Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Vale a pena estudar

O Concurso Nacional de Leitura em Famalicão

Ensino

2018-03-28 às 06h00

Rui Teixeira

Estamos na Páscoa! Está prestes a chegar um novo período de acesso ao ensino superior. O fado irá repetir-se: teremos cerca de 150 mil alunos inscritos nos exames de acesso e sensivelmente metade destes, se o hábito persistir, acabarão por não se apresentarem aos exames. Isto é, desistem, desde já, de uma qualificação superior.
Aqui reside (ainda) um dos nossos grandes dramas que, como todos os dramas, tem muitas frentes e vive silencioso. Este drama, que aqui denuncio, como outros, vive na nossa consciência coletiva na paz dos anjos. Vive ao lado da baixa natalidade, por exemplo, para a qual, penso, ainda ninguém olhou de frente. O abando do interior do país, graças a Deus e à desgraça onde tantas vezes levamos o que lá não teria de ir, está agora agenda. Está na força da opinião de todos impedir que o assunto se converta em espuma dos dias. A responsabilidade é também sua e minha. A nossa arma é a opinião. Dê força à sua opinião: divulgue-a! Hoje tem tanto por onde.

Que vão fazer todos estes jovens que no próximo ano vão abandonar o seu percurso de qualificação? Seremos ricos ao ponto de nos podermos dar ao luxo de os abandonar? O que nos falta, coletivamente, para percebermos e assumirmos de que Vale a Pena Estudar?! A comunicação social di-lo já por rotina. A OCDE afirmou há dias que temos um ensino superior de referência. Nós já o sabíamos, mas é sempre bom que o digam de fora e com autoridade. Encaixa melhor na nossa cultura.
Antes que alguém o faça por mim, faço eu uma declaração de interesses: sou presidente do Instituto Superior Politécnico de Viana do Castelo (IPVC). Informo, em simultâneo, que o IPVC preenche todos os anos todas as vagas que oferece ao concurso nacional de acesso. A instituição tem o número de alunos que deseja face aos parâmetros de qualidade com que os quer tratar. Não quero, então, que tomem a opinião que aqui deixo por uma simples peça de marketing. É uma mensagem, clara e sentida, dirigida especialmente aos estudantes do secundário, às suas famílias e aos cidadãos, em geral: VALE A PENA ESTUDAR! Acreditem!

Obter uma qualificação para o exercício de uma qualquer profissão constitui, hoje, um dever maior de qualquer cidadão, das famílias e da sociedade. O acesso ao trabalho não está fácil para ninguém, mas é muito mais difícil para aqueles que não têm uma qualificação e, se possível, um diploma de nível superior. A dificuldade em arranjar trabalho é muito maior para os não-qualificados e a adaptação aos sucessivos postos de trabalho, que será a constante das vossas vidas, será muito mais difícil, também. O rendimento obtido pelo trabalho não-qualificado será cada vez menor quanto maior for a disponibilidade de pessoas formadas.
Escolham uma opção de estudo e de vida uma profissão técnico-profissional ou superior. Hoje não temos de fazer tudo de uma só vez. Podemos começar por uma simples formação profissional e ir evoluindo enquanto se vive e trabalha.

Temos tantas instituições de nível técnico-profissional e superior de excelência neste nosso Minho e em todo o país. Seja qual for a instituição que escolham ficarão muito bem servidos estejam certos. Mas escolham uma! Não hesitem! Iniciem ou continuem os vossos estudos até atingirem estes objetivos. Esqueçam a idade: a idade que temos é sempre a certa para nos qualificarmos numa qualquer profissão, área de conhecimento ou nível.
As formas de entrada para um curso/ profissão são hoje tantas e tão diversas. Informe-se e escolha a que mais se adapte à sua vida, em concreto. A oferta formativa também é rica: Cursos Técnico-profissionais quer nas escolas secundárias regulares quer nas técnico-profissionais; CTESP (Cursos Técnicos Superiores Especializados, nos politécnicos e universidades), Licenciaturas, Mestrados, Pós-graduações, etc. Vai ter de se esforçar, claro, neste caminho, mas vai sentir-se recompensado. Caro cidadão há um único direito que, penso eu, embora legítimo nunca vai ver reconhecido: o direito de não se qualificar, primeiro por si pelo todo da sua vida depois por todos nós.
É importante, ainda, desfazer mitos que perduram e que são tão difíceis de destruir como o de que é melhor ir trabalhar mesmo sem uma qualificação, porque a vender guarda-chuvas nos dias de chuva também se ganha dinheiro. Até pode ser verdade! Mas começar a trabalhar sem ter uma qualificação é, por regra, fazer um contrato com a pobreza, com os baixos salários e até com a exclusão social. Tens dificuldades? A tua família não tem recursos? Esse, hoje, não é um problema: a sociedade (todos nós) assumimos esse esforço. Temos milhares de bolseiros que estudam e vivem com a sua bolsa de estudo. Ficas muito mais caro à sociedade se não estudares. Acredita! Informa-te!

Vale a pena estudar, antes de mais, para sermos mais cultos e serem maiores as nossas hipóteses de construirmos uma história de vida feliz razão última da nossa existência: felizes pela liberdade, pela arte e pelo belo, pela cultura, pela responsabilidade e pela solidariedade. Depois haverá um muito maior valor acrescentado em tudo o que venhamos a fazer, o que acaba por se traduzir, mais cedo ou mais tarde, no aumento do rendimento que auferimos no exercício da nossa atividade, condição básica da dignidade das nossas vidas e da própria condição humana.
Por tudo: ESTUDA! VALE A PENA! Por ti e por nós. Põe os pés ao caminho. Tens muita gente à tua espera por essas escolas superiores ou não superiores. Estão lá também por ti. Não faltes tu!

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