Correio do Minho

Braga,

Zelar pelo que é de todos

A vida não é um cliché

Ideias

2014-09-03 às 06h00

Pedro Machado

Um dos fatores que aponta um país como desenvolvido é o civismo dos seus habitantes.
Senão vejamos: os países mais desenvolvidos e com melhor qualidade de vida são os países nórdicos. Nesses países assiste-se a um grande civismo da população, a um cumprimento das regras instituídas como sendo o comportamento normal.
O que será preciso acontecer para que se verifiquem estas atitudes em Portugal? Como poderemos querer um Portugal mais desenvolvido se continuamos a assistir a situações incríveis de falta de civismo e respeito pelo outro?

A Braval, desde o início da sua criação, tem vindo a desenvolver esforços cada vez maiores para dotar toda a sua área geográfica abrangida pelo sistema intermunicipal, das melhores infra-estruturas de recolha de resíduos recicláveis, para que a desculpa muitas vezes usada para a não separação de resíduos, “Não ter ecoponto perto”, não possa ser utilizada. Recentemente, foi colocado um ecoponto junto do Estádio AXA, numa acção concertada com o Director Geral do Sporting Clube de Braga. Trabalhamos em estreita parceria com todas as instituições, organizações, associações, juntas de freguesia, no sentido de atingir a melhoria da qualidade de vida ambiental dos nossos utentes.

E, de repente, como tão na moda está, levamos um banho de água fria, sempre que um ecoponto é incendiado ou vandalizado, como aconteceu recentemente com o ecoponto localizado junto ao Estádio 1º de Maio, que era utilizado tanto pelo S. C. Braga como pelo ABC.
Nós temos as infra-estruturas e sistemas de recolha de resíduos dos mais desenvolvidos do mundo mas temos de os preservar. Não há país que consiga prosperar se se continuar a destruir o que com tanto esforço se constrói.

Para além de preservar os equipamentos há que respeitar as regras de boa utilização dos mesmos. Continuamos a assistir a colocação de resíduos fora de contentores, fora de horas ou dias próprios para a recolha e, o mais grave e revoltante, a colocação de resíduos indiferenciados nos ecopontos, contaminando os resíduos recicláveis que outros tiveram o cuidado de separar. Estimamos que cerca de 20% dos resíduos recolhidos nos ecopontos são refugo, ou seja, não servirão para reciclar pois não são recicláveis ou ficaram contaminados por resíduos que indevidamente foram colocados no ecoponto.

Aqui reside a raiz do problema, temos um serviço eficiente, temos todos os meios à disposição, mas se não são usados como devem ser, não podemos ser bem sucedidos.
No caso de Braga, a recolha é excelente, no centro urbano, é realizada diariamente, com exceção do domingo.

É rara a cidade europeia onde isto acontece! Se temos este privilégio, qual é a necessidade de colocar os resíduos na rua fora do horário devido, colocá-los junto aos ecopontos ou, mais grave ainda, colocar os resíduos indiferenciados no ecoponto? Será assim tão complicado guardar os resíduos em casa por mais algumas horas? Será assim tão complicado separar as embalagens e não colocar qualquer resíduo indiferenciado nos ecopontos que é um contaminante?

Enquanto em Portugal reinar o “chico-espertismo” e o “salve-se quem puder”, dificilmente chegaremos a ter e a ser um país desenvolvido pois a educação e o civismo estão na base de tudo.
Normalmente, diz-se que os grandes culpados do que está mal no nosso país são os outros, mas por vezes acabamos a fazer igual! Toda a gente sabe exigir os seus direitos mas esquece muitas vezes os seus deveres.
Há uma frase que diz “Se cada um varresse a frente da sua casa, o Mundo seria mais limpo!”
Ajude-nos, ajudando-se!

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