Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Vila Verde – Do Tangível ao Intangível

O Natal e a Luz da Paz de Belém

Ensino

2018-11-28 às 06h00

João Graça

Onovo diploma da Autonomia e Flexibilidade do Currículo, Decreto-Lei n.º 55/2018, permite que as escolas adotem soluções adequadas aos seus contextos e às necessidades específicas dos seus alunos, onde o currículo é equacionado como um instrumento que as escolas podem gerir e desenvolver localmente, de modo que todos alcancem as competências previstas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. As escolas podem fazer as suas opções curriculares estruturantes, adotando percursos que visam “a integração das componentes de natureza regional e da comunidade local”.
Esta “localização” do currículo é uma espécie de cláusula de salvaguarda da região, dos seus valores culturais, patrimoniais, da sua ancestralidade, é o garante da criação de uma identidade, é o garante do transporte de um testemunho geracional onde se criaram vínculos e sentimentos de pertença! Não podemos continuar a perder gerações!
Não podemos rasgar o vínculo afetivo com as nossas raízes pois corremos o risco de nos tornarmos absurdamente iguais, absurdamente sem alma, absurdamente vazios de nós mesmos!
A Escola Secundária de Vila Verde foi pioneira na criação e conceção de um documento de estudo sobre Currículo Local, assente no tema “Vila Verde – Do Tangível ao Intangível”, no qual se procura que as diversas disciplinas se apropriem do património tangível e intangível” como premissa para garantia das diferentes aprendizagens. As aprendizagens essenciais inscritas no Perfil do Aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória podem e devem fazer-se com aquilo que é nosso.
O “nosso” currículo permite não só o ensino das disciplinas científicas, mas também de outras matérias aparentemente menos tangíveis, tais como os valores característicos da identidade, da língua, da história e da cultura portuguesas, assim como da promoção do respeito e da valorização dos diferentes saberes e culturas” porque, como diz José Saramago “Há coisas que nunca se poderão explicar por palavras”.
“Vila Verde do Tangível ao Intangível” foi elaborado ao abrigo do previsto no 3.º Domínio de Cidadania e Desenvolvimento, tendo como principais finalidades compreender o papel da preservação do património local e natural na promoção do desenvolvimento sustentável, numa lógica de construção de uma memória coletiva e de apropriação e descoberta da ancestralidade de uma região.
José Augusto Pacheco, professor da Universidade do Minho in “Teorias curriculares : políticas, lógicas e processos de regulação regional das práticas curriculares” diz o seguinte:“(…)o currículo é um projeto, um artefacto, cuja construção se insere numa dinâmica e complexa conversação, o currículo regional é um documento de trabalho em permanente elaboração, pois não é possível definir aprendizagem a partir nem de um receituário nem de uma única perspetiva. Para além do conflito, o currículo regional só se torna possível se rompermos com os processos uniformes e estandardizados de decisão curricular. “
Obedecendo a esta premissa o programa elaborado enquadra-se na Estratégia de Educação para a Cidadania da Escola Secundária de Vila Verde e aborda aspetos ligados ao património que representam elementos identitários da paisagem local, do seu património edificado, como é o caso das típicas casas do Minho, da rota dos moinhos, mas também do conhecimento de espécies endémicas, da rede hidrográfica, da importância da água na economia local, da cultura , das tradições e gastronomia. Com a elaboração deste programa pretende-se alavancar a criação do acervo digital e documental da região numa lógica de desconstrução histórica, cultural e social do currículo nacional e de integração da territorialidade de Vila Verde.
Estamos certos que se fará mais e melhor educação no concelho, num trabalho em rede, com todas as escolas, tendo como referência o património material e imaterial. Com este projeto pretende-se que a Flexibilidade aconteça não apenas adstrita à ESVV, mas em articulação com as diferentes escolas do concelho, potenciando verdadeiros momentos de interação e partilha de boas práticas.
Porque… A Escola faz-se com TODOS!

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