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Centro Clínico Académico assegura investigação de ponta
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Centro Clínico Académico assegura investigação de ponta

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Braga

2012-01-04 às 06h00

Patrícia Sousa

A Universidade do Minho, o Hospital de Braga e o grupo José Mello Saúde assinaram, ontem, um protocolo para operacionalizar o Centro Clínico Académico. Efectuar projectos de investigação e ensaios clínicos são as prioridades deste centro.

A assinatura, efectuada ontem, do protocolo entre o Hospital de Braga, a Escola de Ciências da Saúde e o Instituto de Ciências da Vida e da Saúde da Universidade do Minho (UM) e o grupo José Mello Saúde, permite a operacionalização do Centro Clínico Académico (CCA) e a concretização de um projecto que assegura condições para o desenvolvimento de investigação de ponta em Braga.

Criado com natureza jurídica de uma associação, o CCA é presidido de forma rotativa, por mandatos de dois anos e é dirigido, neste arranque, por Nuno Sousa, director do Curso de Medicina da Escola de Ciências da Saúde da UM.

“Este novo centro tem uma componente laboratorial, que tem sede na UM, onde é feito o processamento das amostras biológicas provenientes de todos os sujeitos envolvidos nos projectos de investigação clínica e no lado do Hospital de Braga há um local próprio com camas, onde podemos admitir doentes e ‘internar’ doentes, que não são internados por critérios clínicos, mas antes porque fazem parte desses projectos de investigação”, explicou o presidente do CCA, Nuno Sousa.

O CCA dispõe de espaços próprios no Hospital de Braga, numa enfermaria com 12 camas, e no Instituto de Ciências da Vida e da Saúde, e utilizará, também, os meios de diagnóstico daquela unidade de saúde. Médicos e outros profissionais de saúde, pertencentes ao Hospital de Braga ou à Universidade do Minho, passam a dispor de condições ideais para o desenvolvimento de projectos de investigação e de ensaios clínicos, prioritariamente nas áreas de neurociências, infecção e microbiologia, ciências cirúrgicas e oncologia.

A importância deste projecto é, segundo aquele responsável, “muito grande, até porque houve uma enorme evolução na área de investigação em Portugal nas últimas duas décadas e em particular na investigação biomédica, mas que foi feita muito à custa da evolução nas áreas de investigação fundamental e básicas”.

Para Nuno Sousa, Portugal continua “a ter um handicap naquilo que diz respeito à investigação clínica”, acreditando que “uma parte desse handicap resulta do facto de não existirem estruturas destas onde se possa realizar investigação clínica de ponta ao mesmo nível que é feita internacionalmente”. E Nuno Sousa foi mais longe: “temos profissionais de saúde, equipas de investigação multidisciplinares que são capazes de produzir ciência ao mais alto nível internacional e, por isso, decidimos avançar com este centro clínico para criar condições para a região e para se fazer este tipo de investigação, melhorando a qualidade assistencial”.

Primeiro centro com um espaço físico específico

Este é “seguramente” o primeiro centro clínico “onde há um espaço físico específico para fazer este tipo de estudos em ambiente laboratorial e no hospital, para que se produza o conhecimento necessário e os projectos possam avançar”.

Todo o hospital e unidades de saúde podem estar envolvidos neste projecto. “Este espaço permite elevar o nível de análise e vai haver um estímulo muito forte quer para a comunidade prestadora de cuidados de saúde, quer para a comunidade de investigação à volta dos temas clinicamente relevantes”, referiu o presidente.

No arranque, este centro está a ser “suportado” por profissionais de saúde do hospital e investigadores da academia minhota, mas outros projectos e investigadores vão ter, no futuro, acesso e beneficiar deste novo espaço.

UM tem feito “percurso notável”

O protocolo assinado, ontem, “é sinal do nível de investigação que existe em Portugal e na Universidade do Minho (UM), porque só estruturas de investigação consolidadas, com massa crítica e capacidade podem concretizar um projecto desta natureza”, justificou o reitor da UM, António Cunha, elogiando “o percurso notável” que tem sido feito.

António Cunha lembrou que o Instituto de Ciências da Vida e da Saúde com o Grupo 3B conseguiram o estatuto de laboratório associado. “Mas tudo isto é conseguido também graças à visão e capacidade do grupo empresarial de perceber a importância que a investigação tem para garantir o futuro e o futuro de uma unidade médica que se quer de referência”.
Por isso, o reitor espera que se faça investigação clínica efectiva e que traga benefícios no tecido económico-produtivo, sendo gerador de riqueza.

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