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As Nossas Escolas

2019-01-04 às 06h00

Marta Amaral Caldeira

A exaustão levou, ontem, os assistentes operacionais da Escola Secundária de Maximinos a fazer greve, impedindo o funcionamento da escola nas primeiras horas da manhã. Exigem mais funcionários.

A “exaustão” e a ‘frustração” dos assistentes operacionais levou, ontem, ao encerramento da Escola Secundária de Maximinos durante a primeira parte do período da manhã. Queixam-se de que são “poucos” para o trabalho que existe na escola e exigem a contratação de mais pessoal “para dar o devido acompanhamento aos alunos”, que entre os seus 400 alunos, há 18 com necessidades educativas especiais.
Carla Oliveira é assistente operacional na escola há 20 anos, mas sente-se frustrada por não conseguir atender a todas as solicitações com a qualidade que gostaria. “Gosto muito da minha profissão, mas nós precisamos de mais pessoal nesta escola porque somos poucos e normalmente não devia estar abaixo do rácio”, lamentou, lembrando que a escola tinha 32 funcionários que foram saindo até terem restado apenas 14.

“Este ano temos mais alunos com necessidades educativas especiais e somos poucos para apoiar devidamente estes alunos em específico e todos os outros. Às vezes chegamos a ter um funcionário para dois blocos com dois pisos, além dos professores e alunos, o que torna o trabalho desigual e que não conseguimos controlar. Nós só queremos fazer o nosso trabalho bem e dar o apoio e segurança a todos os alunos e assim não conseguimos, mas se houve mais gente, nós conseguimos trabalhar com mais qualidade, mais segurança e organização”.
Orlando Gonçalves, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte, diz que os rácios não estão a ser cumpridos. “Pela portaria de rácios esta escola devia ter 17 assistentes operacionais, mas iniciou o ano lectivo com 11 e tem agora 14, mas que são manifestamente poucos para uma escola que tem 18 alunos com necessidades educativas especiais - dos quais cinco são invisuais, três têm cadeiras de rodas e outros têm deficiências bastante profundas e exigem um acompanhamento muito mais permanente por parte dos assistentes operacionais”.

O sindicato chama a atenção para o facto de estes 14 assistentes operacionais terem que se subdividir em turnos para fazer as 12 horas de funcionamento da escola. “Chegam a estar 7/8 assistentes por turno, que têm que se dividir por blocos, o que é manifestamente pouco e não permite o acompanhamento que os alunos precisam”.
“O governo fala muito de uma escola inclusa e os alunos com necessidades educativas especiais vêm parar às escolas públicas mas depois a verdade é que não investe em recursos humanos para que estes alunos tenham aquilo que necessitam, que é um acompanhamento próximo e permanente”, criticou o representante sindical.

O sindicato acusa que, ao contrário do que o governo quis fazer passar, não houve qualquer aumento do número de assistentes, além do pré-escolar. “Não só não contrataram como recorrem a trabalhadores a tempo parcial de 3,5 horas/dia que chegam em Outubro/Novembro e se vão embora em Junho e em Setembro volta a arrancar o ano lectivo com falta de pessoal, o que não permite um quadro de pessoal não docente estável”.
Aurora Sousa, mãe de Luís Caravana, que frequenta o 9.º ano e é atleta de boccia, juntou-se ontem ao protesto, reclamando por mais funcionários que a escola precisa.
O director do Agrupamento de Escolas de Maximinos, Joaquim Gomes, frisou que a escola tem direito a 17 assistentes operacionais, mas que no 1.º período funcionou com 13 e quatro não estão ao serviço - dois encon- tram-se com atestado de média longa duração e outros dois saíram para outros serviços, um para a Segurança Social e outro para a Câmara Municipal.

“Temos, de facto, necessidades adicionais com alunos que precisam de um cuidado quase permanente e de atenção redobrada e se os assistentes operacionais não lhes derem esse atendimento e carinho pode colocar-se em risco a segurança dos alunos, além de que esta é uma escola de referência para alunos cegos e de baixa visão, que recebe muitos alunos vindos de toda a região. Há até pais que gastam cerca de 200 euros só para os alunos frequentarem a Escola Secundária de Maximinos porque a consideram uma escola de qualidade para os seus filhos”, assinalou o director, que relatou a situação ao Ministério da Educação, mas a resposta ainda não chegou.

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