Correio do Minho

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VEM, vota e vai

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Ideias Políticas

2015-03-17 às 06h00

Carlos Almeida

VEM é o nome do mais recente programa apresentado pelo governo português. A sigla, segundo dizem, significa ‘Valorização do Empreendedorismo Emigrante’ e o progra- ma está inserido no novo Plano Estratégico para as Migrações.
Diz o governo que o objectivo é promover o regresso dos portugueses que, perante a falta de emprego no seu país, se viram obrigados a emigrar. Para o alcançar, o governo acena com a receita milagrosa que resolve todos os males do país: o empreendedorismo.

Ou seja, não se apela ao regresso porque haja mais oferta de emprego ou porque haja sinais de recuperação económica. Apela-se, isso sim, a que voltem e criem o seu próprio posto de trabalho. Nada de novo, portanto. Isso estão fartos de ouvir os milhares de desempregados que por cá desesperam.
A convite do governo, esperará Pedro Passos Coelho, os portugueses que se encontram desempregados no estrangeiro vão regressar a Portugal e criar as oportunidades que não encontraram quando decidiram partir.

Pedro Passos Coelho, esse mesmo que, durante os momentos de aflição por que passavam milhares de portugueses, os convidou, dessa feita, a procurarem novas oportunidades noutros países. “Vão”, apelava na altura, vão e procurem lá fora o emprego que não existe cá, incentivava o Primeiro-ministro. Disse-o aos jovens, aos desempregados e aos professores, em particular. A muitos outros não precisou sequer de referir-se. A esses também não restou alternativa e foram obrigados a largar tudo. Enfermeiros, operários da construção civil, pequenos empresários falidos, jovens licenciados nas mais diversas áreas, tantos e tantos que vimos partir nos últimos quatro anos.

Agora, pede-se-lhes que voltem, que venham fazer o seu próprio negócio, que venham criar riqueza no seu país. Em contrapartida oferece-se-lhes uns trocados a fundo perdido, coisa pouca uma vez que não se quer que a estadia seja longa.
Quer-me parecer que os visados preferirão continuar à procura de oportunidades no estrangeiro ao invés de serem empreendedores em Portugal.

Registe-se, para memória futura, que o amável convite surge, outra coisa não seria de esperar de quem se agarrou ao poder com unhas e dentes, a poucos meses das eleições legislativas, das quais resultará um novo governo. Estarão com certeza convencidos de que a aparente simpatia da proposta vai surtir efeitos positivos na imagem do governo. Fica sempre bem dizer que querem os portugueses de volta. Fica sempre bem dizer aos jovens para que regressem, pois têm lugar no seu país. Mas mentem. E só o fazem agora por oportunismo. Logo que passem as eleições, assim o possam fazer, e viram novamente as costas a todos que eventualmente regressem, empurrando-os outra vez para a emigração.

Não, o país não precisa de mais programas de fantasia, que em nada melhoram a vida dos desempregados, dos que por cá se aguentam ou dos que estão lá fora. O país precisa de medidas sérias que criem emprego com direitos e salários justos, e não estágios mal pagos ou formação do faz-de-conta. O país precisa de recuperar a sua economia, apostando na produção nacional, gerar postos de trabalho e aumentar o poder de compra dos cidadãos.
Isto não vai lá com programinhas da treta, carregados de ilusões e vazios de sentido.
Isto só lá vai quando pusermos termo à política desta gente.

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