Correio do Minho

Braga, sábado

Ventos de Espanha

Investir em obrigações: o que devo saber?

Ideias

2012-06-01 às 06h00

Margarida Proença

A situação económica em Espanha está a agravar-se continuamente; a preocupação é real para todos os países da zona euro, mas particularmente para Portugal. Vivemos, digamos assim, dentro da União Europeia - para lá exportamos quase 73% e importamos quase 72%, de acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, de março deste ano. E se olharmos para o que se passa intra-muros, a concentração dos nossos parceiros comerciais é muito significativa.

Dentro da União Europeia, importamos 45% da Espanha, e exportamos para lá quase 30%. Para Portugal, um país pequeno, é assim muito importante o que se passa em Espanha. Tanto mais quanto a evolução é preocupante, já que neste ultimo ano, o deslize tem sido contínuo. Bons ou maus ventos, bons ou maus casamentos que de lá nos venham, o que é certo é que a maneira como dançam nos afeta.

A situação em Espanha exemplifica bem esta crise. A dívida pública espanhola em percentagem do PIB atingiu o valor mais elevado em 1996, à volta dos 68%. Desde então, foi baixando de forma clara até atingir os 36,2% em 2007. Durante esse período, a evolução na Alemanha foi a contrária, crescendo até chegar aos 65,2%.
Em 2008, com o início da crise económica, os países aumentaram a sua dívida pública, que chegou em 2011 aos 81,2% na Alemanha e 68,5% na Espanha. Já agora, na França o valor chegava quase aos 86%, e em Portugal atingiu em 2011, os 107,8%.

A Espanha foi assim mantendo défices públicos relativamente baixos, com saldos positivos das contas públicas. Os problemas no sector bancário com bancos muito próximo da falência, o colapso financeiro das regiões, uma taxa de desemprego elevadíssima no quadro de uma crise muito séria no mercado imobiliário alimentada pelo sistema financeiro, desembocou numa situação de grande gravidade.

A própria Comissão E Europeia veio reconhecer que a derrapagem em Espanha se deve muito mais às condições macroeconómicas envolventes do que a mau comportamento orçamental. O que é certo é que a falta de uma efetiva regulação do sistema bancário, reforçando mecanismos de controlo e transparência, que se tornou uma prática generalizada na ultima e nesta década , fez as suas vítimas em Espanha como já tinha ocorrido em muitos outros países. Não é claro ainda que se tenham retirado as necessárias consequências e alterado comportamentos nos mercados internacionais, pelo contrário.

A dimensão da Espanha e o acumular de problemas dentro da zona euro levou a que a Comissão Europeia venha agora aceitar que o défice publico espanhol se mantenha elevado. Mas o problema não é esse, ou pelo menos não é só esse.

Com os bancos perto da falência, não sendo capazes de manter os níveis de financiamento do sector privado, com o agudizar dos receios dos investidores internacionais, com a pressão que o governo espanhol está a fazer para que seja o fundo de socorro do euro a ser utilizado para permitir a recapitalização dos bancos contra a opinião já explicita da Alemanha e do Banco Central Europeu, a quadratura do círculo está em cima da mesa.

Se a Espanha for forçada mesmo a aceitar um programa de ajustamento imposto pela troika, o euro mais uma vez corre o risco de implosão.
A zona euro começa a parecer perigosamente um campo minado por todos os lados

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