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Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Melgaço é “absolutamente imprescindível”
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Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Melgaço é “absolutamente imprescindível”

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Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Melgaço é “absolutamente imprescindível”

Alto Minho

2020-03-24 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

A celebrar o 93.º aniversário, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Melgaço é “absolutamente imprescindível”. Presidente da autarquia garante que corporação é “parceiro fundamental”.

A celebrar o 93.º aniversário, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Melgaço é “absolutamente imprescindível”. Quem o diz é o presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Manoel Batista, já que a corporação “é um parceiro de relevância fundamental, que merece uma atenção muito especial”. “Ao longo dos anos temos apoiado a instituição. Procuramos estar sempre que precisa e de forma sistemática apoiamos os bombeiros com recurso humanos e financeiros”, garantiu o autarca.

Todos os anos, o Município de Melgaço apoia na gestão da instituição, tendo este ano reforçado a verba transferida. “Além disso, procuramos apoiar num conjunto de outras medidas como é o caso da constituição da Equipa de Intervenção Permanente, que co-financiamos em 50%”, lembrou Manoel Batista, referindo ainda o apoio prestado às equipas de intervenção no combate a incêndios.

O presidente foi mais longe: “estamos também quando há necessidade de reforço de viaturas, como o fizemos recentemente quando os bombeiros adquiriram uma viatura de combate a incêndios florestais e uma ambulância”.
O aniversário é comemorado a 21 de Março e a instituição celebra, de forma simbólica, com o hastear da bandeira. Por norma, também é feito um lanche-convívio informal, que este ano não aconteceu devido ao Covid-19.
Entretanto, a festa dos bombeiros está integrada nas comemorações de N.ª Sr.ª da Orada, padroeira dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, que coincide com o feriado municipal. “Este ano provavelmente a festa vai ser cancelada”, adiantou o 2.º comandante dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, José Codesseira, lembrando que é nesse dia que se faz a festa protocolar com promoção de bombeiros e entrega de condecorações.

Dificuldade em recrutar voluntários

A falta de recursos humanos nas corporações de bombeiros é um problema transversal a quase todo o país, mas Melgaço tem uma agravante. “Além de ser um concelho com uma população envelhecida, os jovens vão estudar para fora e acabam por não regressar. Isso reflecte-se no corpo de bombeiros, que cada vez tem mais dificuldade em recrutar jovens”, desabafou o 2.º comandante dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, José Codesseira.
Com cerca de 60 operacionais, a corporação tem actualmente sete elementos a participar na Escola Distrital de Bombeiros, mas com o Covid-19 foi tudo adiado. “A formação estava prevista terminar em finais de Junho, mas com o Covid-19 não sabemos quando vai terminar. Não sei se conseguem terminar antes do Verão, uma vez que ainda têm muita formação pendente”, contou o 2.º comandante, confessando que “é muito positivo” para a corporação o ingresso de sete novos bombeiros.

A Câmara Municipal de Melgaço, que “aumentou consideravelmente o apoio financeiro à corporação este ano”, também tem cinco funcionários do município destacados no quartel dos bombeiros. “Estes homens estão a trabalhar de forma permanente na associação e a câmara municipal é que paga os salários deles”, aplaudiu José Codesseira.
Também as Equipas de Combate a Incêndio, criadas no período que intercala 15 de Maio até meados ou fins de Outubro, contam com o apoio da Câmara Municipal de Melgaço, que comparticipa as refeições dos cinco elementos da equipa, sendo que são 10 refeições diárias.

Além disso, a Equipa de Intervenção Permanente, que iniciou os trabalhos no dia 1 de Agosto de 2018, também recebe apoio de 50% do Município de Melgaço. Esta equipa tem como objectivo o reforço da capacidade de resposta ao socorro à população nos períodos em que naturalmente haverá menor disponibilidade de mobilização de bombeiros, ou seja, em dias úteis no horário compreendido entre as 9 e as 18 horas.
“Faço de longe um balanço positivo do trabalho desta equipa. No meu ponto de vista, as associações de bombeiros deviam ter mais equipas deste género para garantir a primeira resposta totalmente profissional, para depois ser complementada, no caso de necessidade, por voluntários”, defendeu o 2.º comandante.

Esta Equipa de Intervenção Permanente, continuou José Codesseira, “garante a primeira intervenção em incêndios rurais, incêndios urbanos, desencarceramentos, cortes de árvores e ainda faz uma segunda linha de emergência pré-hospitalar”. A equipa é, portanto, “uma mais-valia para a primeira intervenção ao minuto e num horário que há menos disponibilidade de bombeiros voluntários”, constatou o 2.º comandante dos Bombeiros Voluntários de Melgaço.


Corporação precisa renovar frota e equipamento de protecção individual

A necessidade de melhorar a frota é outra das batalhas constantes da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Melgaço. Renovar as ambulâncias de socorro, conseguir equipamento de protecção individual para incêndios urbanos e industriais para todos os bombeiros e a aquisição de uma viatura de combate a incêndios urbanos e industriais são as prioridades da corporação.
“Temos três ambulâncias de socorro, uma delas cedida no âmbito do protocolo com o INEM e outras duas da associação”, explicou o 2.º comandante dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, José Codesseira, referindo que as viaturas têm muitos anos, sendo a mais recente de 1998.

“As viaturas já não têm a comodidade que desejávamos para transportar doentes. Além disso, estamos longe de tudo. Temos o Serviço de Urgência Básica (SUB) de Monção a 25 quilómetros, mas se formos a Castro Laboreiro e depois transportar a pessoa até Monção são muitos mais quilómetros. Além disso, vamos ainda para Viana do Castelo ou para Braga, dependendo da emergência e das indicações do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU). Só para Viana do Castelo são mais ou menos 100 quilómetros e mais de uma hora de viagem”, relatou o 2.º comandante da corporação, lamentando ainda o “mau estado” da estrada que liga Melgaço a Valença.
“Precisamos de melhorar a frota com ambulâncias de socorro. Para já não tem sido possível, apesar da direcção estar a trabalhar nesse sentido”, confirmou José Codesseira.

O presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Melgaço fez o mesmo desabafo. “Há viaturas que têm um maior desgaste do que outras. E nós aqui temos desgaste diário e contínuo dada a nossa realidade e contexto geográfico. Somos um concelho periférico com a sede de distrito também muito periférica, já que Melgaço está numa ponta e Viana do Castelo está na outra”, constatou Luís Matos, confirmando que esses constrangimentos “implicam grandes deslocações só para ir à sede do distrito e isso acusa um desgaste muito grande nas viaturas”.

Apesar de tudo, em termos de equipamentos de socorro, o presidente da instituição defende que se vive “uma situação minimamente abrangente para aquilo que são as necessidade das ocorrências”.
Ainda no âmbito do socorro, Luís Matos foi mais longe: “gostávamos de renovar o parque de viaturas de ambulâncias de socorro, mas estamos na expectaria do próprio protocolo com o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) de reposição de nova viatura. O protocolo previa ser renovado após sete anos e já passara 10 anos”.
Outra dificuldade da corporação é o facto de ainda não ter uma viatura de combate a incêndios urbanos e industriais. Apesar dos casos serem reduzidos, o certo é que quando existem os bombeiros têm de dar resposta e não têm viatura própria. Mas, no imediato, também não é possível satisfazer esta lacuna.

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