Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Voluntariado e a Educação não formal

Pecado Original

Ideias Políticas

2014-12-09 às 06h00

Francisco Mota

Na passada semana foi celebrado o dia Internacional do Voluntariado, daquilo que é a minha experiência na área social e associativa é necessário trazer ao debate público as diversas formas de valorização do voluntariado enquanto modelo educativo.

A educação não formal, a aprendizagem ao longo da vida e o voluntariado são vitais para a formação dos mais novos enquanto futuros profissionais. É dito e reconhecido em diversos fóruns de educação que a melhor escola é a “escola da vida”, enquanto complemento à vida na escola. Acredito profundamente que a educação formal, dada pelo modelo lectivo, dá aos Homens e Mulheres do futuro as competências científicas e técnicas no exercício das suas funções deixando no ar uma grande questão: como se preparam os nossos jovens para a vida?

Como referi anteriormente, a escola parece persistir, mesmo que com alguns sinais em sentido contrário, ainda numa postura muito eloquente visando quase em exclusivo a escolarização deixando as restantes dimensões educativas para as famílias e as comunidades. Como parece ser hoje evidente, a escola, a família e a comunidade através dos mais diversos movimentos associativos, todas são instituições com funções educativas, que devem manter diálogos permanentes e complementares no percurso educativo das nossas crianças e dos nossos jovens.
Por mais que reconheçamos a importância da Educação não formal, no voluntariado e no associativismo, também não podemos cair na demagogia que esta é possível adquirir através de uma qualquer licenciatura. Agora, o caminho da valorização destas competências deve estar presente em cada Universidade e em cada percurso académico como tem vindo acontecer em algumas instituições superiores, como recentemente foi tornado público uma cadeira na área do voluntariado na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Mas por mais que estes sinais nos encham de entusiasmo não nos podemos esquecer que a solidariedade não se ensina no tradicional plano curricular, daí o seu modelo não formal. A solidariedade e o voluntariado aprende-se. E aprende-se praticando com a vivência em comunidade e com o desprendimento de se dar aos outros. Em suma, ou se é ou não se é solidário e isso é que deve diferenciar os jovens.
Na minha opinião e como já o defendi por diversas vezes o nosso sistema de acesso ao ensino superior deveria ser revisto deixando de lado, como critério, exclusivo, de acesso ao ensino superior baseado nas notas curriculares. Devemos reflectir sobre um novo paradigma, como já acontece em diversos países europeus, ponderando a utilização de critérios relativos à educação não formal, voluntariado e participação social como elementos fundamentais, ou, pelo menos, a considerar no ingresso ao ensino superior. No actual modelo não nos é garantido que avaliação feita apenas em números, seja suficiente para garantir a competência de um bom profissional em determinada área.

A grande questão que fica no ar é se efectivamente têm tomado o caminho da valorização da educação não formal. Penso que têm sido dados sinais nesse sentido, basta vermos os projectos educativos das Eco Escolas, os programas de voluntariado nacional e europeu patrocinado pelo IPDJ e pela Agência “Erasmus+ Juventude em Acção”, entre outros programas e projectos que colocam os jovens cada vez mais a desenvolver competências fundamentais enquanto cidadãos participativos e preocupados com o seu futuro.

Para concluir, o fundamental é colocar em diálogo as diversas dimensões da designada educação não formal com a educação formal, projectando para o futuro uma reforma séria que possa valorizar as competências das nossas crianças, dos nossos jovens, das nossas instituições e sobretudo de cada profissional no exercício das suas funções.  

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