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“Cada vez mais somos referência para os vindouros”
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“Cada vez mais somos referência para os vindouros”

Alto Minho

2020-02-10 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Cerveira celebraram, ontem, 85 anos. Comandante da corporação, António Machado, reiterou o incentivo feito há seis anos, quando tomou posse.

Porque os voluntários não são pagos por não ter valor, mas por não ter preço, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Cerveira acredita que cada vez mais os bombeiros “são uma referência para os vindouros”. António Machado, que falava ontem na cerimónia de comemoração dos 85 anos da associação, lamentou, no entanto, a falta de voluntários.
Depois de completar seis anos como comandante, António Machado reiterou o incentivo aos homens e mulheres bombeiros que “podem e devem empenhar-se mais e melhor para que haja uma melhor distribuição e harmonização de esforços para assim se prosseguir sem vacilar”.

Depois da promoção de duas jovens a bombeiras de 3.ª, o comandante lamentou a crise no voluntariado. “Pena é que não sejam mais voluntários”, referiu António Machado, constatando que a postura de cada um dos elementos “é exemplo” para os mais novos.
Ainda na cerimónia de aniversário, o presidente da direcção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Cerveira, Fernando Venade, agradeceu todo o esforço do corpo activo, bem como o apoio dado pela autarquia local. Fernando Venade deixou ainda o apelo para a população ajudar.

Estado “não tem reconhecido” trabalho dos bombeiros

A vitalidade da corporação dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Cerveira permite à associação reunir o “maior consenso” no concelho. Mas para o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, Fernando Nogueira, o poder central “não tem reconhecido o trabalho dos bombeiros”, estando a faltar com os meios necessários “para uma função cada vez mais exigente e complexa, que precisa de apoio social, moral e financeiro”.
Fernando Nogueira, que falava na cerimónia de 85.º aniversário da corporação, também lamentou que a sociedade “tem vindo a desvalorizar os bombeiros, mas não se pode esquecer que quando a sirene toca os bombeiros estão sempre prontos”.
Estes 85 anos representam “a vitalidade” desta associação que em “boa hora” foi fundada. “Esta associação é herdeira de uma tradição de assistência e voluntariado que sempre tivemos no concelho”, aplaudiu o presidente, referindo que “efectivamente os bombeiros são merecedores de todo o reconhecimento por parte de todos”.

Há “muita dificuldade” em atrair voluntários para os bombeiros

A falta de recursos humanos continua a ser a “grande preocupação” dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Cerveira. “Há muita dificuldade em atrair voluntários para os bombeiros, porque cada vez é mais exigente e as pessoas têm cada vez menos tempo”, justificou o comandante da corporação, António Machado.
Actualmente com 50 elementos, mais três da estrutura do comando, para a corporação de bombeiros “a falta de recursos humanos é uma realidade com a agravante de há três anos não ter nenhum bombeiro desempregado”, contou o comandante, referindo que ia tendo “um ou outro bombeiro desempregado que estava em permanência na corporação. Hoje já não é assim”.

Além disso, hoje as empresas também não facilitam a vida. “Há uns anos, para as próprias fábricas ter um empregado bombeiro era uma fonte de orgulho, hoje não experimentam nem vivem esse sentimento. Hoje ter um um bombeiro na empresa é motivo contrário e muitos bombeiros nem pedem dispensa pontual nem alteração, porque as entidades patronais não estão sensibilizadas para isso o que vem complicar, e muito, o que era fácil antigamente”, lamentou António Machado.
Entretanto, este ano, o distrito de Viana do Castelo esteve no RC6, em Braga, para o Dia da Defesa Nacional. “Estive lá dois dias com os jovens de Vila Nova de Cerveira, não consegui angariar ninguém para os bombeiros”, revelou o comandante.

As exigências hoje “são muitas” e não é bombeiro quem quer. “Somos voluntários por opção, mas profissionais na acção. Hoje em dia há muita exigência formativa e a disponibilidade dos homens e mulheres é cada vez menor”, constatou António Machado.
Sobre a formação, António Machado destacou o início da nova formação distrital, onde “o trabalho é repartido e o intercâmbio de elementos acaba por se uma mais-valia, criando-se laços entre corporações”.

Futuro está na escola de infantes e cadetes

á era um projecto pensado e desejado há alguns anos, mas teve que ser “amadurecido”. Ano passado foi a hora de abrir a Escola de Infantes e Cadetes dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Cerveira, que conta actualmente com 23 elementos. “Aqui reside a nossa esperança para o futuro da nossa corporação”, assumiu o comandante.
António Machado acredita que uma boa parte das crianças e dos jovens, entre os 6 e os 16 anos, netos e filhos de bombeiros, possa seguir em frente. “Aqui reside o garante do nosso futuro e como muitos são filhos e netos de bombeiros nossos, já têm o gene e aí reside a nossa esperança”, confidenciou o comandante.
No entanto, a existência da escola também exige formação e os mais novos querem e gostam de actividade.

“Os mais velhos já pedem formação, sobretudo, na prestação de primeiros socorros básicos e os mais novos preferem visitar os quartéis existentes no distrito”, contou António Machado, adiantando que nas férias grandes do ano passado os elementos tiveram uma semana de actividades calendarizadas, tendo na última noite acantonado e jantado no quartel.
“Claro que a escola exige permanência de pessoal e acaba por ser uma ocupação e uma preocupação menor, mas ali reside a nossa esperança. Temos elementos com 14 e 15 anos e dentro de dois anos já podem iniciar a formação”, espera o responsável da corporação.
Esta escola, continuou o comandante, “veio trazer algum dinamismo à corporação de bombeiros, já que há uma relação de proximidade e cumplicidade muito grande com os elementos e essas são bases essenciais para o futuro”.

Novas bombeiras deixam apelo: “sigam o sonho agora”

Inês Dias e Sara Morgadas têm 18 anos e são as novas bombeiras da corporação de Vila Nova de Cerveira. Ontem, na cerimónia do 85.º aniversário da associação, as jovens foram promovidas a bombeiras de 3.ª. O pai de Inês é bombeiro, por isso, a jovem sempre viveu com esse objectivo, mas sempre numa vertente mais ligada à saúde. Depois de um “estágio intensivo”, já que se inscreveu nos bombeiros ainda tinha 16 anos, ontem foi o “grande dia”. E nem o facto de esta a estudar Secretariado na Escola Superior de Educação de Castelo Branco a impediu de “viver o sonho”.

Corajosa por natureza, Inês não escondeu os medos que tem ao abraçar este novo desafio: “tenho muito medo dos fogos florestais e também de utilizar o aparelho respiratório isolante circuito aberto (ARICA). Mesmo assim, a mais recente bombeira da corporação deixa um apelo aos jovens: “se querem ser bombeiros sigam o vosso sonho agora. Vale sempre a pena, porque ser bombeiro enriquece-nos muito e saber que a qualquer momento podemos ajudar alguém é o melhor prémio que podemos ter”.

Também a jovem Sara Morgadas, de Valença, desde pequena queria ser bombeira. A primeira bombeira da família inscreveu-se inicialmente nos Bombeiros Voluntários de Valença, mas entretanto pediu transferência para Vila Nova de Cerveira. Também a estudar no curso de Técnico de Comunicação e Serviço Digital na escola profissional ETAP, em Viana do Castelo, a jovem bombeira quer é “ajudar o próximo”. E Sara também deixou um recado aos jovens: “não deixem para amanhã os sonhos que têm hoje”.

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