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“Colheita de 2020? Os apreciadores de vinho verde vão ser surpreendidos”
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“Colheita de 2020? Os apreciadores de vinho verde vão ser surpreendidos”

Cávado

2021-04-11 às 10h00

Paulo Monteiro Paulo Monteiro

Os apreciadores de vinho verde vão ter uma agradável surpresa quando provarem os néctares de 2020. Um ano que, apesar da pandemia, fechou com um volume de negócios superior em quase 5% em relação a 2019.

A colheita de 2020 está aí. São dados os primeiros passos no mercado. Mesmo num período e num momento atípico e pandémico, as notícias são boas e curiosas. O vinho verde veio para ficar, para fazer história e sucesso.
Manuel Pinheiro, presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes está confiante: “2020 foi um ano curioso porque tivemos imensas dificuldades por causa do Covid, naturalmente nos mercados, e na parte agrícola mas o clima por- tou-se muito bem. Os agricultores foram os que estiveram a trabalhar a 100% e por isso acabamos o ano com óptimos vinhos. O que podemos dizer é que os apreciadores do vinho verde vão ser surpreendidos porque os vinhos de 2020 vão ser excelentes. Isso já se está a começar a notar nas primeiras provas que estamos a fazer e vai-se demonstrar nos prémios que vão ser atríbuidos pela Imprensa e pelos concursos e vai-se demonstrar nas nossas casas quando começarmos a provar”.
Como estão os produtores minhotos actualmente, um ano depois do início da pandemia?
“2020 foi um ano muito difícil mas muito surpreendente. Se analizarmos os números globais acabamos por ver que o vinho verde acabou de se vender o mesmo que em 2019, até um bocadinho mais... Isso é excelente. Mas não podemos olhar só para esses números. Temos que olhar mais fundo e o que vemos é que ao lado de produtores que tiveram um ano muito bom há outros que tiveram um ano muitissimo difícil. Portanto nós temos produtores que estão na exportação e nos supermercados e esses sim tiveram um ano muito bom e esses garantem que tivessemos fechado o ano 4,5 a 5% acima do ano anterior, quer no mercado nacional quer na exportação - e aqui o ano foi admirável. Mas no outro lado temos produtores com um ano muito difícil. Foram sobretudo as quintas mais pequenas que estão ancoradas na restauração da nossa região... o turismo sofreu muito, a restauraçã sofreu muito e por isso estes produtores que faziam vinhos de maior valor foram os que mais sofreram e acabaram por perder entre 40 e 60% do seu mercado e viram, por força disso, a sua vida completamente alterada”.
As decisões de proibição de vendas de bebidas alcoólicas a partir das 19 horas, os fechos de bares, restaurantes e similares... a que nível prejudicaram? E que se espera no futuro agora que iniciamos a fase do desconfinamento?
“Vamos ver agora como é que as garrafeiras, os restaurantes e o turismo se vão comportar. Nós somos uma região - ao contrário dos nossos amigos do Alentejo -onde mora muita gente, e onde a actividade turística é muito importante, onde a restauração e os hotéis são muito importantes e onde o vinho verde está associado a tudo isto. Quem sofreu mais foram os produtores que estão mais ligados à actividade turística”.
Em tempo de confinamento, que apoios receberam os produtores?
“Tiveram os problemas que tiveram todos os empresários e sectores de actividade e tiveram mais um... de que muita pouca gente se lembra que é, quem tem agricultura e engarrafamentos (os produtores de vinho na maior parte dos casos) não podiam recorrer ao lay-off porque mesmo que a parte de engarrafamento parasse a parte agrícola continuava e por isso precisavam de continuar a trabalhar. Aqui tiveram custos e em muitos casos não conseguiram colocar o produto no mercado. O Estado português financiou os produtores de alguma forma e aqui a nossa região recorreu intensamente a esses apoios. Além disso a Comissão de Viticultura apesar das dificuldades de mercado manteve e até reforçou as acções de marketing (através fundamentalmente de publicidade). Nós investimos mais o ano passado do que tínhamos investido em anos anteriores e agora, precisamente nesta altura, estamos a programar libertar uma verba de mais 250 mil euros para investir em acréscimo aos cerca de dois milhões e meio de euros do nosso plano de investimento. Portanto há um esforço de toda a região a que se acresceu o esforço do Estado português no sentido de tentar apoiar os produtores”.
É suficiente? “nunca é suficiente”, responde Manuel Pinheiro, acrescentando: “mas é o que é possível e é nesse sentido que estamos a trabalhar”.
Brindemos então ao néctar de 2020 que - já dizem - vai ser de se lhe tirar o chapéu!

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