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Conceito de cidades inteligentes significa também coesão social
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Conceito de cidades inteligentes significa também coesão social

Braga

2016-05-25 às 06h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

“Portugal tem um grande potencial de crescimento na economia verde. Pode tornar-se num exemplo a nível europeu”, defendeu ontem Sofia Santos, secretária geral do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD Portugal), no painel sobre Sustentabilidade e Ambiente do Fórum Internacional das Comunidades Inteligentes e Sustentáveis (FICIS).

Cidades inteligentes requerem coesão social que resolva o desemprego e a pobreza com sustentabilidade da despesa pública, a fixação de talentos, o desenvolvimento de tecnologias e a tolerância. A tese foi defendida ontem, no Fórum Internacional das Comunidades Inteligentes e Sustentáveis (FICIS) pelo provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares.
Num painel sobre ‘Economia e Governança’, que contou também com a participação de António Brochado Correia, da ‘Pricewaterhousecoopers’, o diri- gente da Misericórdia portuense declarou que “a economia social é a economia que não desiste. É nos momentos de maior dificuldade que esta aparece”.

Para António Tavares, cidades inteligentes e sustentáveis não são possíveis com pobreza, apontando a vantagem de proximidade que as autarquias têm para acudir a situações de desemprego ou exclusão social que minam a competitividade das comunidades urbanas.
Relevando que o Estado assegura apenas 40% do financiamento das instituições sociais, António Tavares propôs, no FICIS 2016, a descentralização de competências para as autarquias, acompanhada de “uma nova geração de políticas sociais e a complementaridade entre poder local e instituições de solidariedade social”.

Para o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, “solidariedade e economia social são dois pilares da nova geração de políticas sociais, defendendo também que “em cidades saudáveis, o voluntariado faz a ponte entre o poder local e as instituições”.
Aquele responsável apontou o programa de soluções para o envelhecimento que a Misericórdia do Porto está a desenvolver, respondendo ao problema novo da “recusa à institucionalização” por um número crescente de idosos.
Este fenómeno social obriga a “respostas e serviços de proximidade”, referiu António Tavares.

Ambiente é a principal preocupação na governação”

A chamada economia colaborativa pode estar em harmonia com a economia empresarial, garantiu António Brochado Correia, da empresa ‘Pricewaterhousecoopers’, um dos intervenientes no primeiro dia do FICIS 2016.
No painel ‘Economia e Governança, António Correia subscreveu que as cidades inteligentes “preocupam-se também com a cultura e a educação”, a par de uma “liderança consistente, inovação e novas formas de financiamento”.

Atendendo a que mais de 50% da população mundial vive em cidade e que, dentro de 25 a 30 anos, esse índice subirá aos 70%, o representante da PwC, sustentou que as urbes são “motores fundamentais para travar os grandes problemas do mundo actual”. “O ambiente é a principal preocupação na governação das cidades”, sendo esta a área “onde se julgam necessárias mais transformações”, afirmou.

António Correia referiu também como fundamental no desenvolvimento das cidades inteligentes a reabilitação urbana.
“Os desafios das cidades têm de ser vistos de forma integrada” em áreas como a habitação e os transportes, com investimento e envolvimento de entidades públicas e privadas.

Portugal tem grande potencial de crescimento da economia verde

“Portugal tem um grande potencial de crescimento na economia verde. Pode tornar-se num exemplo a nível europeu”, defendeu ontem Sofia Santos, secretária geral do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD Portugal), no painel sobre Sustentabilidade e Ambiente do Fórum Internacional das Comunidades Inteligentes e Sustentáveis (FICIS).
A autora de ‘A banca em Portugal e a economia verde’ apontou o ‘Compromisso para o Crescimento Verde’, aprovado pelo anterior Governo, como “um bom ponto de partida” para o desenvolvimento de uma política de “descarbonização da economia”, defendendo igualmente novos passos na reforma fiscal verde.

Sendo Portugal porventura o país europeu com “mais biodiversidade”, está também “no bom caminho” no que à eficiência energética diz respeito, considerou Sofia Santos, relevando a notícia recente sobre o recorde de quatro dias seguidos de consumo eletricidade em Portugal assegurada por fontes renováveis.
A representante da BCSD Portugal avisou que a opção pela economia verde é um compromisso intergeracional, no sentido em que preserva recursos e qualidade ambiental para as gerações vindouras, mas também significa criação de riqueza e de emprego.

“O desenvolvimento de um país deve assentar na exploração equilibrada dos recursos naturais e na aposta em indústrias com pouco impacto ambiental”, declarou Sofia Santos, relevando que a União Europeia estima um crescimento da economia nos estados membros de 30% até ao ano 2025.

No painel do FICIS dedicado ao tema ‘Sustentabilidade e Ambiente’º, Chris Thorpe apresentou a plataforma Carbon Disclosure Project (CPD) que reúne mais de 300 cidades de todo o mundo, entre as quais Braga e Fafe, na promoção de oportunidades de negócio verde, aproximando os governos das cidades a entidades financiadoras.

Fernando Leite, administrador da LIPOR - Sistema Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto, explicou a opção da empresa pela valorização dos lixos como recurso económico.
“A sustentabilidade é uma componente fundamental do nosso negócio”, declarou o administrador da LIPOR, entendendo como “estratégia acertada de crescimento” a evolução do simples tratamento dos resíduos para a sua valorização, preparando a empresa para “novos desafios” no campo da economia verde.

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