Correio do Minho

Braga, sábado

Vida na Natureza

Cinema: dos irmãos Lumière às salas quase vazias...

Escreve quem sabe

2012-03-23 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

“A floresta é, simultaneamente, um laboratório, um clube e um templo”
Baden-Powell

O fundador, nesta frase, marca, de forma indelével, a importância que este elemento do Método Escutista: a vida ao ar livre, em plena natureza, tem para o escutismo, enquanto espaço educativo. Não só porque desperta na criança e no jovem seu sentimento ambientalista, mas por-que estabelece uma relação de pertença entre o ser humano e a natureza baseada na interdependência mútua, de forma que o equilíbrio entre a natureza determina, em grande parte, o bem-estar do ser humano e condiciona a sua ação.

A vida em plena natureza as-semelha-se a um laboratório pois permite à criança e ao jovem descobrir uma outra faceta do seu modo de viver, quebrando as rotinas do quotidiano e explorando facetas que, muitas vezes, desconhecia por completo, designadamente as suas capacidades de autonomia, de viver em comunidade e de empreendedor.

É neste espaço de vivências que aprende: a valorizar as coisas simples pela importância que nelas se descobre, a compreender o seu papel neste ecossistema, a adquirir a consciência de “ser passageiro” e não de “dono do planeta” que recebeu e que tem que entregar às gerações vindouras, para que também elas possam usufruir deste mundo maravilhoso. É, por assim dizer, o construir de uma nova dimensão de cidadania ambiental e orientada para o desenvolvimento sustentável.

A natureza também pode ser comparável a um clube, no dizer de B.-P., porque este espaço educativo por excelência que embora infinito, é delimitado, porque é “frequentado” por pessoas que assumiram uma missão comum e, por isso, procuram “cuidar do seu espaço”, desenvolvendo um espírito solidário e colaborativo, interiorizando os diversos papéis do “jogo social espontâneo”, fortalecendo assim a autodisciplina, o espírito de equipa e a capacidade de adaptação a realidades naturais e sociais diferenciadas e vivendo os valores que os norteiam, enfim é a promoção da educação integral dos jovens.

Finalmente, Baden-Powell ao comparar a natureza a um tempo transforma este espaço educativo no lugar onde se descobre a obra de Deus e se estabelece uma relação de vida com o Cria-dor.
A natureza dá-nos o sentido do belo, da harmonia e da sintonia do ecossistema e da relação que o ser humano com ela deve estabelecer, para que todas estas coisas maravilhosas e belas não sejam destruídas pela nossa falta de respeito ou ambição desmesurada. A simplicidade da vida da floresta deve inspirar a nossa própria vida na nossa relação connosco próprios, com os outros e com Deus.

Na sua última mensagem o fundador deixou-nos este conselho: “O estudo da Natureza mostrar-vos-á as coisas belas e maravilhosas de que Deus encheu o mundo para vosso de-leite. Contentai-vos com o que tendes e tirai dele o maior proveito que puderdes. Vede sempre o lado melhor das coisas e não o pior.”
É com este espírito de respeito pela Obra Criadora e com o sentido de caminhantes passageiros por um mundo de futuro e com futuro que os escuteiros vivem o sexto artigo da Lei do Escuta: “O Escuta protege as plantas e os animais”.

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