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Vivências da infância

A Biblioteca Escolar – Um contributo fundamental para ler o mundo

Vivências da infância

Escreve quem sabe

2020-11-22 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Ser querido e estimado socialmente também é uma expressão de afeição. Ser querido e estimado não se circunscreve à família e aqueles que nos são mais próximos, mas sim , aos amigos, aos colegas de trabalho, aos vizinhos, aos conhecidos etc. Todavia, tem vezes que os nossos comportamentos mais que afastam do que aproximam pessoas. Há quem negue. Há quem não o admita, e até há quem o omita. Parte-se do pressuposto que é muito mais fácil reconhecer que o outro errou, do que nós mesmos. Quando se perde pessoas, seja em que circunstancias for, sofre-se muito. Independentemente do sentimento que possa desencadear, resulta sempre em alguma mudança, por mais pequena que seja. Convém realçar que só há verdadeira “mudança” quando a própria pessoa reconhece que “algo está menos bem”, ou “está tudo muito mal”. Quer-se com isto dizer, que caso a pessoa em questão, não valide para si, a mudança como importante e necessária , a vida mostrará mais perdas do que ganhos. As pessoas dão sinais quando se afastam. Quando “perdemos” pessoas na nossa vida, é importante perceber através da reflexão os comportamentos e ações que estamos a ter nas nossa relações interpessoais. O problema pode não estar efetivamente nas outras pessoas mas na própria pessoa. Embora, por vezes, não se aceite, a razão opina em alguns momentos “de lucidez emocional”. Não obstante, quem nunca refletiu, no que estaria a fazer de errado, para sucessivos acontecimentos negativos. Embora não se aceite…e até seja difícil se reconhecer, é-se sempre co – responsável nas relações humanas.É-se as marcas que se deixa nos outros e os outros em nós. Há falhas em que se reconhece no imediato, outras que não. Reflita sobre a sua personalidade e seja o mais honesto e verdadeiro consigo. É uma pessoa acessível para com as outras pessoas? Ou reconhece… que algumas vezes, é degradável com as pessoas e exige ser bem tratado por essas pessoas para quem foi rude?
É uma pessoa que tem a necessidade de, por onde quer que vá, de “se mostrar” ou “se evidenciar”? Ou reconhece…que se alguém tivesse essa postura superioridade em relação a si, quereria o mais longe possível? Quando se tem a necessidade de “se evidenciar “, a sua infância fala mais por si, que propriamente a fase atual em que está. Possivelmente infelizmente, nunca lhe reconheceram valor durante a infância e desenvolveu uma baixa autoestima e como consequência camufla a sua insegurança por via da narração dos seus sucessos.
É mandão? Se se reconhece como tal, pense na pessoa mais próxima a si que tinha como traços da personalidade a rigidez e a inflexibilidade. Em pequeninos de forma inconsciente há uma tendência para se “absorver”, características boas e más por parte daqueles que são significativos e com quem se convive de forma mais permanente. Na fase adulta, também de inconscientemente há uma tendência para “dar continuação” a essas características, porque foi a realidade que se conheceu.
É egoísta? Compreende-se que seja uma característica nada fácil de se reconhecer, pense o que o fez ser? Passou por dificuldades? Alguém lhe incutiu que para se ter sucesso, passaria por ai, “primeiro eu, segundo eu e em terceiro, quarto e quinto lugar eu”.
Não é afetuoso ou carinhoso? Durante a sua infância como o trataram? Recebeu carinho? Se a resposta for não, à partida, terá mais dificuldades em mostrar carinho a alguém. Não porque não o sinta, não porque não o deseje fazê-lo mas simplesmente não sabe … Por exemplo, um abraço. Se não foi abraçado nunca na infância, em adulto quando o abraçarem não saberá o que fazer aos seus braços (posição estática). Não que não tenha gostado, mas não sabe como reagir. E o não reagir, pode fazer levar a uma interpretação errada na outra pessoa e daí subsequentemente os inequívocos e o afastamento. Para “recebermos dos outros”, temos de “saber dar”. Assim como agressividade gera agressividade. Amor gera amor. Estima gera estima. Desinteresse gera desinteresse. Amizade gera amizade. E inimizade gera inimizade.
A infância explica tudo o que somos e para onde vamos.
Por tudo o que foi referido anteriormente, para mudarmos algo que está mal no momento atual, há que reconhecer as mudanças internas e em nós próprios que precisamos de fazer.

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