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Autarcas portugueses e galegos pedem “reabertura imediata” de fronteiras
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Autarcas portugueses e galegos pedem “reabertura imediata” de fronteiras

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Autarcas portugueses e galegos pedem “reabertura imediata” de fronteiras

Alto Minho

2020-06-04 às 12h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Acção de protesto juntou, ontem, na Ponte da Amizade, que liga Vila Nova de Cerveira a Tomiño, autarcas dos dois lados da fronteira. Iniciativa foi promovida pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho.

Autarcas portugueses e galegos juntaram-se ontem, na Ponte da Amizade, que liga Vila Nova de Cerveira a Tomiño, porque não querem mais o “muro de Berlim” que implementaram nas diversas fronteiras do rio Minho, exigindo a “reabertura imediata” de mais três pontos entre os dois países. “A população da fronteira está a ser alvo de uma injustiça tremenda por parte dos Estados dos dois países”, acusou o vice-director do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho. Se nada acontecer, Fernando Nogueira garantiu que os protestos vão continuar nas restantes fronteiras da região, estando a ser equacionado também não participarem, como “medida simbólica”, na assinatura anual do Auto de Reconhecimento de Fronteira, que ocorre em Setembro.
A acção, promovida ontem pelo AECT Rio Minho na Ponte da Amizade, contou com a presença de jornalistas portugueses e espanhóis e os autarcas exibiram a palavra ‘SOS’.
O também presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira lembrou que “das 64 fronteiras que ligam Portugal e Espanha, entre as cinco mais movimentadas, três estão no rio Minho (Tui-Valença, Salvaterra- Monção e Vila Nova de Cerveira-Tomiño)”. Fernando Nogueira defendeu ainda que “não faz sentido” que se faça a ligação transfronteiriça em apenas uma, a ponte internacional que liga Valença a Tui. Por isso, os autarcas exigem a reabertura de pelo menos mais três pontos: Vila Nova de Cerveira e Tomiño, Monção e Salvaterra do Minho e Melgaço e Arbo.
“A nossa economia está completamente morta. Os nossos trabalhadores passam um calvário para ir trabalhar e, portanto, estamos a contribuir para destruir a nossa economia e depois vão ser sempre os mesmos a pagar os sacrifícios da retoma económica”, lamentou o presidente, garantindo que “os portugueses não vivem sem os galegos e os galegos não vivem sem os portugueses”.
Por exemplo, Vila Nova de Cerveira tem “quatro mil trabalhadores, dos quais mais de 20% são oriundos da Galiza e isso significa muitos prejuízos financeiros e muito tempo gasto”, alertou Fernando Nogueira, que foi corroborado pela autarca de Tomiño. “Não queremos que os custos de não se colocarem uns guardas nas fronteiras caia sobre os trabalhadores transfronteiriços. São eles que estão a assumir os custos das deslocações por só existir um ponto de passagem em Valença”, afirmou Sandra González.
Os autarcas “não estão a pedir facilidades”. Fernando Nogueira foi peremptório: “não queremos que sejam aliviadas as questões de segurança sanitária, muito pelo contrário. Queremos que haja controlo sanitário, queremos que haja segurança. Exigimos é que nos deixem passar, no mínimo, os trabalhadores transfronteiriços”.
Nem com as ditaduras vividas, “os dois países tiveram este muro de Berlim”, acusou o autarca, referindo que os Governos dos dois países “não têm ajudado e as populações da fronteira estão a ser extremamente prejudicadas”.
Entretanto, o AECT Rio Minho enviou um documento aos governos dos dois países a exigir a reabertura de fronteiras. “A resposta que obtemos é que receberam a posição, mas isso não é resposta. O que pedimos são apenas meios para fazer esse controlo. Já dissemos que as autarquias, mais uma vez, estariam disponíveis para colaborar com o Estado central, que é o que nós fazemos. Sempre que o Estado central nos pede, nós colaboramos e o contrário nem sempre é verdade. O estado empurra para as autarquias tudo o que não gosta de fazer, mas depois ouve muito pouco nas nossas aspirações”, criticou.
Também o director do AECT Rio Minho, Uxío Benítez, destacou a importância da “acção simbólica” realizada ontem na Ponte da Amizade para alertar para a “injustiça” que os dois governos estão a cometer, estando a provocar “graves prejuízos económico-financeiros” para os dois lados da fronteira.
Uxío Benítez referiu que “estas fronteiras são muito importantes e das mais dinâmicas da Europa, por isso, não faz sentido haver um funil em Valença-Tui”.
Do lado português, participaram na acção os autarcas de Melgaço, Monção, Valença, Paredes de Coura e Vila Nova de Cerveira, tendo faltado apenas Caminha.

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