Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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Alexandre Fonseca: Fibra óptica é arma para atrair novos investimentos
Braga atrai investimento graças à “cooperação” de todos os agentes

Alexandre Fonseca: Fibra óptica é arma para atrair novos investimentos

“Já é a escola que está a vestir a camisola do aluno”

Alexandre Fonseca: Fibra óptica é arma para atrair novos investimentos

Entrevistas

2019-11-30 às 10h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

Alexandre Fonseca, presidente executivo da Altice Portugal, esteve nos últimos dias no Minho a celebrar acordos com câmaras municipais para a expansão das redes de fibra óptica. Em entrevista ao Correio do Minho e Rádio Antena Minho, o gestor entende que esta infraestrutura constitui uma arma que as autarquias podem usar para a captação de novos investimentos. A comissão executiva da Altice apresentou em Braga o Programa Inclui, através do qual se pretende facilitar a comunicação a cidadãos com necessidades especiais. Alexandre Fonseca entende que uma das empresas que mais factura em Portugal tem obrigação de realizar investimento social com retorno a médio e longo prazo.

P - A Altice Portugal prevê investir 15 milhões de euros em 100 mil km de fibra óptica no Alto Minho, considerando que isso representa desenvolvimento económico da região. De que forma? A fibra óptica atrai outro tipo de investimento?
R - Sim, é verdade. A área da fibra óptica e das redes de nova geração tem sido um dos nossos focos de investimento. Temo-lo feito porque acreditamos que, em plena revolução digital, o acesso à conectividade e à fibra óptica é decisivo. Decisivo para as famílias e também para as empresas. Desde que iniciámos este projecto de infraestruturação do país, chegamos hoje a 4, 9 milhões de lares portugueses com fibra óptica. Quando chegamos a uma determinada região do país com este tipo de infraestrutura, aquilo que verificamos que há uma nova arma para os municípios atrairem novos investimentos. Tal como há alguns anos era importante haver estradas, haver electricidade ou haver saneamento, aquilo que hoje as famílias também procuram é ter rede, ter conectividade, ter fibra óptica para desenvolverem as suas actividades. Quando estamos com estas infraestruturas a captar investimento estamos também a fazer outra coisa: captar investimento significa criar emprego. Não nos podemos esquecer que alguns dos concelhos alvo deste investimento de 15 milhões de euros no Alto Minho são concelhos de interior e, nessa perspectiva, a criação de emprego significa também fixação de populações. Sabemos que há em Portugal um conjunto alargado de concelhos que sofrem o flagelo da desertificação. Nós acreditamos que além de apoiar o tecido empresarial e atrair investimento, a fibra óptica é também um instrumento importante para fixar populações. Esse é o nosso contributo para desenvolver a economia dessas regiões.

P - Arcos de Valdevez, Melgaço, Ponte de Lima, Viana do Castelo e Caminha são contemplados neste pacote de investimento da Altice, aproximando-se de taxas de cobertura quase totais de fibra óptica. No restante distrito de Viana do Castelo qual é a situação?
R - Este é um trabalho que anunciámos nestes concelhos, mas o nosso projecto é de nível. Nós anunciámos, em Setembro de 2015, um projecto que visava, até ao final de 2020, chegar a 5,3 milhões de lares portugueses. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, 5,3 milhões de lares significam praticamente a totalidade da população portuguesa. A nossa expectativa é que, no próximo ano, quando terminarmos estes 5,3 milhões de lares, teremos, provavelmente, Portugal como o primeiro país europeu a ter 100% da sua população servida por fibra óptica.
Também na região do Alto Minho, este é um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido. Hoje, a esmagadora maioria dos concelhos tem taxas de cobertura superiores a 75, 80 % e a nossa convicção é que, no final do ano de 2020, teremos cobertura que estarão muito próximas dos 100%.

P - A rede da Altice cobrirá praticamente todo o território nacional?
R - Sim. São os 5, 3 milhões de lares que nós prevemos cobrir até ao final do próximo ano.

P - No caso do distrito de Braga, a taxa de cobertura também é elevada?
R - Sim, a taxa de cobertura nesta região anda à volta dos 80, 85%. Claro que há concelhos como Braga que têm uma cobertura um pouco mais alargada

P - Diz que os investimentos da Altice não se ficam por zonas comercialmente apetecíveis. Tratando-se de uma empresa privada, porquê o investimento em zonas de baixa densidade como são alguns concelhos do Alto e Baixo Minho?
R - Além desses concelhos, destacar o projecto que fizemos o ano passado de cobrir com rede móvel o Parque Nacional da Peneda Gerês. Setenta por cento do Parque tem hoje rede móvel. Ou o investimento que fizemos para levar a fibra óptica às aldeias históricas da Beira Interior e ao Maçico Central da Serra da Estrela. Estes investimentos são importantes para nós porquê? Somos uma das maiores empresas do nosso país em facturação, somos um dos maiores empregadores do nosso país, com 22 mil pessoas que colaboram directamente com o nosso grupo e temos uma liderança inequívoca em todas as nossas áreas de actividade. Nós acreditamos que esta liderança tem de significar também a capacidade de devolver à sociedade um pouco desta confiança que os portugueses e as empresas nacionais nos dão. Essa confiança tem de ser compensada com investimento que nós entendemos que não terá um retorno necessariamente económico, mas que é um retorno social. Nós acreditamos numa estratégia de longo prazo, o que significa que alguns destes investimentos que estamos a fazer em alguns locais não terão um retorno imediato, não é um retorno a um ou a dois anos como é noutros locais, será um retorno muito alargado. Aquilo com que nós estamos a contribuir nesses locais de baixa densidade para a fixação de empresas e para o desenvolvimento da economia, vai fazer com que elas cresçam. Se essas regiões crescerem, Portugal vai crescer. Estamos no mercado e não nos podemos esquecer que a actividade da Altice Portugal está ligada ao mercado de consumo. Se cresce a economia, cresce o poder de compra dos portugueses e crescem também os resultados de empresas como a Altice Portugal. É um investimento que fazemos de longo prazo, contribuido também para a sustentabilidade do crescimento económico no nosso país.

P - Diz que cobriram 70% do Parque Nacional da Peneda Gerês com rede móvel. Poderá a Altice Portugal replicar aqui um projecto idêntico ao das Aldeias Históricas de Portugal?
R - São projectos diferentes. O do Parque Nacional da Peneda Gerês foi uma iniciativa do ministro do Ambiente, Pedro?Matos?Fernandes, que nos lançou o repto e a outros operadores, bem como à EDP, de fazermos um co-investimento, que permitisse dotar o Parque dessa rede. Mais por razões de segurança dos turistas e ambiental, pelo que mereceu o envolvimento do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas. O projecto do Maçico Central da Serra da Estrela foi uma aposta nossa, com o qual cobrimos seis concelhos e cerca de 50 freguesias com fibra óptica em zonas de muito baixa densidade populacional como Manteigas, Fundão, Seia ou Oliveira do Hospital. Foi o tal investimento de médio e longo prazo. Fizemos um protocolo com as 12 Aldeias Históricas da Beira Interior e estamos neste momento a analisar a potencialidade das Aldeias de Xisto. Estamos sempre disponíveis em colaborar, preferencialmente em parceria com os municípios e as comunidades intermunicipais que agregam necessidades e desafios mais abrangentes. Estes contactos vão trazer mais projectos de investimento, mas também projectos de inovação. Temos falado com os presidentes de câmaras municipais naquilo que tem sido a descentralização da inovação, o trabalho que temos feito com as universidades e os institutos politécnicos. A Universidade do Minho é um bom exemplo de colaboração através do projecto Altice Labs. Queremos elevar a capacidade de termos laboratórios colaborativos espalhados pelo país para que desenvolvam tecnologia ‘made in’ Portugal que a Altice exporta. É bom termos presente que a engenharia portuguesa é das mais evoluídas do Mundo. A Altice Labs, sediada em Aveiro, exporta tecnologia portuguesa que chega a 40 países em cinco continentes e que é utilizada diariamente por 250 milhões de pessoas.

P - A Altice distribuiu esta semana ‘tablets’ em alguns agrupamentos de escolas da região minhota. O que representa o programa de promoção da literacia digital?
R - Sabem que a Educação é dos eixos que a Altice mais tem trabalhado. Nós acreditamos que o futuro de Portugal será tanto melhor e mais forte quanto nós formos capazes de dotar de competências digitais os nossos jovens. Dentro de 10, 15, 20 anos, os jovens serão os líderes deste país, serão os futuros autarcas, empresários e gestores. Não podemos, de forma nenhuma, deixar que a nossa comunidade estudantil não esteja, desde idades muito jovens, em contacto directo com a tecnologia e que não desenvolva as suas competências digitais de forma nativa. Portugal é um país a duas velocidades neste aspecto. Por um lado, as universidades

portuguesas têm feito um trabalho extarordinário na formação em competências técnicas avançadas, mas também sabemos que no ensino básico e no ensino secundário, infelizmente, há muitas escolasa que, por falta de capacidade, mas também por falta de vontade, não têm sido capazes de levar a tecnologia e a transformação digital a toda a comunidade. Reparem que eu falo em toda a comunidade e não apenas dos alunos. Para que seja efectivo este contacto com as tecnologias é preciso envolver pais, professores e auxiliares. É preciso envolver todos. A melhor forma que encontrámos para criar este caminho de desenvolvimento das salas de aula do futuro foi entregar um conjunto de ‘tablets’, que não são apenas ‘tablets’, mas que vêm acompanhados de uma plataforma digital de um dos nossos parceiros, a Leya, que permite aos alunos o acesso a conteúdos educativos, vídeos tutoriais e exercícios feitos ‘on line’. No fundo, uma réplica da sala de aula num ambiente digital e inclusivo, com a certeza de que as competências digitais estão a ser potenciadas. Foi isso que fizemos de Sul a Norte do país. Fizemo-lo em Olhão, em Penafiel, agora em Caminha e Ponte de Lima. É um trabalho que temos vindo a fazer numa multiplicidade de locais do país, porque acreditamos que o mesmo é
fundamental para que as crianças tenham contacto com as tecnologias. Não só as crianças, mas também os professores.

P - Como é que os agrupamentos de escolas podem chegar ao programa de promoção da literacia digital?
R - Tem sido, essencialmente, através das autarquias. Nós temos desafiado algumas, algumas têm-nos desafiado a nós.

P - O investimento é só da Altice?
R - O que temos feito é doar estes equipamentos e aquilo que se tem verificado é que houve municípios em Portugal que decidiram adoptar isto de forma massiva. O caso mais paradigmático talvez seja o do Município de Olhão, que decidiu atribuir a todos os alunos do Ensino Básico um ‘tablet’. Obviamente que esta plataforma está a escalar e está a chegar ao Ensino Secundário e a mais e mais alunos. É um exemplo prático de uma parceria que começou pela Altice e que depois se desenvolveu por uma relação comercial, por exemplo, com o Município de Olhão.

P - O Tribunal de Contas chumbou o prolongamento do contrato que mantém mais de oito mil cabines telefónicas em Portugal. Que desenvolvimento vai ter este processo?
R - A Altice Portugal está tranquila. Competirá ao Governo tomar uma decisão sobre esse chumbo. Tanto quanto sei, haverá um recurso. O que é importante salientar é que o regulador decidiu que o serviço de postos públicos é desnecessário em Portugal. Disse-o porque não conhece a realidade. As 8 222 cabines do serviço público são utilizadas para fazer mais de três milhões de chamadas por ano. É preciso saber onde estão essas cabines: estabelecimentos prisionais, lares, centros de dia, escolas, em locais onde os cidadãos não têm acesso a outro meio de comunicação. Era bom que o senhor regulador conhecesse estes locais onde eu tenho estado e conhecesse a realidade dos portugueses que utilizam essas cabines

P - A Altice Portugal apresentou em Braga o novo Programa Inclui, apontado como o mais complexo projecto de apoio à comunicação através das tecnologias. O que representa na prática?
R - É um programa que, através de um conjunto de plataformas tecnológicas e aplicações, garante a pessoas com necessidades especiais, profundas em alguns casos, formas de comunicar. Como é que isto se traduz na realidade? Com a utilização de tecnologia, muita dela fabricada em Portugal. Conseguimos que pessoas com incapacidades superiores a 60% possam ter uma vida dita normal, uma vida melhor através da tecnologia. Dou dois ou três exemplos. O ‘Magic Eye’ é um computador que permite a pessoas tetraplégicas, que não mexem nenhum dos seus membros, controlar um computador única e exclusivamente através do movimento dos olhos. O ‘Magic Contact’ permite a quem tem mobilidade reduzida usar um teclado virtual. O ‘Audio Zapping’ permite mudar de canal e interagir com um computador através de ordens de voz. É este tipo de plataformas que estão no Programa Inclui que permitem facilitar a vida das pessoas.

P - São tecnologias já disponíveis?
R - Todas disponíveis. Há várias dezenas de pessoas já a utilizá-las. Nos últimos anos, duplicámos o número de pessoas que estão a desfrutar deste tipo de tecnologias e continuamos a trabalhar junto de instituições particulares de solidariedade social para que essas ajudas sejam canalizadas. Em Braga, testemunhámos ao vivo a forma como essas tecnologias melhoram a vida das pessoas.

P - São ainda tecnologias caras para os seus utilizadores. De que forma o Programa Inclui facilita o acesso?
R - De três formas. Através de uma subsidiação directa que pode chegar aos 70%. As soluções mais complexas podem custar vários milhares de euros. Em alguns casos, fruto de parcerias com instituições, estas podem assumir os restantes 30%, pelo que os equipamentos chegam aos seus utilizadores sem qualquer custo. Por fim, o Programa Inclui vai permitir que qualquer cidadão com mais de 60 % de incapacidade, se apresente numa loja com o respectivo atestado e possa comprar os serviços MEO com descontos, que podem ir até aos 50%.

P - Este é um processo em contínuo? A Altice vai melhorar as soluções para cidadãos com necessidades especiais e encontrar outras novas?
R - Absolutamente. As tecnologias mudam todos os dias, como sabemos. Esse tem sido um trabalho dos nossos laboratórios e das nossas parcerias. Este é um dos eixos estratégicos da Fundação Altice. Claramente, a resposta é sim.

P - Esta é uma área desenvolvida pela Fundação Altice, que terá outras áreas de actuação...
R - Um dos grandes eixos de actuação da Fundação Altice tem sido a tecnologia ao serviço das pessoas. Depois, a Cultura, onde o projecto Cabine de Leitura tem sido um exemplo, que não é mais do que transformar uma antiga cabine telefónica numa pequena biblioteca aberta à população para a troca de livros. A Fundação Altice é também detentora de uma das maiores colecções de arte contemporânea em Portugal, que retirámos dos armazéns e colocámos ao serviço da população. Em Vieira do Minho, temos tido uma série de exposições que permitem a muitas pessoas que nunca tiveram contacto com uma peça de arte beneficiar de uma visita guiada. Outra área de actuação é a Educação, na qual temos vindo a trabalhar com a Khan Academy, que é considerada a melhor plataforma mundial de ensino digital. A quarta área de actuação da Fundação Altice é a portugalidade, o estímulo da língua e da cultura portuguesas.

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