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Vila Nova de Famalicão e o seu poeta Júlio Brandão

Nelinha

Vila Nova de Famalicão e o seu poeta Júlio Brandão

Voz às Bibliotecas

2019-06-20 às 06h00

Carla Araújo Carla Araújo

Vila Nova de Famalicão viveu, muito recentemente, as suas grandiosas festas concelhias, as Festas Antoninas. “É no coração do Minho, em Vila Nova de Famalicão, que, todos os anos em Junho, se cumpre uma das maiores e mais animadas romarias do país. As Festas Antoninas, em honra do Santo Casamenteiro, mobilizam todo o concelho e chamam à cidade milhares de turistas.” Foram assim noticiadas, pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, as festividades dedicadas ao seu santo padroeiro, o Santo António. Ora agora, depois de sete dias de um programa repleto de tradição, aproveito a realização de mais umas bem sucedidas “Marchas Antoninas”, que este ano tinham como tema “Júlio Brandão e Vila Nova”, para introduzir o assunto a que dedico esta minha crónica de hoje.

A passagem, este ano de 2019, dos 150 anos sobre a data de nascimento de Júlio Brandão será comemorada pelo município de Vila Nova de Famalicão com um programa evocativo que se concretizará por meio de diversas iniciativas de cariz cultural que pretendem valorizar a memória desta ilustre figura famalicense. Júlio de Sousa Brandão nasceu a 9 de agosto de 1869, num prédio (já demolido) da rua de Santo António, no coração da cidade de Vila Nova de Famalicão. Era filho de Aires Pinto de Sousa e de Maria Benedita do Couto Brandão. Em 1874, com 5 anos de idade, Júlio Brandão foi morar para o Porto com a sua família, embora nunca tenha perdido a ligação à sua terra natal, Vila Nova de Famalicão. Em 27 de julho de 1899 casou com Conceição Isabel Moreira Brandão na Igreja paroquial de São Miguel de Nevogilde no Porto. No Porto lecionou na Escola Infante D. Henrique e ocupou o cargo de diretor do Museu Municipal do Porto. Foi sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa, da Academia Nacional das Belas Artes, do Instituto de Coimbra e da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Pertenceu ao grupo dos "Nefelibatas", tal como Raul Brandão, com quem colaborou noutros projetos literários.

Da sua obra vasta, destaca-se “O Livro de Aglaïs”, uma obra poética que inclui uma carta-prefácio de Guerra Junqueiro. Alguns dos seus escritos encontram-se dispersos por diversas publicações periódicas portuenses e famalicenses, como as prestigiadas revistas «A Águia», órgão do movimento de ação sociocultural autodenominado Renascença Portuguesa, e «Atlântida». Dirigiu ainda, em parceria com Álvaro de Castelões, «A Revista Internacional: O Soneto neo-latino», uma publicação periódica que contou com a colaboração de poetas nacionais e internacionais. Poeta, cronista, comentador literário, crítico literário, crítico de arte, publicista, dramaturgo, jornalista, professor, museólogo, Júlio Brandão deixou uma vasta obra. A crítica literária da época destaca os livros de Júlio Brandão como sendo um género novo (comentário literário, a meia distância entre o ensaio crítico e a memória literária), que muito enriquece o panorama literário nacional.

Faleceu no dia 9 de abril de 1947, na sua casa do Porto, situada na Praça Mouzinho de Albuquerque, nº 121. Foi sepultado em jazigo particular no cemitério de Agramonte, no Porto. Entre as várias homenagens à memória de Júlio Brandão, promovidas e apoiadas pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, a título póstumo, destacam-se a atribuição do seu nome a uma escola do centro da cidade, a Escola Básica Júlio Brandão; a homenagem promovida em 1950, pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, com a instalação de uma glorieta em granito e bronze, no Parque 1º de Maio, Vila Nova de Famalicão; as comemorações do centenário do seu nascimento, promovidas pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, através do denominado “Ciclo Comemorativo do 1º Centenário do nascimento do Escritor e Poeta Júlio Brandão, em agosto de 1969, entre outras.

A ocorrência, em 2019, da passagem dos 150 anos do nascimento de Júlio Brandão reveste-se, por tudo o antes exposto, de mais uma excelente oportunidade que não pode ser desperdiçada para homenagear esta personalidade famalicense e, desta forma, lembrar e conhecer as suas múltiplas facetas, que têm como traço comum: a dedicação às Letras. Assim, a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão pretende, durante o ano de 2019, levar a efeito a concretização de um conjunto de ações dedicadas à comemoração dos 150 anos do nascimento de Júlio Brandão, destacando-se a colocação de uma identificação na rua onde Júlio Brandão nasceu, a Rua de Santo António; uma intervenção artística mural na Escola Básica Júlio Brandão; a execução de uma exposição e catálogo sobre a “Vida e Obra de Júlio Brandão”; o lançamento de uma edição fac-similada da sua obra poética “O livro de Aglaïs” e a realização de uma conferência nacional comemorativa e evocativa dos 150 anos do nascimento de Júlio Brandão.

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