Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Violência familiar - alienação parental

O Estado da União

Escreve quem sabe

2012-11-04 às 06h00

Joana Silva

Antigamente o casamento era tido como “para toda a vida”, todavia, as relações e compromissos de hoje tomaram uma dinâmica diferente. Se anteriormente o divórcio era um acontecimento raro, hoje não o é. Costuma-se dizer que há “ divórcios e divórcios”, isto é, uns mais pacíficos outros mais conflituosos. É sobretudo nos s divórcios conflituosos, quando a dinâmica da relação casal já não funciona, que o conflito é conduzido aos tribunais. Importa referir que quando um dos cônjuge não aceita a ruptura do casamento, por vezes, é desencadeado um processo de ataque ao outro, através dos filhos, de desmoralização, de destruição da imagem, devido ao sentimento de traição pelo fim da relação conjugal.
Entenda-se por alienação parental, a influência negativa exercida a uma criança para que esta não goste, sem nenhuma razão aparente, de um dos progenitores, ao ponto de quebrar os laços afetivos. A Alienação Parental é conhecida como uma forma silenciosa de violência emocional. O alienador, ou seja o/a progenitor(a) tem como finalidade principal excluir o outro progenitor da vida dos filhos. Este progenitor (a) alienador (a) tem como características psicossociais ser muito protector (a), toma-se como vítima sendo frequentemente apoiada pelos familiares e sugere o outro como perigoso. Parece importante referir, que por norma não estabelece dialogo ou comunicação com o outro progenitor acerca de aspectos importantes relacionados aos filhos. Exemplificando, pode tomar decisões sem consultar o ex-marido ou esposa na escolha ou mudança de escola ,entre outras situações. Por vezes, expressa desaprovação perante manifestação de alegria ou prazer Do filho face ao outro progenitor, como por exemplo, “Parece-me que gostas mais dele(a) do que de mim”. Mais ainda, poderá tentar controlar excessivamente os horários de visita, ou seja, mesmo antes da hora combinada faz-se presente. Em situações mais graves, insiste em recordar à criança, motivos ou factos ocorridos menos bons que conduzem ao fragilizar da relação com implementação de memórias falsas face ao outro progenitor, como por exemplo, “ Eu sempre me importei contigo… ele/ela não!” . Também é frequente pedir à criança que observe e vigie a vida do ex-cônjuge. Posto isto, situação após situação, o vinculo afectivo é irreparavelmente destruído.
Os pais que praticam a alienação parental não o fazem para prejudicar os filhos mas sim para atingir o/a ex-cônjuge. Por norma não tem noção do real perigo que esta prática pode constituir para as crianças. Estas estão mais vulneráveis a desenvolver ansiedade, pavor, isolamento, baixa auto-estima, comportamentos hostis e um sentimento incontrolável de culpa. Clarificando o aspecto sentimento de culpa poder-se-á dizer que a maioria crianças justamente por não terem ainda estrutura cognitiva suficiente não percebem determinadas situações só, em fase adulta. Nesta situação especifica em adulta poderá reconhecer que foi conivente inconscientemente de uma grande injustiça e aí como diz o adagio popular “virar-se o feitiço contra o feiticeiro”.
Ambos os progenitores têm o direito de preservar o vinculo familiar com os filhos após a separação. Todos os pais desejam o melhor para os seus filhos, sendo o desejo unanime de serem felizes desta forma é importante preservá-los sempre de um conflito emocional que não é deles mas sim dos pais separados.

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