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Voz às Escolas

2010-09-13 às 06h00

Fausto Farinha Fausto Farinha

O eterno retorno, marca a nossa cultura, organiza o tempo em ciclos anuais, onde podemos recomeçar de novo e todos os grandes acontecimentos podem ser novamente (re)vividos. Temos o ano civil, o ano litúrgico, o ano escolar. No início de cada um destes ciclos, esperamos não repetir erros anteriores e estamos sinceramente convencidos que desta vez vai ser diferente. Reiniciamos o novo ciclo cheios de vontade de fazer melhor, de ultrapassar as limitações e corrigir os erros anteriores.

O início de um novo escolar abre todas essas possibilidades: nova escola, novos professores, novos colegas, novos livros… . A escola teima em manter-se como espaço que a maioria das crianças e jovens guardam no seu imaginário como lugar especial e onde o desejo de voltar e serem melhores permanece como grande capital que a mobilizar e enquadrar.

Os grupos de alunos que, muito antes da data de início “andam” pela escola e os que, de forma consistente, vão adquirindo o material escolar e informações daquilo que precisam, não resultam apenas da necessidade de ocupar o longo tempo das férias, mas também do entusiasmo de quem prepara algo fundamental das suas vidas e quer começar de forma diferente.

E, se isto acontece com a maioria das crianças e jovens, como pode a escola tornar-se para muitos, inclusive para os profissionais que nelas trabalham, num “sítio” tão desinteressante passado pouco tempo deste início de ano e os problemas parecem superar este encanto no regresso à escola?

Talvez porque, associado a esta ideia de iniciar um novo ciclo, está presente muita utopia, sem dúvida necessária, aliada à ideia de “paraíso perdido”, um tempo em que tudo foi diferente e melhor e recomeçar é sempre a possibilidade de reencontrar essa perfeição. Mas como esse tempo não existe e o dia a dia não perdoa, para que os pequenos e grandes problemas não nos coloquem a ver passar o tempo e a afastar-nos das acções que podem realizar os nossos objectivos, neste início de ano, em que tudo está em aberto, é importante organizarmos o nosso tempo, criarmos realisticamente condições para sonhar, trabalhar e viver.

Neste início de ano, é importante que se organize o horário do aluno e também o da família, dadas as implicações e interdependência dos mesmos.

No horário da família, é necessário prever tempo para que sejam contados episódios do dia a dia escolar, espontaneamente, ou na ausência de narrativas sobre a vida escolar, provocá-las deliberadamente, a par das histórias do emprego dos pais ou irmãos, ou dos casos de rua e evitar que o futebol e/ou a telenovela esgotem toda a disponibilidade e todo o tempo.
A escola e a vida de estudante têm exigências bastante complexas: horários, disciplinas ou programas que individualmente gostaríamos de deixar de lado.

Como não é uma actividade que resulta da espontaneidade e do simples gosto, é necessário desenvolver ”uma consciência apurada do tempo que têm para gastar nas diferentes actividades da sua vida. Um horário pessoal é sempre um plano de intenções, mas só o dia a dia pode confirmar a sua exequibilidade e o seu sentido de oportunidade”.( In Documento de trabalho do SPO da Escola Sá de Miranda, elaborado por Carla Magalhães) Assim, a organização do tempo é fundamental para o sucesso e a avaliação do horário e o seu reajustamento às tarefas deverá ser feito semanalmente. Até Robinson Crusoe, apesar de estar sozinho na ilha, estabeleceu um rigoroso horário de trabalho para cada dia, registando tudo num diário.

Ao terminar esta crónica uma palavra de apreço a toda a comunidade educativa, em especial aos que pela primeira vez escolheram esta escola e aos que nos deixaram, sabendo que entre a utopia e a realidade há um espaço grande de sonhos realizáveis que em conjunto vamos trabalhar.

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