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Campanha ‘Junta-te a Nós!’ responde à crise do voluntariado

Alto Minho

2021-09-21 às 06h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

Na passagem de mais um aniversário, direcção e comando dos Bombeiros Voluntários de Valença alertam para a redução progressiva do corpo activo. Corporação tem em curso fase de admissão de novos voluntários.

O reforço do corpo activo é uma das prioridades da direcção e do comando da Associação Humanitária Bombeiros Voluntários de Valença, corporação que acaba de celebrar o seu 102.º aniversário.
A crise do voluntariado tem vindo a acentuar-se nos últimos anos, necessitando a corporação valenciana de aumentar o número dos seus efectivos, que actualmente não chegam às quatro dezenas, escassos para as solicita- ções.
Para colmatar as carências de pessoal, a Associação Humanitária Bombeiros Voluntários de Valença tem em marcha um aviso de recrutamento para homens e mulheres com idades entre os 17 e os 45 anos.
Sob o lema ‘Junta-te a Nós!’, as inscrições dos candidatos a bombeiros decorrem até ao final do mês de Outubro, no quartel-sede da corporação, sendo condições prévias de admissão a escolaridade obrigatória e a capa- cidade física e psíquica.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Valença, Miguel Lourenço, confia que, desta feita, surjam candidatos em número suficiente para se possa iniciar uma nova escola de recru- tas, atenuando assim as carências do quadro de pessoal da corporação.
“A crise do voluntariado tende a agravar-se em todo o país”, constata o comandante, reconhecendo que é cada vez mais difícil a conciliação da actividade de bombeiro, que exige grande disponibilidade, com a vida pessoal e profissional dos ‘soldados da paz’.
Entretanto, nos últimos dias, dois estagiários cumpriram com sucesso a prova final da Formação Inicial de Bombeiros, o que significa que após o período de estágio, irão integrar o corpo activo dos Bombeiros Voluntários de Valença.

Urgente uma segunda Equipa de Intervenção Permanente

A constituição de uma segunda Equipa de Intervenção Permanente (EIP) é outro dos desafios com que se debatem os Bombeiros Voluntários de Valença.
O comandante Miguel Lourenço alerta que a actual EIP de cinco elementos é claramente insuficiente, sendo “urgente” a criação de uma segunda equipa de pessoal a tempo inteiro que permita assegurar respostas a situações de emergência de forma contínua entre as 7 e as 22 horas.
“Vamos aproveitando a actual EIP, mas já é tempo de termos uma segunda”, alerta Miguel Lourenço, comandante dos Bombeiros Voluntários de Valença desde 2017 e ao serviço da corporação há 25 anos.

A Equipa de Intervenção Permanente, constituída em Agosto de 2018, garante a primeira intervenção nas diversas áreas de socorro no período diurno, além de outras funções imprescindíveis como manutenção de veículos e equipamentos, avaliação de áreas de risco, prevenção e sensibilização
Durante o ano de 2020, os seus cinco operacionais foram chamados a 430 ocorrências, das quais 24 incêndios rurais, cinco em veículos e quatro urbanos.
A?EIP actuou ainda em 16 acidentes rodoviários, 151 emergências pré-hospitalares, 16 aberturas de portas, 22 abastecimentos de água, 11 limpezas de via, cinco resgates de animais ou pessoas e duas quedas de árvores.

Luta constante por novos equipamentos e instalações

Os Bombeiros Voluntários de Valença receberam recentemente novos equipamentos para intervenção em contenção de derrames de matérias perigosas, ao abrigo de uma candidatura da Câmara Municipal de Valença ao programa A.R.I.E.M. + Assistência Recíproca Inter-regional em Emergências e Riscos Transfronteiriços.
A Câmara Municipal revela que “a corporação passa a dispor de um conjunto de materiais para poder prestar um serviço essencial em caso de derrame de matérias perigosas”.

“Os bombeiros de Valença estão já formados para poder actuar e dar resposta nestas situações. Valença, atravessada pela A3, pelas linhas de caminhos-de-ferro, com os polos industriais, é uma das principais fronteiras terrestres de Portugal para a circulação de mercadorias. Há muito tempo que se sentia a necessidade destes equipamentos”, sustenta o Município
Ao nível dos equipamentos, a corporação valenciana apresenta como grande carência nesta altura uma viatura de transporte de água de grandes dimensões, adiantou ao Correio do Minho o comandante Miguel Lourenço.
No que respeita ao Quartel-Sede, a substituição das coberturas é uma das necessidades mais prementes sentidas pela direcção e comando, sendo que os espaços dos elementos masculinos necessitam já de obras de reabilitação.

Diminuição dos fogos florestais e do transporte de doentes

Os Bombeiros Voluntários de Valença passaram este Verão sem grandes sobressaltos em termos operacionais. O número de fogos florestais ficou abaixo de anos anteriores, embora o comandante Miguel Lourenço alerte que, nos últimos anos, os meses de Outono têm sido bastante problemáticas a este nível, em consequência de descuidos e de incumprimento de regras de segurança em queimas e queimadas.
Durante o mês de Agosto, os Bombeiros Voluntários de Valença foram chamados ao combate de 19 incêndios florestais, rurais e agrícolas, mais três do que no mês de Julho.
No mês de Julho, a corporação acorreu a apenas quatro incêndios deste tipo, sendo que no mês de Maio foram cinco as ocorrências.

A situação de pandemia vivida nos últimos tempos levou a uma diminuição significativa do serviço de transporte de doentes não urgentes, sendo que no passado mês de Maio foram transportados 184 destes pacientes.
Em Junho, foram 180 os doentes não urgentes encaminhados pelos ‘Voluntários’ valencianos, para consultas e tratamentos médicos, número que desceu para 160 em Julho e para 136 no mês de Agosto.
Este trabalho de rotina dos ‘soldados da paz’ é sobressaltado, de quando em vez, por ocorrências inesperadas como a que a equipa de Emergência Pré-Hospitalar testemunhou a 23 de Agosto último: o nascimento de um ser humano na ambulância.

O subchefe António Presa e a bombeira de 3ª Ângela Cunha, apoiados posteriormente pela equipa SIV Valença, ajudaram nesse dia, com sucesso, ao nascimento de um bebé dentro da ambulância de socorro que se encaminhava por ordem CODU para o Hospital de Viana do Castelo, uma vez que a evolução do trabalho de parto obrigou à conclusão do mesmo antes da chegada à unidade hospitalar.

Mais de um século ao serviço de Valença, distrito e Galiza

O primeiro passo para a criação de uma corporação de bombeiros voluntários em Valença foi dado a 12 de Outubro de 1910, poucos dias após a implantação da República em Portugal, Nessa altura, um grupo de raparigas e rapazes da melhor sociedade de Valença, realizam no Teatro Valenciano, um sarau musical a favor da ideia da criação dos Bombeiros em Valença. Rezam as crónicas que tal espectáculo foi um êxito.
Iniciativas com o mesmo propósito realizaram-se até 1916, ano em que foram feitos vários peditórios à população.
No ano de 1917, deflagrou um violento incêndio num prédio da antiga Rua Direita, fatalidade que originou um movimento na população de Valença a favor de um verdadeiro Corpo de Bombeiros, já que apenas existia uma bomba da antiga Companhia da Bomba, propriedade da Câmara Municipal, sem pessoal devidamente preparado.

Só em 1919, e depois de novo grande incêndio, se reforçou a movimentação dos valencianos, no sentido da criação dos seus Bombeiros Voluntários. No mês de Junho desse ano, realizou-se uma reunião dos habitantes de Valença e dela resultou a nomeação de uma comissão organizadora para a fundação dos Bombeiros e a elaboração dos seus estatutos, os quais foram aprovados por assembleia geral de 27 de Julho de 1919.
Desde então, não descansaram um só momento, e os Bombeiros de Valença começaram a ter forma, mercê de muito sacrifício e da muita dedicação à causa para a qual lançaram ombros com o maior entusiasmo todos os valencianos, iniciando-se a escolha e compra de material contra incêndios.
Em 19 de Setembro de 1920, o sonho transformava-se em realidade, inaugurando-se a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valença e respectivo corpo activo, equipado com três bombas braçais e um carro para o transporte de seis homens e que servia para puxar as bombas, com cavalos ou muares.

Instalados os bombeiros no Quartel do Eirado, direcção e comando continuaram a trabalhar para um Quartel-Sede novo e condigno. Por compra ao Ministério da Guerra, a Hospedaria Militar da Casa da Guarda passou a ser a nova casa a partir de 1926. Durante muitos anos foi considerado o melhor quartel do distrito de Viana do Castelo e dos que estavam melhor equipados.
Mas Valença continuou a evoluir e, com ela, também os Bombeiros Voluntários. Desde 1970 vinha-se falando na construção de um novo quartel e conseguiu-se adquirir para o efeito um terreno ao Ministério das Finanças no sítio dos Eucaliptos.
Os ‘soldados da paz’ têm servido, ao longo de mais de um século,Valença e concelhos limítrofes, como também popula- ções da vizinha província espanhola da Galiza.

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