com a música que faço e onde conhecem melhor o trabalho que temos vindo a fazer e a construir a partir dos nossos sons. Agora queremos mostrar algo novo, mais cantautoral, onde a palavra e as novas melodias ganham um papel principal, sem perder nunca uma portugalidade que é o nosso contributo para a diversidade da cultura global... que considero sempre como a nossa grande riqueza enquanto seres humanos - a pluralidade.

Também tem previstas apresentações longe de casa, como por exemplo na Galiza?
Este concerto de apresentação do novo álbum - ‘De Pernas para o Ar’, também tem um nome e um conceito ao qual demos o nome de ‘Da Raiz ao Fado’. Após o concerto de pré-lançamento, num Theatro Circo cheio de amigos e pessoas que apoiam a nossa música, chegou a vez de fazer os concertos de lançamento que se concentrarão no Entre Douro e Minho, a nossa vontade é a de poder depois levar este concerto ao maior número possível de lugares pelo país e certamente pelos nossos ‘irmãos do norte’ na Galiza. Uma passagem por Lisboa, cidade do fado por excelência, terá que ser uma realidade, no sentido de mostrar a nossa cultura de raiz a quem aprecia o fado, apontando a forma como um influenciou o outro e vice-versa, cruzando públicos e interesses, numa importante união daquilo que são as principais manifestações da música portuguesa. Depois, o mundo, estamos em contacto com alguns eventos na Califórnia (EUA)...

‘De pernas para o ar’ quer dizer que as coisas estão ao contrário? Espera inverter alguma coisa?
Espero sempre que possamos olhar para o mundo de forma positiva, comunitária, de entreajuda e de algum altruismo sempre que possível. Acredito que esta é a energia que nos pode salvar... a da empatia... de percebermos o ponto de vista do outro. Estas bipolarizações constantes por todo o lado têm colocado o mundo verdadeiramente de pernas para o ar, porque ninguém se entende... ninguém tolera sequer uma opinião ligeiramente diferente da sua... a única coisa que posso fazer é mostrar, através da minha música e concertos, aquilo em que acredito mesmo: que todos precisamos de todos e todos precisamos de ter uma consciência de que devemos querer deixar aos nossos filhos um mundo habitável, quer ecologicamente falando, quer em termos de fraternidade entre pares e povos.

Conta com a fadista Carla Pires e com poesias de Antero, de Pessoa e de Tiago Torres da Silva. Com a voz e as palavras, a música ganha novos sentidos?
Como dizia Fernando Pessoa, “a minha Pátria é a minha língua”... é com ela que pensamos, sonhamos e criamos... em Braga há muitos anos que faço parte do Sindicato de Poesia, onde aprendi com o seu grande mentor António Durães a valorizar a língua e os nossos grandes poetas. Decidimos neste novo disco enveredar por uma vertente mais cantautoral, em torno da palavra e da filosofia contida nestas fantásticas poesias... dos grandes clássicos, mas também do grande Tiago, que é um letrista incrível que nos ajudou a passar uma mensagem. O meu produtor Hélder Costa, imaginou para além deste caminho mais “filosófico”, um contacto com o fado através da Carla, com quem já tínhamos trabalhado antes, e a ideia foi mostrar a riqueza e a diversidade da música portuguesa, salientando as várias influências de que é feita, bebendo simultâneamente da música mais contemporânea, cruzando e explorando estilos e sonoridades de forma orgânica e natural: do jazz ao tradicional, da guitarra portuguesa às imponentes percussões tradicionais, das polifonias às abordagens mais eruditas, “...da raiz ao fado...”, numa união e celebração da portugalidade e daquilo que nos distingue enquanto povo... Para além da Carla Pires na Voz, tivemos o Miguel na guitarra portuguesa, o Paulo Barros no piano e o Albano no baixo como convidados, que se juntaram à nossa banda habitual: o Mário e o André nas percussões, a Catarina Silva num incrível trabalho de vozes, o Rodrigo nas guitarras, o João no acordeão e o David no baixo.

Licenciou-se na Universidade do Minho em ensino de Física e Química, mas é na música que se realiza?
Sem dúvida que a procura por aquilo que me fazia feliz foi sempre uma constante ao longo da minha vida, como imagino será para a maioria das pessoas. Mas a sociedade ainda nos formata para a procura de um emprego certo e de um estatuto... e, logicamente, para uma forma de pagar as nossas contas e obrigações. Isso levou-me a ser professor de Física e Química, por gostar de ciência e, durante muitos anos, Delegado de Informação Médica... e, embora desde os 10 anos faça música, só há 5 anos - após o 1.º álbum em nome próprio, que viria a vencer o Prémio Carlos Paredes em 2018, decidi arriscar a profissionalização... e tenho sido imensamente feliz nesta caminhada que apesar de incerta, me realiza enquanto ser humano à procura do seu lugar!

Já lhe é possível viver da música?
Sou um “homem do povo” e de trabalho... e sempre fui de arregaçar as mangas e aproveitar oportunidades!... e, felizmente, para além das artes performativas (cantando e tocando), tenho-me dedicado à produção e gravação de outros projectos e artistas, à composição de bandas sonoras como é o caso do interessantíssimo projecto ‘Rostos da Aldeia’, dando formação em workshops e em formações de professores de música, aqui e ali na produção de eventos... no fundo tenho-me “safado” e tem dado para pagar as contas da minha família que tanto amo (com a minha mulher e com os meus 2 filhotes).

Que percepção tem do interesse dos mais jovens pelo cavaquinho e pela viola braguesa?

Há um grande caminho a percorrer, que só depende do interesse que se gera com o aparecimento de bons artistas e de boa música com os instrumentos étnicos. É alto que procuro trabalhar todos os dias, apresentando a música
que faço com o maior rigor possível, com a maior paixão possível e com os pés bem ligados à terra que é a minha e também deles.
Com a Associação Cultural Museu Cavaquinho e com a Associação Portuguesa de Educação Musical.

Deixa o teu comentário

Banner publicidade

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login Seta perfil

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a Seta menu

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho