Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Entrevistas

2018-04-28 às 13h00

José Paulo Silva

O Parque de Exposições de Braga mudou de nome. Chama-se agora Forum Braga, alteração justificada com a profunda reestruturação que sofreu para se apresentar como principal espaço da região Norte para feiras, congressos e espectáculos. Carlos Oliveira, presidente do conselho de administração da InvestBraga, empresa municipal gestora do Forum Braga, antecipa, em entrevista ao Correio do Minho/Rádio Antena Minho, o resultado do investimento de nove milhões de euros num equipamento que hoje e amanhã está de portas abertas à população.

P - A expectativa que é colocada ao Forum Braga enquanto instrumento de alavancagem cultural e económica da região é alta?
R - O Forum Braga nasce de uma ideia para um espaço que o Norte tinha livre e da aposta muito concreta na turismo de negócios, na cultura e nos grandes espectáculos. A regeneração e a reconstrução do Parque de Exposições de Braga estão alicerçadas nesta estratégia. Acreditamos que o Forum Braga pode ser um dinamizador muito importante da economia e da cultura de Braga, mas com a ambição de desempenhar esse papel no Norte do país e na própria Galiza. É uma aposta muito forte que se faz caminhando. Uma coisa é termos a ambição, outra coisa é fazer marketing após quatro anos a trabalhar no projecto e, agora, abrir as portas do Forum pela primeira vez. A boa notícia é que no dia 20 de Fevereiro fizemos o anúncio da nova marca Forum Braga e nessa altura tínhamos já 20 eventos que quisemos destacar e que hoje já são bastantes mais. Há uma receptividade muito positiva do mercado ao que temos para oferecer. Desde a inauguração do novo estádio municipal, exceptuando o Hospital, o Forum Braga é a obra de maior dimensão em Braga.
Decidimos com os Open Days que os bracarenses deveriam ser os primeiros a conhecer o espaço, na forma de visitas guiadas e com algumas surpresas. Que vejam uma obra há muito desejada e aquilo que pode vir a ser oferecido pelo Forum Braga.

P - Para além da estrutura física, o Forum Braga tem também uma estrutura humana. Houve que repensar a estratégia e a forma de actuar da InvestBraga?
R - Sim. Isso começou com efeitos práticos há mais de um ano, através de algumas reorganizações internas e contratações, prevendo esta nova operação. Uma das pessoas contratadas recentemente tem como principal função a manutenção e gestão de todo o edifício. Estes grandes edifícios precisam de ser mantidos preventivamente. Temos de evitar que a degradação do edifício chegue a um ponto em que a sua regeneração é proibitiva.

P - Os bracarenses que aproveitarem estes Open Days vão encontrar pontos comuns ao ex-Parque de Exposições de Braga ou algo perfeitamente novo?
R - Vão certamente encontrar coisas que remetem para o Parque de Exposições de Braga, porque se trata de uma regeneração, mas a entrada principal é construção nova, o novo auditório tem agora 1450 lugares e um conjunto de condições que não tinha, o palco tem alterações, mas as pessoas vão ver a arquitectura que já existia. O pequeno auditório, as salas paralelas, a cafetaria, o restaurante são coisas novas. Há sistemas de climatização que não existiam, sistemas de projecção a lazer e outros equipamentos para todo o tipo de eventos. Na grande nave, as pessoas vão ficar surpresas com a limpeza em termos visuais, mas não deixa de ser a grande nave.
P - E com os problemas de nascença resolvidos, nomeadamente a acústica?
R - A acústica foi uma aposta muito forte no grande auditório, no pequeno auditório e na grande nave. A acústica e a climatização foram pedidos muito concretos ao gabinete de arquitectura, porque nós quisemos ter condições para receber todo o tipo de espectáculos. Com a utilização real é que vamos perceber a que nível é que as coisas estão e o que será preciso fazer. Queremos ter uma infra-estrutura que seja indutora do crescimento cultural e económico de Braga e, acima de tudo, ter um papel na dinamização do turismo de negócios, atraindo pessoas a Braga que de outra forma dificilmente viriam. Em Setembro teremos dois mil psicólogos em Braga, os quais, possivelmente, voltarão com as suas famílias. É isto que queremos induzir. Várias empresas vão trazer os seus parceiros e essas pessoas vão ficar a conhecer Braga. Uma das grandes vantagens competitivas do Forum Braga é a sua localização, o facto de estar no centro da cidade.

P - O Forum Braga pode contribuir para a reabilitação de uma zona da cidade que perdeu alguma dinâmica, por força da saída do Sporting Clube de Braga do Estádio 1º de Maio?
R - Se não o fizer, um dos pontos da nossa estratégia não está a correr bem. A ideia é levar novamente as pessoas aquela zona da cidade. Nós reduzimos o perímetro de segurança do Forum Braga, de modo a que as pessoas possam ir livremente do Parque da Ponte para o Parque das Camélias. Estamos tão perto do centro e de uma ciclovia. É importante dizer que temos uma cafetaria que está permanentemente aberta ao exterior, mesmo que não haja nenhuma actividade no Forum Braga. A Avenida Pires Gonçalves foi regenerada num sentido pedonal, deixámos de ter aí estacionamento. Temos a galeria de arte permanentemente aberta ao exterior.

P - Que abre com uma primeira exposição este fim de semana.
R - Uma exposição que traz um conjunto de nomes internacionais da arte contemporânea muito interessantes. Temos várias peças com prémios Turner, que são uma espécie de prémios Nobel para a arte contemporânea.

P - A galeria de arte contemporânea não foi falada de início.
R - Ficou desde o início a ideia de que teríamos de criar condições para as pessoas virem ao Forum Braga, mesmo que seja para tomar um café.

P - A galeria de arte contemporânea terá uma programação constante?
R - O Forum Arte Braga terá quatro exposições anuais com curadoria específica em arte contemporânea. É um espaço que Braga precisava de ver preenchido.

P - Disse há pouco que a maturação do projecto de regeneração do Parque de Exposições de Braga demorou quatro anos, praticamente o anterior mandato autárquico. O resultado final está acima das expectativas da administração da InvestBraga?
R - Vamos ter de ouvir as pessoas. O que posso dizer é que aqueles que vão ser os clientes estão muito impressionados com o Forum Braga. Não nos vamos poder queixar da infra-estrutura enquanto inibidora da estratégia definida pela InvestBraga.

P - Está a vislumbrar o Forum Braga como um trunfo importante de uma candidatura da cidade a Capital Europeia da Cultura?
R - Sem dúvida que será uma infra-estrutura relevante para aquilo que será candidatado. O Forum Braga será certamente uma das infra-estruturas centrais para essa candidatura.

P - O Forum Braga tem já uma calendarização associada a Braga Cidade Europeia do Desporto.
R - Tem havido um trabalho muito importante desenvolvido pela vereadora do Desporto, Sameiro Araújo. O Forum Braga veio demonstrar a sua importância, porque é um local onde se podem realizar grandes manifestações desportivas como o Grande Open de Karaté, a Festa da Ginástica, a Super Taça de Andebol e a Super Taça de Futsal. Para além disso, vamos ter grandes congressos, as feiras do nosso calendário e muitos eventos infantis. Temos agendados eventos como o Portugal Fit, que é o maior do género e que se realizava no Altice Arena, em Lisboa. Temos espectáculos de humor e de teatro. Há já uma programação diversa, que demonstra a versatilidade do espaço para concretizar a ideia dos eventos dos 20 aos 20 mil espectadores.

P - Podemos antecipar que haverá algo a acontecer todos os dias no Forum Braga?
R - Qualquer infra-estrutura deste tipo ambiciona ter taxas de ocupação elevadas que rentabilizem o espaço. Almejar eventos todas as semanas, sem dúvida nenhuma. Temos de almejar uma taxa de ocupação muito alta. Já temos recusado eventos por falta de espaços em determinadas datas, mas não é realista pensar em ter eventos todos os dias.

P - Passada a Cidade Europeia do Desporto, o Forum Braga tem capacidade para receber grandes acontecimentos desportivos?
R - Tem as capacidades de um pavilhão com 5 000 metros quadrados. Caberá a Braga conseguir continuar a captar eventos neste âmbito. O Greenfest, na área do Ambiente, um evento que se realiza em Cascais, vai ter uma data em Braga. Para além da integração com diversas áreas de intervenção do Município, há interligação com parceiros do sector privado.

P - Vai ser mais caro alugar espaços no Forum Braga?
R - Tem havido ajustes. Este ano já houve um ajuste nos preçários, o qual tem a ver com os custos de manutenção e de operação. Não estamos no registo anterior de salas antigas e degradadas e sem equipamentos.

P - Nos últimos anos, a empresa InvestBraga tem apresentado resultados positivos
R - Com excepção do último ano por indisponibilidade de espaços.

P - O Forum Braga vai aumentar as receitas da InvestBraga?
R - Vai aumentar substancialmente aos custos. Os custos de energia e de segurança não têm nada a ver com os anteriores. Em paralelo, as receitas de aluguer de espaços vão também crescer de forma importante. A ambição desta administração é que as receitas possam suportar esse aumento de despesas.

P - O ano de 2018 será ainda de transição?
R - Sim. Não me comprometo aqui com resultados. Em 2017 tivemos resultados negativos em linha com o que estava previsto, com excepção de um custo extraordinário com a ADSE, que já vinha de 1999 e relacionado com a integração de trabalhadores de um outro serviço municipalizado. Este ano vamos registar quatro meses sem actividade, mas com a programação que já temos acredito que alcançaremos um exercício interessante, sendo que o objectivo da InvestBraga não é dar lucro, é cumprir a sua missão da forma mais interessante do ponto de vista financeiro. Por exemplo, vamos ter um conjunto de patrocinadores do Forum Braga que suportam alguns dos custos.
P - Pensa que será possível, nos próximos anos, reduzir a dependência do contrato-programa celebrado com o Município de Braga?
R - Nós temos obrigações que não geram receitas: Startup Braga e dinamização económica. O objectivo é que não tenha de haver aumento do montante do contrato-programa.

P - A InvestBraga vai ficar responsável pela gestão da Pousada da Juventude. Há alguma complementaridade desta nova valência com as outras áreas de intervenção da empresa?
R - A InvestBraga tem algumas responsabilidades na área do turismo. A Pousada da Juventude tem espaços que poderão ser utilizados em articulação com outros equipamentos municipais e tem alguma ligação à área do empreendedorismo.

P - Na área do turismo de negócios e dos congressos há margem de crescimento muito grande em Braga?
R - Há uma margem de crescimento significativa. Nem toda a gente quer ir para Lisboa ou para o Porto. No Norte não há muita infra-estrutura para este tipo de actividade. A Alfândega do Porto está normalmente cheia. Estamos a trabalhar produtivamente junto de organizadores de congressos e directamente junto das empresas.

P - Em termos de oferta hoteleira, Braga também tem capacidade?
R - A InvestBraga está a trabalhar com muitas unidades hoteleiras. Uma estratégia de turismo de negócios só funciona se existirem camas disponíveis. Temos mais de três mil camas em hotéis de três, quatro e cinco estrelas na cidade de Braga. Se alargarmos o raio a 25 quilómetros, esse número sobe para seis mil.

P - Os investimentos que se anunciam na área da hotelaria são mais que justificados?
R - São mais que justificados e mais que necessários.

P - Na área dos espectáculos musicais, a InvestBraga vai assumir algum papel de programador?
R - Acima de tudo, o que pretendemos é apresentar o Forum Braga como o espaço no Norte para uma segunda data de grandes concertos. É o que acontece com os Thirty Seconds to Mars, uma grande banda norte americana que, por acaso, actua primeiro em Braga, a 11 de Setembro, e depois em Lisboa.

P -Vai ser um grande teste para o Forum Braga?
R - Mais do que um grande teste, vai ser uma grande celebração para Braga. No primeiro dia venderam-se vários milhares de bilhetes.

P - Como está a bilheteira?
R - Quem pretender ir deve adquirir o seu rapidamente o seu bilhete, porque estamos com vendas na casa dos 80 % da sala. Aliás, os bilhetes mais baratos, de 25 euros, já estão esgotados. Estamos a fazer um trabalho de promoção do Forum Braga com os grandes produtores há mais de um ano. Este espectáculo dos Thirty Seconds to Mars é já uma grande vitória para nós, porque estamos a conseguir vender bilhetes a um nível elevadíssimo para gente de fora de Braga e também para um número significativo a gente de Braga, o que prova que há público no concelho.

P - Na região Norte, o Forum Braga é a grande opção para este tipo de espectáculos desta dimensão?
R - Nós temos uma peça única. Nós temos um centro de congressos com uma sala com 1 450 lugares, a maior sala com lugares sentados a Norte de Lisboa, acoplada a um grande espaço de concertos que pode levar até 12 mil pessoas. Se compararmos as características técnicas e a lotação, somos a segunda sala a seguir ao Altice Arena. Com isso não quero dizer que os outros espaços da região não vão continuar a ter a sua programação. Nós somos, claramente, o novo entrante. Temos de mostrar a nossa diferenciação. Não nos valia a pena vir com um projecto mais ou menos. Temos de ter argumentos porque já viemos tarde.

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