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Caminha é o concelho do Norte onde a estirpe inglesa tem maior expressão
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Caminha é o concelho do Norte onde a estirpe inglesa tem maior expressão

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Caminha é o concelho do Norte onde  a estirpe inglesa tem maior expressão

Economia

2021-02-19 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Janeiro foi terrível, mas a situação tem melhorado em Caminha, concelho que se distingue por duas particularidades: a faixa etária com maior incidência de casos é entre os zero e os nove anos e é a localidade com mais infecções pela estirpe inglesa.

Depois de um mês de Janeiro “terrível”, no concelho de Caminha a situação epidemiológica está agora “bastante melhor”, mas mesmo assim a preocupação continua porque “há consciência de que qualquer erro ou deslize pode deitar tudo a perder”.
O alerta é do presidente da Câmara Municipal, Miguel Alves, que revela dois dados que distinguem o concelho de Caminha dos restantes.
A faixa etária com maior incidência de casos de Covid-19 é entre os zero e os nove anos de idade.
Ainda de acordo com os resultados dos testes de rastreio, Caminha é o concelho, em todo o Norte do País, onde a infecção associada a nova estirpe inglesa tem maior expressão.

Como esta estirpe do Sars-CoV-2 se propaga muito mais rapidamente, essa poderá ser a explicação para o aumento exponencial de novos casos no mês de Janeiro.
Nos 31 dias do primeiro mês do ano, o concelho registou mais casos confirmados de Covid-19 do que em todos os meses anteriores.
“Janeiro foi o mês mais duro. Tivemos 907 casos, mais do que em todo o ano de 2020”, refere o edil, realçando que neste mês de Fevereiro o número de casos confirmados ainda não chegou à centena.

“A média diária de novos casos em Janeiro foi de 29,2. Em Fevereiro está nos 5,75. Há um claro abrandamento de novos casos, situação que está muito ligada ao confinamento e, sobre- tudo, ao facto de as aulas presenciais estarem suspensas”, explica Miguel Alves, lembrando que a faixa etária com maior incidência de Covid-19 se situa entre os zero e os nove anos de idade.
Apesar de a situação estar a a melhorar, o concelho ainda continua a colher os efeitos nefastos da situação vivida no mês passado, concretamente com o registo de óbitos.
Este mês já faleceram pelo menos cinco pessoas que estavam infectadas em Janeiro.
O autarca reconhece que o cansaço que as pessoas sentem neste segundo confinamento, mas adverte que “não se pode facilitar” sob o risco de a situação de voltar a descontrolar.

Vacinação está concluída nos lares do concelho

Caminha foi o primeiro concelho do Alto Minho a concluir o processo de vacinação contra a Covid-19 nos lares de idosos.
Todos os utentes e funcionários dos lares do concelho que quiseram ser vacinados já receberam as duas doses da vacina contra a Covid-19, revela Miguel Alves, em entrevista ao Correio do Minho, elogiando o “trabalho excepcional” que tem sido desenvolvido pelos lares concelhios durante a pandemia.
O edil realça ainda que está pronto para começar a funcionar o Centro de Vacinação Comunitário que o Município instalou no Pavilhão de Seixas.

“Da parte da Câmara está operacional”, garante, explicando que processo de vacinação será gerido pela ULSAM, sendo esta a entidade quem vai contactar as pessoas para agendar a vacinação e administrar a vacina.
“Tenho de deixar um elogio a todos os municípios do Alto Minho e à ULSAM que têm feito um trabalho extraordinário no combate à pandemia e também na gestão dos processo de vacinação. Já aconteceu com a vacina da gripe e agora volta a acontecer com a Covid-19”, refere o presidente da autarquia.
O Centro de Vacinação de Caminha tem capacidade para a administração de 400 vacinas por dia. Para adaptar o pavilhão em centro de Vacinação — numa medida que pretende retirar pressão aos centros de saúde — a Câmara investiu cerca de 50 mil euros.
Miguel Alves conta que ainda foram ponderados outros espaços para instalar este centro, mas o Pavilhão de Seixas revelou-se a melhor opção, pois tem disponibilidade até final do ano, dispõe de espaços amplos, boa acessibilidade e abundante estacionamento.

Pandemia já custou quase um milhão de euros ao Município

Está muito próximo de um milhão de euros o quanto a pandemia causada pela Covid-19 já custou à Câmara Municipal de Caminha. O mais recente relatório do Tribunal de Contas sobre o impacto das medidas adoptadas no âmbito da Covid-19 coloca Caminha entre os 15 municípios do país com maior investimento per capita no combate à pandemia.
O valor é avançado por Miguel Alves ao ‘Correio Minho’, que explica que entre o que a Câmara deixou de receber e as despesas directas e indirectas, o factura da pandemia vai já perto do milhão de euros, um valor “que diz bem do esforço” da autarquia. “Fazemos o que podemos”, confessa o presidente da autarquia, realçando que as câmaras municipais não têm capacidade para ajudar todas as famílias, todas as empresas e todas as instituições. O esforço é ajudar o mais possível naquilo que for possível.

A Câmara de Caminha tem dado especial atenção às famílias. Em 2020 aumentou em 220%, face a 2019 os apoios financeiros à famílias.
São apoios que ajudaram a pagar renda e pagar contas de serviços essenciais como água, luz e gás.
Para além desse apoio há também o serviço que tem vindo a ser prestado pela Rede Complementar de Apoio que já respondeu a mais de 400 pedidos de ajuda. Esta resposta permite que sejam assegurados diversos bens e serviços de primeira necessidade, actuando como rede logística, sobretudo de apoio a idosos em situação de isolamento, de modo a evitar que tenham que sair das suas casas para comprar alimentos e medicamentos em supermercados e farmácias.

O apoio da autarquia traduz-se também nas já mais de 3000 refeições servidas a alunos carenciados e aos bombeiros do concelho. As refeições são confeccionadas em cantinas escolares e entregues por funcionários municipais.
A Câmara também já prolongou até ao final de Junho as medidas extraordinárias de apoio social e económico. Ainda na primeira reunião de câmara do ano, foi aprovada a proposta do presidente da autarquia que visa minimizar os efeitos sociais e económicos decorrentes da pandemia.

Esse pacote de medidas traduz-se, por exemplo, em várias isenções: rendas habitacionais em todos os fogos municipais, rendas dos estabelecimentos comerciais em espaços municipais, bancas do interior dos mercados municipais, pagamento do terrado das feiras semanais e taxas de ocupação do espaço público, designadamente para a instalação de esplanadas ou publicidade.
“É já uma ajuda de peso para as nossas empresas”, realça Miguel Alves.
Relativamente às instituições, além do apoio logístico que é prestado sempre que solicitado, a Câmara está também a ajudar suportando o pagamento das facturas do serviço de água e saneamento e isentando-as do pagamento do serviço de recolha de resíduos urbanos.

Investimento essencial prossegue

“A Covid-19 está a tomar conta desta segunda metade do mandato autárquico”, constata Miguel Alves, realçando que a situação acaba por ter, obvia- mente, impacto nos investimentos públicos.
Apesar do decréscimo de receitas e aumento das despesas, há sectores onde o investimento tem de continuar e tem sido possível realizar obra, nomeadamente nas áreas da educação, saneamento, requalificação do espaço público e apoio à cultura.
Entre as obras em curso, destaca-se a requalificação da Escola Secundária Sidónio Pais e da Escola Básica e Secundária de Vila Praia de Âncora, cujas empreitadas representam um investimento global na ordem dos 5,5 milhões de euros.
Além da requalificação do centro histórico e do prolongamento do Ecovia do Rio Minho, o edil lembra que também está em curso a construção de novas redes de abastecimento de água e de saneamento básico. Ao todo serão construídos 14 Km de redes, incluindo cinco estações elevatórias, numa intervenção que vai melhorar a qualidade de vida das populações, em particular das freguesias de Venade, Azevedo, Moledo e Âncora.
A esperança é que a pandemia passe o mais rapidamente possível para que se possa retomar a normalidade também em termos de investimentos.
Até lá, Miguel Alves pede “paciência e capacidade de resistência” aos caminhenses, admitindo que “os próximos meses ainda serão muito difíceis”, mas assegurando que vai ser possível vencer esta pandemia e que “todos vamos sair mais fortes” desta experiência de vida.

Computadores e routers disponibilizados

A Câmara de Caminha disponibilizou 126 computadores e tablets ao Agrupamento de Escolas Sidónio Pais para apoiar os alunos no regresso ao ensino à distância. Entregou também 45 routers de acesso à internet por banda larga.
Os equipamentos municipais juntam-se aos 76 computadores que o Ministério da Educação já tinha entregue ao Agrupamento para o ensino Secundário a alunos com escalão.
O autarca realça que para o ensino à distância seja possível foi essencial a expansão da rede de fibra óptica a mais de 90% da população do concelho. Tratou-se de um investimento anterior à pandemia, recorda Miguel Alves, e que acabou por ser determinante para garantir o acesso rápido e eficaz à internet numa extensa área do concelho.
O autarca considera que “nada substitui o ensino presencial”, mas considera que a sua suspensão foi crucial para travar o contágio da Covid-19 no concelho de Caminha.
Miguel Alves realça ainda “o desempenho extraordinário” dos alunos, professores e encarregados de educação ao longo de todo este processo.

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