Correio do Minho

Braga, sexta-feira

António Vilela: Ciclo de industrialização não vai parar nos próximos anos
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António Vilela: Ciclo de industrialização não vai parar nos próximos anos

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Cávado

2017-12-09 às 06h00

José Paulo Silva

António Vilela, reeleito presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, vai para o seu terceiro e último mandato com maioria folgada do PSD. Reforço da industrialização do concelho é uma das grandes opções do edil para os próximos quatro anos. Em entrevista ao Correio do Minho e Rádio Antena Minho, António Vilela adianta que o próximo orçamento camarário é reforçado com fundos comunitários. Investimentos na rede de saneamento básico, centros de saúde e escolas são prioritários.

António Vilela, reeleito presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, vai para o seu terceiro e último mandato com maioria folgada do PSD. Reforço da industrialização do concelho é uma das grandes opções do edil para os próximos quatro anos. Em entrevista ao Correio do Minho e Rádio Antena Minho, António Vilela adianta que o próximo orçamento camarário é reforçado com fundos comunitários. Investimentos na rede de saneamento básico, centros de saúde e escolas são prioritários.

P - Como encara o reforço de votação no PSD nas últimas eleições autárquicas em Vila Verde?
R - Os vilaverdenses mostraram que têm confiança na equipa que está a gerir os destinos do concelho nos últimos oito anos em que eu sou presidente. Mas demonstraram também confiança ao longo dos últimos 20 anos em que o PSD assumiu os destinos da Câmara Municipal de Vila Verde. Excepto no primeiro mandato, o PSD sempre tem tido maiorias que permitem uma estabilidade em termos governativos. Nas últimas eleições, o PSD viu reforçada a sua maioria de uma forma muito expressiva.

P - Essa vitória traduziu-se também ao nível das freguesias.
R - Exactamente. Houve um reforço nas votações para o Executivo e a Assembleia Municipal e houve também a conquista de novas freguesias que pertenciam ao PS. O PS ficou, no concelho de Vila Verde, com uma única freguesia: Cabanelas.

P - Como explica esses resultados, atendendo a que o PS fez uma aposta forte em Vila Verde?
R - Tem o significado muito particular de que os vilaverdenses subscrevem o projecto e as equipas que o PSD submeteu a sufrágio. Temos a preocupação de escolher candidatos que vão corresponder às necessidades do concelho. Também saímos de dois mandatos autárquicos de grande crescimento no concelho de Vila Verde, particularmente o último. O primeiro mandato foi sobretudo de reorganização do executivo, de reequilíbrio financeiro e de aposta no rigor. No mandato seguinte, houve um grande investimento em infraestruturas e na modernização do concelho. Basta dizer, por exemplo, que nos últimos quatro anos Vila Verde acolheu 585 novas empresas. O concelho teve um crescimento económico de 3%, bem acima do crescimento médio do país.

P - Há condições para continuar esse crescimento?
R - O que estamos a verificar é que o crescimento está a continuar. Temos grandes projectos de investimento a instalar-se no concelho. Há outra perspectiva de crescimento industrial de Vila Verde. Eu diria que este mandato representa o início de um ciclo de inversão da matriz rural do concelho. Não esquecemos esta matriz mas também queremos captar investimento industrial. Mesmo assim, Vila Verde foi, nos últimos quatro anos, o concelho que mais projectos de jovens agricultores conseguiu atrair. Vila Verde tornou-se o concelho com mais área plantada de pequenos frutos.
P - Em termos industriais, o que é que motiva a procura dos investidores por Vila Verde?
R - A proximidade de um grande pólo industrial como Braga é um dos factores. Vila Verde tem criado um conjunto de medidas que procuram gerar atractividade, designadamente isenções fiscais para a instalação de empresas, processos de licenciamento muito desburocratizados e formação de mão de obra qualificada.

P - As acessibilidades a Vila Verde podem ser um contratempo?
R - Temos um projecto que tem vindo a ser adiado, que condiciona o desenvolvimento da parte norte do concelho: a variante ao centro urbano de Vila Verde. Sentem-se dificuldades na acessibilidade ao parque industrial de Gême e no crescimento da zona norte do concelho, que começa a ter importância em termos industriais.

Claro que a zona industrial de Prado e Soutelo, e sobretudo Oleiros, Cabanelas e Cervães, é aquela que mais tem crescido. O Município assumiu e vai concretizar uma estrada de ligação desde a rotunda da variante do Cávado a Oleiros, o que irá permitir um desenvolvimento importante dessa zona industrial. O investimento na variante à estrada nacional 101 terá de ser da responsabilidade do Governo.

P- Vê, num futuro próximo, possibilidade de concretizar esta obra?
R - Vamos continuar a insistir junto do Governo. Ainda não foi possível convencer o poder central da urgência desta variante para o desenvolvimento do concelho.

P - A variante de Soutelo a Oleiros poderá avançar já em 2018?
R - Já fizemos um estudo prévio. Estamos a avançar para o concurso do projecto de execução. O objectivo é preparar o lançamento da obra para 2019. São 1 400 metros de via que farão toda a diferença na acessibilidade à zona industrial de Oleiros. Estamos empenhados em criar um grande pólo industrial em Prado, Oleiros e Cabanelas. Esta zona está a ser alvo de um grande processo de revitalização. Além de unidades novas que estão a instalar-se, alguns projectos que estiveram parados estão a revitalizar-se. Uma das unidades de cerâmica que existia aí está a ser reconvertida para uma nova unidade industrial de grandes dimensões.

P - Que sectores mais têm procurado Vila Verde?
R - Temos em fase de conclusão uma nova fábrica de componentes electrónicos de origem francesa, temos uma unidade de confecções que se vai deslocalizar de Barcelos, temos uma outra de injecção de plásticos, estão a instalar-se outras nas áreas da climatização e frio, mobiliário e componentes para construção.

P - Não há problemas de desemprego em Vila Verde?
R - A taxa de desemprego é inferior à nacional.

P - No seu discurso de tomada de posse falou de “um dinanismo económico sem precedentes” nos últimos quatro anos. Esta linha de crescimento vai manter-se?
R - Estou claramente convencido que este novo ciclo de industrialização do concelho não vai parar nos próximos anos, a não ser que o país inverta completamente a dinâmica que está a acontecer. Os projectos que estão no terreno estão calendarizados para serem desenvolvidos até 2020. Vai haver muita criação de emprego.

P - A seca está aí com grande intensidade. Vila Verde pode vir a ter problemas de abastecimento público?
R - Verificamos este ano que muitas nascentes que abasteciam algumas pessoas desapareceram. Apesar de tudo, não se registou este ano nenhuma quebra no abastecimento de água. A nossa rede, que tem por base o rio Homem e algumas nascentes, nunca teve quebras. Fizemos um grande investimento na captação do rio Homem. Durante o ano de 2016 aumentámos a nossa capacidade de captação e de tratamento em mais de 30%. Conseguimos aguentar todos os consumos durante este ano. Nas nascentes poderá ter acontecido alguma diminuição dos caudais. Numa circunstância ou outra de picos de consumo houve necessidade de fazer algum reforço. Os problemas aconteceram essencialmente em algumas freguesias em que o abastecimento de água é feito de fontes locais e onde o consumo não é controlado através de contadores. Agora, a solução que me coloca é problemática. A médio prazo, se o clima se continuar a alterar da forma que está, poderemos ter alguns problemas com os caudais dos rios que poderão não ser suficientes para as necessidades do concelho. O investimento que fizemos foi essencial para manter este ano o concelho sem quebras no abastecimento.

P - Para este seu terceiro mandato anunciou como prioridades a requalificação dos centros de saúde de Vade, Pico de Regalados e Cervães. São investimentos assegurados pelo Município?
R - Neste mandato, as nossas prioridades assentam em quatro áreas: saneamento básico; requalificação urbanística em Vola Verde, Prado e outros centros cívicos; saúde e rede viária. Temos em execução ou em fase de procedimento cerca de sete milhões de euros de investimento na rede de saneamento básico. Na Educação, praticamente todos os edifícios que dependem do Município de Vila Verde já foram requalificados. O Município vai também concluir a requalificação das escolas básicas de Prado e Vila Verde, embora sejam edifícios do Ministério das Educação. Para os centros de saúde, também da responsabilidade do poder central, teremos de encontrar soluções. A requalificação da rede viária é fundamental para que todas as freguesias do concelho fiquem muito próximas das estradas nacionais e da sede do concelho.

P - Têm também em projecto um Centro de Artes e Espectáculos.
R - O projecto faz parte da requalificação urbana, através da recuperação do edifício da Adega Cooperativa. O processo está já no Tribunal de Contas para visto do contrato e se iniciar no mais curto espaço de tempo.

P - Sete milhões de euros na rede de saneamento básico é um investimento bastante volumoso.
R - Sim. É para atingirmos uma taxa de cobertura de 75%. O concelho é muito disperso, nunca será possível ter uma cobertura total. Os interceptores já foram todos concluídos, estamos agora a fazer a rede em baixa.

P - Com todos estes investimentos, espera manter o indicador de que Vila Verde é o concelho com a maior esperança média de vida, na casa dos 81 anos?
R - A estatística assim o diz. Poderá haver vários factores a explicar isso, mas a melhoria das condições de saúde poderá ser um deles. De alguns anos a esta parte, o concelho de Vila Verde tem cobertura total de médicos de família. Quer as unidades de saúde familiar, quer os centros de saúde têm tido uma acção fundamental na prestação de cuidados, tal como os nossos lares. Vila Verde tem uma rede de equipamentos sociais não comparável a muitos outros concelhos. Praticamente todos os lares são de última geração.

P - Recentemente, a  Câmara Municipal de Vila Verde aprovou a taxa mínima de IMI para 2018...
R - Desde que existe IMI, a Câmara sempre estabeleceu a taxa mínima. Algumas vezes, as pessoas questionam-me que outras câmaras baixam o IMI e a de Vila Verde não. É curioso que muitas pessoas não percebem que, desde sempre, Vila Verde tem a taxa mínima de IMI.

P - Este ano com bonificações para famílias com dois ou mais filhos.
R - Já o ano passado tínhamos bonificações.

P - Isso tem servido para atrair pessoas ao concelho de Vila Verde?
R - Julgo que sim. Não sabemos os resultados que virão do próximo recenseamento da população, mas nos últimos Vila Verde teve uma taxa de crescimento superior à taxa nacional. As pessoas encontram praticamente tudo o que precisam dentro do concelho. E aquilo que o concelho não pode fornecer está a dois passos de distância, em Braga. A modernização dos serviços municipais, parecendo que não, tem muita importância. Criámos cinco espaços cidadão.

P - Isso tem reflexos no dia a dia das pessoas?
R - Fomos o primeiro concelho do país a criar um espaço que agrega os serviços do Espaço Cidadão e os serviços do Município. Todos os serviços municipais estão disponíveis nesses balcões descentralizados na vila de Prado, na Ribeira do Neiva, na Portela do Vade e estamos a preparar agora um edifício para abrir no Vale do Homem. Temos a correr um projecto de desmaterialização total dos processos do Município.

P - Na próxima segunda-feira, dia 11, vai apresentar na reunião de vereação o plano de actividades e orçamento para 2018. Vai haver crescimento do orçamento?
R- Sim. O orçamento vai rondar os 36 milhões de euros.
P - Com muitos fundos comunitários?
R- Só o facto de termos muitos fundos comunitários é que nos permite fazer um plano desta dimensão. Temos fundos comunitários para a regeneração urbana, saneamento básico, requalificação das escolas e mobilidade sustentável. Estamos também a projectar uma intervenção na área da iluminação pública para a tornar mais eficiente.

P - Colegas seus têm-se queixado da escassez dos fundos comunitários, aguardando pela reprogramação do programa Portugal 2020. Está satisfeito?
R - Não. Normalmente os fundos comunitários não estão ajustados às necessidades dos municípios. Gostaríamos de ter fundos comunitários para apostar na requalificação da rede viária e noutro tipo de infraestruturas, nomeadamente desportivas, apesar de termos feito um grande investimento em 2015 e 2016 na criação de vários espaços desportivos. Como outros municípios gostaríamos de ter fundos comunitários que fossem de encontro a algumas necessidades: abastecimento de água, rede viária e novas zonas industriais. Temos de aproveitar aquilo que há e, por vezes, redefinir a nossa estratégia em função daquilo a que podemos recorrer. Para já temos um bolo muito razoável de fundos comunitários que estamos a começar a executar.

P - Há alguns anos falava-se de alguma assimetria entre o Norte e o Sul do concelho de Vila Verde. Conseguiu corrigir essa assimetria de desenvolvimento?
R - Essa assimetria não está corrigida. Procuramos minimizá-la através da criação de infraestruturas e serviços. Os projectos de desenvolvimento agrícola são essenciais. Estamos a apoiar a instalação de unidades industriais na zona Norte do concelho. Temos a perspectiva de criar
uma zona industrial na zona do Neiva, de forma a que haja um desenvolvimento integral do território.

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