Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Zangam-se as comadres…

Uma carruagem de aprendizagens

Ideias

2017-04-11 às 06h00

Jorge Cruz

A coligação ‘Juntos por Braga’ já não consegue ocultar as fortes discordâncias entre alguns dos seus membros pelo que os sinais do clima de desconfiança começam a notar-se, mesmo em actos públicos. Um dos mais recentes teve como protagonistas Rui Morais, administrador executivo da Agere e um dos vice-presidentes da Comissão Política concelhia do PSD, e Altino Bessa, vereador e presidente da Distrital do CDS-PP.
Indiferente a quem os rodeava - alguns eleitos de executivos de juntas e outros responsáveis municipais -, o dirigente social-democrata não se coibiu de proferir acusações de extrema gravidade à equipa municipal do Ambiente a qual, como se sabe, é titulada precisamente pelo líder do CDS-PP.

Aparentemente, até esse momento tudo estaria a decorrer com urbanidade, mas algumas observações críticas do vereador comunista Carlos Almeida sobre eventuais abusos na utilização de painéis publicitários tiveram o condão de incendiar os ânimos.
Almeida terá expresso surpresa pelo facto de a Via Sacra de Maximinos, que foi coordenada pelo também alegado responsável pela publicidade na autarquia, ter colocado no terreno uma vistosa campanha publicitária. A estranheza decorre, não apenas do custo elevado mas também da coincidência de utilizar os painéis da empresa que ganhou recentemente uma rede de outdoors em Braga. Curiosamente, e ao que nos foi referido, Altino Bessa não terá manifestado qualquer desconforto com este desabafo do seu colega na vereação.

O problema surgiu depois, com a intervenção do administrador da Agere, o qual, e perante a estupefacção dos presentes, não só aquiesceu à análise crítica do eleito da CDU como foi mais longe, falando em situações “bem piores” antes de dirigir incriminações de extrema dureza à equipa do Ambiente, algumas referentes a actos que podem mesmo roçar a esfera criminal.
Em concreto, Morais acusou o pelouro do Ambiente de ter retirado a sinalética indicativa de unidades de restauração e hotelaria e de “fazer negócio” com outra empresa que tem estado a ser promovida junto dos referidos estabelecimentos. A título de exemplo, referiu o nome de uma dessas unidades que, segundo disse, terá recebido a visita de responsáveis autárquicos, entre os quais o próprio Altino Bessa, que negou de imediato a sua participação nesse encontro.

Claro que, nestas circunstâncias, as vozes dos dois responsáveis da coligação subiram de tom destacando-se momentaneamente dos restantes comensais - é do almoço de inauguração da Agro que estamos a falar. Feio, muito feio mesmo, até porque ainda foram audíveis algumas das derradeiras palavras de Rui Morais: “não me faças falar”.
Pelos vistos, as desavenças - inegáveis, como ficou perfeitamente claro - já começam a extravasar as paredes dos gabinetes e com uma tal dureza que não auguram um futuro risonho para a coligação. Afinal, parece que não são apenas as questões internas no CDS a atrapalhar a coligação de direita. Deverão juntar-se-lhes as rivalidades que frequentemente perpassam nas hostes dos eleitos do PSD, bem como, agora, os problemas na própria (des)união. Conclui-se, portanto, que também aqui Ricardo Rio se defronta com três tipos de problemas - os meus, os teus…e os nossos.

E tudo isto acontece praticamente em vésperas de novas eleições autárquicas, ou seja, a poucos meses de os eleitores serem chamados a escrutinar um mandato que prometia muito, mas que se veio a revelar francamente frustrante. A desilusão é, de facto, enorme e tem-se vindo a alargar a enormes franjas dos próprios apaniguados da actual solução governativa municipal, como de resto tem sido público e notório. Todos lastimam a inversão de prioridades, que corresponde à opção popularucha de privilegiar a política-espectáculo em detrimento das políticas públicas, afinal aquelas que verdadeiramente interessam às populações. Um mandato que, desse ponto de vista, corresponde à perda de quatro anos.

Pela inércia do executivo em áreas sensíveis e com reflexos directos na qualidade de vida dos bracarenses e, principalmente, pela ausência de medidas criteriosas de intervenção, nos casos em que a Câmara decidiu envolver-se. Foram quatro anos de passividade, quatro anos de quietude em matérias que integravam o longo rol de promessas eleitorais de 2013. E a lista de incumprimentos é imensa.

Vejam-se os tristes exemplos do parque eco-monumental das Sete Fontes, do fundo de investimento imobiliário de apoio à renovação urbana do centro histórico e do interface de transportes na envolvente da estação ferroviária, todos eles promessas que não passaram do papel. Como também o são, entre outras, a (não) intervenção na antiga fábrica Confiança, a (não) criação do museu da cidade, bem como de espaços museológicos específicos nos domínios etnográfico, teatral e da arte sacra e, de um modo geral, a recuperação do património edificado para a instalação de valências culturais e sociais de usufruto público.

Ou seja, para concluir e porque não quero tornar-me fastidioso, o executivo de Ricardo Rio prometeu muito, jurou que iria operar mudanças significativas no “modus operandi” da gestão municipal, desde logo com maior diálogo com os eleitores e, afinal, o que se vê pouca correspondência tem com tais intenções.
Bastará, talvez, lembrar a propósito que Rio havia prometido incorporar “práticas participativas” em ordem a “promover um constante contacto entre a sociedade civil e os representantes políticos”, para o que também prometeu adoptar “uma estratégia de comunicação ativa e transparente acerca das posições politicas tomadas”. A realidade, contudo, é bem diferente como se viu, por exemplo e só para citar os casos mais recentes, na quinta das Portas e na Rua 25 de Abril. Bem prega Frei Tomás…

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