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Cantina Social da Misericórdia de Braga já serve meia centena de refeições por dia
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Cantina Social da Misericórdia de Braga já serve meia centena de refeições por dia

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Cantina Social da Misericórdia de Braga  já serve meia centena de refeições por dia

Braga

2020-05-23 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

De 29 em Janeiro, a Cantina Social da Santa Casa da Misericórdia passou, no espaço três meses, a fornecer muito perto de 50 refeições por dia. É o reflexo da crise social e económica que se se abate também sobre as famílias bracarenses.

A Cantina Social da Santa Casa da Misericórdia de Braga, situada na Rua Abade da Loureira, registou nos últimos três meses um forte aumento da procura, servindo hoje, diariamente, cerca de meia centena de refeições.
O registo de Janeiro de 2020 davam conta que a valência servia 29 refeições à hora do almoço, mas o provedor da Santa Casa da Misericórdia garante que actualmente a valência está a servir todos o dias cerca de 50, fruto da crise económica que está a atingir muitas famílias bracarenses. “O nosso limite é de 50, mas se for preciso aumentaremos essa capacidade”, referiu ao Correio do Minho Bernardo Reis, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Braga, dando conta que a procura “tem vindo a subir progressivamente”.

Bernardo Reis explica que a sinalização dos beneficiários é da responsabilidade da segurança social.
O apoio é feito em regime de take-away com a entrega das refeições à entrada da Cantina Social “por uma questão de precaução”.
Fruto do mecenato entre o Hospital de Braga e a Primavera Software, esta valência social está protocolada com a segurança social no apoio para o fornecimento de apenas 17 refeições, sendo que o diferencial das restantes, como explica o provedor, é suportado pela instituição.

“Esta foi uma das primeiras cantinas a nascer na cidade e teve um papel muito importante na crise social de 2008”, conta o dirigente da Santa Casa, que não tem dúvidas do papel que esta valência terá também no apoio aos cidadãos que perderam actualmente o total ou parte dos seus rendimentos. “Estamos perante uma crise social muito grande, basta olharmos para os números do desemprego. Há famílias que estão a ficar completamente desestruturadas”, explica Bernardo Reis, sublinhado o papel das misericórdias na rede de apoio social, especialmente em alturas de crise social e económica.

“É precisamente nestas alturas que as misericórdias se impõem. As instituições de solidariedade social mostra a sua mais-valia, apoiando a acção do Estado na apoia a famílias e aos próprios utentes das instituições”, diz a propósito o provedor. Com várias valências nos diferentes sectores do apoio social, é sobretudo nas receitas geradas pela farmácia, situada no Largo?Carlos Amarante e, mais recentemente nas verbas angariadas com o aluguer do edifício onde está instalado o Hotel Vila Galé (que também fechou por causa da pandemia) que a instituição bracarense sustenta financeiramente a sua acção, colmatando também as perdas senti- das em algumas valências por causa da Covid-19. Falamos, por exemplo, das duas creches da instituição que estiveram encerradas dois meses e cuja retoma foi ainda muito tímida, com a ingressão de um número reduzido de crianças.
Bernardo Reis adianta que os pais tiveram uma redução de 75% na mensalidade da creche durante o período em que estiveram encerrados.

A Misericórdia de Braga também não colocou nenhum dos seus colaboradores em lay-off. “Continuamos a pagar os salário na íntegra a todas as pessoas, excepto aos que estão de baixa médica”, garante o provedor da Santa Casa da Misericórdia, explicando que os colaboradores afectos às creches ou estiveram em formação ou deram apoio em outros, nomeadamente nos três lares da instituição.

Santa Casa fornece ainda géneros alimentares para outros parceiros

A Santa Casa da Misericórdia está também a apoiar outras entidades e instituições com o fornecimento de alimentos que chegam também às famílias que deles necessitam. “Estamos a apoiar
a Cruz Vermelha Portuguesa, a Junta de Freguesia de S. Lázaro
e S. João do Souto, a Cáritas.
Por exemplo, no caso da freguesia de S. Lázaro e S. João Souto dizem o que precisam e nós enviamos”, explica Bernardo Reis, acrescentando que muitos desses produtos servem para a criação de cabazes que serão entregues os mais necessitados. “Temos apoiado o máximo possível as instituições que nos solicitam”, continua o provedor.

Sem-abrigo procuram mais a cantina da Cruz Vermelha

Também à cantina social da delegação de Braga da Cruz Vermelha têm chegado cada vez mais pedidos, mas desta feito o perfil dos beneficiários é um pouco diferente. “São sobretudo pessoas em situação de sem-abrigo que tinham alguma retaguarda na cidade - de algum cidadão que lhe dava comida ou mesmo um restaurante - que entretanto deixou de existir”, adianta ao ‘Correio do Minho’ Nuno Rodrigues, responsável da Cruz Vermelha nesta área.
“Neste momento temos cerca de 70 pessoas inscrições e servimos uma média de 65 refeições por dia, quando tínhamos em média 55 inscritos e distribuíamos cerca de 52 a 53 refeições”, adianta o responsável, vincando que nesta fase “as pessoas que estão inscritas procuram com mais regularidade apoio, quase todos os dias”.

As refeições são entregues em regime de take-away na sede da instituição, que está provisoriamente na Rua Bernardo Cerqueira, facto que que tem servido para aproximar os beneficiários a este serviço. “Houve uma necessidade de criar um sistema diferente para não colocarmos em contacto estas pessoas com as que estão no Centro de Alojamento, onde está instalada a Cantina Social”, refere ainda Nuno Rodrigues.

Além do almoço, aos beneficiários é entregue também “algum reforço” para levaram para casa para o lanche e jantar, como iogurtes, leite, lanches, “aquilo que recolhemos nas superfícies comerciais todos os dias”.
Nuno Rodrigues adianta que à Cruz Vermelha têm chegado também alguns pedidos de outros instituições para apoios em forma de cabazes de alimentos. “Não fazemos um apoio directo, temos sim alguns produtos alimentares que apoiamos mediante o encaminhamento dos serviços da acção social quer do município, quer da acção social”.
O apoio tem-se estendido ainda, segundo o responsável, a “mais quatro ou cinco agregados familiares”.

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