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Agrupamento Francisco Sanches está a apoiar 30 agregados com bens alimentares
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Agrupamento Francisco Sanches está a apoiar 30 agregados com bens alimentares

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Agrupamento Francisco Sanches está a apoiar 30 agregados com bens alimentares

Braga

2020-05-28 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

São mais de duas centenas de pessoas apoiadas pelo movimento solidário gerado no seio dos professores do agrupamento que contribuem com bens alimentares, sobretudo frescos, que já se traduz na entrega de 30 cabazes por semana.

O Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Sanches está a apoiar cerca de 30 agregados familiares com géneros alimentares.
São mais de 200 as pessoas a quem, semanalmente, é entregue um cabaz que se distingue pelos produtos frescos que o compõe. Estamos a falar, entre outros bens, de carne, fruta, legumes, ovos, queijo ou fiambre, géneros que geralmente não são encontrados nos cabazes entregues pelas instituições de solidariedade social e que, por isso, constituem um precioso complemento em tempo de dificuldades.

A ideia partiu do GAFF - Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família do agrupamento, que conhece bem a realidade das famílias deste território educativo, e rapidamente contou com a adesão dos professores do agrupamento - nos quais se incluem também muitos docentes já aposentados - que se têm mobilizado para ‘alimentar’ este apoio através da doação de alimentos que são entregues todas as terças-feiras na escola-sede do agrupamento.
Até à data já foram entregues 90 cabazes, cerca de 30 por semana, um número dantesco se pensarmos que estamos a falar de um movimento informal no seio de uma comunidade educativa.
“Têm aparecido muitas situações de pessoas que perderem o emprego ou que estão em layoff”, revela ao CM o director do agrupamento, Arlindo Sousa, adiantando que apesar da mobilização dos docentes “não conseguimos abranger todas as pessoas. A procura é maior do que a oferta”.

São as psicólogas e assistentes sociais que integram o GAAF que sinalizam os casos mais prementes para receber este apoio.
“Devido os efeitos da pandemia começamos a receber pedisos de ajuda”, revela ainda Gastão Veloso, membro a direcção da Francisco Sanches, que tem sido também o fio condutor deste movimento solidário que se gerou neste agrupamento.
Gastão Veloso dá conta que num primeiro momento o agrupamento decidiu solicitar apoio ao Banco Alimentar e às grandes superfícies. “Estas entidades devem estar ‘afogados’ em pedidos e, por isso, a resposta tardou em chegar”, comenta o dirigente, acrescentando que foram os docentes que decidiram arregaçar as mangas para apoiarem directamente estas famílias. “Estamos a alimentar este apoio internamente, não publicitamos qual- quer campanha”, diz Gastão Veloso.

“Todas semanas, depois de distribuirmos os cabazes, fazemos umas fotografias e enviamos para as pessoas saberem que os seus donativos foram entregues, alimentando a ideia”, diz o dirigente, reiterando que o movimento solidário é sustentado essencialmente “com a prata da casa”, sem qualquer publicitação externa, “para termos certeza que estamos a ajudar as pessoas que mais precisam”.
Além dos alimentos, muitos docentes, sobretudo os que estão aposentados, contribuem também para a causa com donativos monetários, evitando os riscos inerentes a uma deslocação à escola.
“Durante a semana vão entregando alimentos não perecíveis. Os produtos frescos são entregues na segunda-feira ou na terça de manhã porque os cabazes são entregues à terça-feira de tarde”, explica Gastão Veloso, dando conta da dinâmica deste movimento.

O responsável destaca a particularidade destes cabazes que são constituídos essencialmente por produtos frescos. “No Banco Alimentar, assim como em outras instituições, as pessoas vão conseguindo a massa, o feijão, o arroz. Nestes estamos a colocar produtos um pouco diferentes como o frango, umas febras, um pouco de queijo, um pouco de fiambre, fruta, legumes, iogurtes, ovos. O que não quer dizer que não coloquemos também a massa, o arroz ou as bolachas”, revela ainda o dirigente da Francisco Sanches, indicando que a preferência de muitos docentes em doarem dinheiro vai no sentido de se comprar produtos mais frescos que os beneficiários não encontram tão facilmente em outros locais.
“O maior trabalho é mesmo a divisão do bens porque temos agregados familiares numerosos, alguns com nove pessoas, outros com seis, cinco elementos. É necessário fazer cabazes proporcionais ao número de elementos por agregado”, diz ainda Gastão Veloso, acrescentando que nos bens entregues às famílias estão ainda produtos da própria escola cujo prazo de validade termina em Agosto, nomeadamente o leite achocolatado, alguns chocolates ou o leite.

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É mais um reflexo do apoio que o agrupamento - neste caso em articulação com a Direcção-Regional de Educação - presta às famílias numa altura em que muitos agregados se deparam com perdas totais ou parciais de rendimentos. Sessenta e oito alunos do Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Sanches estão a recorrer ao serviço de refeição. “É um número bastante elevado e a tendência é para aumentar”, reconhece o director do agrupamento, Arlindo Sousa, adiantando que o serviço é fornecido em regime de takeaway com entregas na EB 2,3 Francisco Sanches e na EB1 da Veiga, numa tentativa de aproximar o serviço aos alunos e evitar deslocações.
Apesar de ter registado solicitações para o fornecimento de refeições logo que a cantina fechou por causa da pandemia, a a verdade é que o medo do contágio acabou por afastar os alunos deste serviço.
“Quando se iniciou o processo de desconfinamento, as pessoas voltam a manifestar interesse”, complementa Gastão Oliveira, membro da direcção do agrupamento, acrescentado que este apoio é articulado com a Direcção-Geral da Educação.
Recorde-se que o serviço de refeições estava inicialmente direccionado para os alunos do escalão A, sendo posteriormente alargado também aos alunos do escalão B.

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