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Entrevistas

2014-06-19 às 06h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

Abílo Vilaça, presidente da Associação de Desenvolvimento Regional do Minho , destaca que o artesanato certificado é uma fonte de rendimento para cerca de 400 pessoas na região. A ADERE-MINHO é, desde a semana passada, a única entidade certificadora neste sector.

Citação

P - A Adere-Minho passou recentemente a estar acreditada para certificar produtos artesanais. Em termos práticos, o que é que isso representa para um artesão?
R - Para nós, é mais etapa numa construção que fomos iniciando há 24 anos A Adere-Minho passou a ser um organismo certificador. Das 750 entidades que no nosso país estão acreditadas como organismos certificadores, a Adere-Minho é a única que certifica artesanato com todos os mecanismos e o estatuto dado pelo Instituto Português da Acreditação. Um produto certificado é uma garantia para o mercado, é um produto que respeita um conjunto de regras que são as mesmas para todos os produtos com a mesma designação.

P - Mas esse trabalho já era feito pela Adere-Minho em relação aos lenços de namorados, olaria e figurado de Barcelos e bordados de Guimarães e Viana do Castelo...
R - Nesses cinco produtos já o fazíamos. O que temos agora é a possibilidade de accionarmos mecanismos legais de combate ao crime económico quando houver distorção de mercado.

P - O artesanato é um sector onde se compra muito ‘gato por lebre’?
R - O país precisa de uma qualificação nesta área. Portugal tem quase 100 mil artesãos. Com cartão de artesão só haverá cerca de 2 500. No que o Minho é exemplar é permitir que os nossos cinco produtos estejam protegidos do ponto de vista de quem os produz.

P - Os artesãos têm a obrigação de procurar a certificação?
R - Tanto mais que ela é gratuita. É um processo que obriga a fazer bem feito, que obriga a fazer um produto de acordo com as regras ancestrais.

P - A Adere-Minho tem trabalhado também na capacitação de quem quer ser artesão?
R - A Adere-Minho é a entidade que mais artesãos introduziu na base da carta de artesão. O Minho é a região do país com mais artesãos com carta. Devemos ter no Minho mais de 1 200 artesãos com carta. Não é por acaso que temos solicitações de outras regiões. Por exemplo: o tapete de Arraiolos. Estão a pedir-nos essa certificação. A cestaria da Junça da Beselga de Penedono está também com o caderno de especificações feito. A renda de bilros de Vila do Conde tem também caderno de especificações feito. O traje à vianense está em fase de conclusão. O bordado das Terras de Sousa e a olaria de Bisalhães têm também cadernos de especificações já feitos. E estamos com outros processos de certificação aqui em Braga. Braga poderá ter um verdadeiro ‘cluster’ dos cordofones com produtos certificados. A viola braguesa, para não falar do cavaquinho, que é usado por mais de 300 mil pessoas no mundo inteiro.

P - Este é um processo que a Adere Minho vai tomar em mãos?
R - Convidámos a Câmara de Braga a assumir estes dois produtos: a viola braguesa e o cavaquinho. Mas não gostaríamos de ficar por aqui. O que gostaríamos é que estes instrumentos pudessem ser a base de constituição de novas empresas. A certificação é o elemento de encorajamento. Um dos principais empregadores do Minho chama-se artesanato certificado. Há mais de 400 pessoas que vivem do artesanato certificado do Minho.

P - Vivem com rendimento?
R - Vivem com rendimento regular a partir do artesanato certificado. O artesanato certificado é um suporte ao turismo. A nossa gastronomia, que é única, também merece ser garantida e certificada. Tudo isto tem um potencial enorme que nos diferencia.

P - O apoio ao artesanato tem sido olhado pelas entidades oficiais como algo capaz de potenciar alternativas de emprego?
R - Tem havido uma grande evolução. Estamos à espera da publicação de nova legislação que permita que o artesanato seja registado não como um produto industrial, mas de uma forma mais adequada. Tem havido uma leitura mais moderna daquilo que é o artesanato, já não a visão do artesanato como os restos de coisas. Hoje há cada vez mais gente qualificada agarrada aos produtos artesanais. Os últimos governos têm tido algum carinho para com o artesanato.

P - E o poder local? As câmaras têm a preocupação de defender o artesanato certificado?
P - Veja o que fez Barcelos ao registar a olaria e o figurado, ou os casos de Guimarães e Viana do Castelo que registaram os bordados. Perceberam que têm que estar na dianteira na certificação dos seus produtos artesanais, sob pena de serem deturpados.

P - Os cinco produtos certificados pela Adere-Minho têm sido uma alavanca da economia local?
R - Estes produtos da cultura popular estão estruturados e organizados e têm vindo a contribuir activamente para o pecúlio de muitas famílias. Os bordados de Viana do Castelo são, inclusive, um produto exportador, na medida em que é agarrado pelo turismo.

P - Os lenços de namorados não o são?
R - É um produto com um potencial tremendo.

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