Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Viana Cidade Náutica

O Estado da União

Escreve quem sabe

2018-04-13 às 06h00

Carlos Alberto Cardoso

Cada vez mais o desporto é um dos indicadores da qualidade de vida dos seus cidadãos. A verdade é que, desde sempre, a preocupação com esta área esteve em todos os programas de governação autárquica: mais um ringue, mais um sintético, mais uns apoios aos clubes e associações, mais percursos pedestres, mais ciclovias e por aí adiante. Nesta matéria, Viana do Castelo é um exemplo válido de como se deve olhar para o desporto e para o futuro. Desde 2010, a autarquia tem feito um trabalho notável no desenvolvimento do desporto de uma forma geral, mas sobretudo no desporto náutico. Exemplo é a implementação do projeto Centro do Mar e que define uma só visão: Viana Cidade da Náutica. Falo disto, porque esta semana a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, esteve mais uma vez em Viana do Castelo, para apadrinhar um protocolo de colaboração estratégica entre a Câmara Municipal e a NELO M.A.R, para a instalação de uma Base Naval de treino de Vela. Este é mais um passo na afirmação deste eixo estratégico, mas também fruto do imenso trabalho já realizado. Só no ano passado, Viana deu ao país mais de meia centena de campeões ligados ao mar e ao rio. Com uma atividade anual intensa, em formação, competição e lazer, Viana começa a ver reconhecida a sua ação e o seu investimento. Todos nós temos opiniões sobre diferentes decisões, mas reconheço que há prioridades e que Viana teve a coragem de as definir. Neste capítulo, dou os parabéns aos governantes locais, na pessoa do Eng. José Maria Costa, pela visão, mas sobretudo pela inteligência de governança no envolver dos cidadãos na construção de um território sustentável, de conhecimento e sobretudo de oportunidades.

É aqui que vejo a afirmação da marca Viana, no desenvolvimento local, na valorização da sua identidade com sentido de futuro. Hoje, já é comum ouvirmos falar de economia do mar, esse hypercluster que nos traz boas novas e esperança económica. De facto, estamos na presença de um mar de oportunidades que o modelo de governança local está a ajudar a alavancar, envolvendo empresas, universidades e centros I&D, associações e clubes, o Estado Central e comunidade local, na conquista de um novo paradigma de tendências, como são a náutica de competição e recreio; na reparação e construção naval; na segurança marítima; nas energias renováveis; nos transportes marítimos; na valorização do mar e na aquicultura; bem como no ambiente e conservação da natureza. Grande investimento se tem feito em Viana do Castelo, e mais investimento está a ser preparado, pois segundo notícias recentes, Viana do Castelo vai investir numa nova ponte sobre o rio Lima, que facilitará a entrada e saída dos seus parques industriais, beneficiando a circulação do dia-a-dia dos residentes. Fala-se de uma nova ligação ao Porto de Mar que permitirá uma melhor circulação e acesso de pessoas, bens e serviços, e mesmo de um novo Mercado Municipal, que proporcionará um ponto de venda para os produtores locais nas suas diferentes vertentes. Acredito que Viana encontrou a sua diferenciação e vai nos próximos anos oferecer ao Norte e a Portugal uma nova dinâmica no desporto náutico, bem como em produtos do mar.

O protocolo estabelecido esta semana foi mais um impulso que ajuda a reforçar o compromisso da cidade com o mar e com a matriz identitária de Viana do Castelo: uma cidade do Atlântico, onde o desporto náutico é rei. É minha convicção que Viana seguirá um caminho baseado no conhecimento e na inovação, onde a sua posição geoestratégica permitirá criar e consolidar novas oportunidades de negócio sustentáveis no tempo.
Um estudo efetuado pelo projeto Europe of de Sea sobre cinco regiões com clusters marítimos: Schleswig-Holstein (Alemanha), More og Romsdal (Noruega), Nord-Pas de Calais (França), Valência (Espanha) e Aquitaine (França), possibilita uma leitura comparada das diferentes taxonomias regionais na abordagem à economia do mar.
Cada uma destas regiões partiu com objetivos diferentes para a criação do cluster. No entanto, os seus traços comuns são amplos, pois todos eles procuram integrar-se numa estratégia regional, estabelecer-se com base nas competências existentes localmente, adquiridas ao longo de anos, e procurando as áreas da região mais vantajosas para alocar atividades e/ou projetos, tentando sempre melhorar e ampliar o existente.
Viana trabalha nesta linha. Estejam atentos, pois Viana é Cidade do Atlântico!

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