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Vai 2021 ser melhor ou pior que 2020?

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Vai 2021 ser melhor ou pior que 2020?

Escreve quem sabe

2021-01-09 às 06h00

João Ribeiro Mendes João Ribeiro Mendes

Esta questão em título implica outra mais geral, a saber: podemos prever o futuro, isto é, podemos saber o que vai acontecer antes de acontecer? Em princípio isso não parece impossível. Com efeito, pense-se num carro que fica sem combustível e o seu motor se desliga. Adivinhamos que continuará a rolar por mais algum tempo e depois se imobilizará. Ou então pense-se num copo de vidro que é deixado cair da altura de um décimo andar. Calculamos que quando atingir o solo se fragmentará. Como é que sabemos que é isso, num caso e no outro, o que vai acontecer? Combinando a nossa experiência com algum raciocínio.
É claro que habitando nós um mundo em que tudo é contingente e nada é perene as coisas podem passar-se de outro modo, podemos ser surpreendidos e falhar nas nossas antecipações. Mas isso é, porventura, muito pouco provável. Assim sendo, nada parece obstar a que, se tivéssemos muito mais experiência e muito maior poder de cálculo mental, conseguíssemos prever o futuro mais distante e de modo mais amplo, por exemplo um ano inteiro como aquele que temos diante de nós.

É o não reconhecimento de que continuamos a não dispor desse poder de previsão – que também poderia revelar-se um tormento para nós, pois eventualmente nos permitiria conhecer o momento da nossa própria morte – que cria a oportunidade para a regular recuperação de profetas e retorno de adivinhos.
Ainda se lembram do célebre vaticínio do fim do mundo em 2012 feito pela antiga civilização Maia supostamente habilitada com uma sabedoria escatológico-cataclísmica? Fez-me lembrar, na altura, uma espécie de mantra que ouvi aos meus avós em pequeno: “a 2000 chegarás, de 2000 não passarás”. Um fracasso rotundo, como é bem de ver.

Recordam-se, igualmente, dos devaneios uranoscópicos feitos na viragem de 2019 para 2020? Conseguiram o prodígio de errar unanimemente, porquanto não houve um só astrólogo ou astróloga da praça (nacional e internacional) que, quiçá entusiasmado com a geométrica capicua da data, não tivesse previsto um glorioso ano de 2020. Ficou bem a nu que se não conseguem prever uma pandemia…
E, claro, não podiam faltar os aprendizes de Nostradamus. Estranhei que no caso da pandemia ainda não tivessem sido revolvidas as centúrias do sinistro renascentista para descobrir que, pois claro, a previu há mais de 4 séculos. Enquanto isso não acontece, subiu ao palco mediático Peter Turchin, um académico estadunidense de origem russa, que partilhando com aquele o gosto pela História desenvolveu um sofisticado modelo matemático, com base no qual prognosticou, num artigo publicado na Nature (463, p. 608) em 2010…a pandemia de 2020. Se levarmos a sério este “visionário com síndrome de Cassandra”, como alguém lhe chamou, então talvez devamos começar a temer um 2021 ainda pior, pois, ainda segundo ele, o mundo que ficou à beira do abismo no ano passado irá, de modo irreversível, precipitar-se no vazio.

Todos eles falharam e continuarão a falhar porque o seu reivindicado conhecimento é na verdade um pseudoconhecimento. Não sabemos, neste momento, se 2021 irá ser melhor ou pior que 2020. Poderá ser muito melhor se uma espécie extraterrestre e superinteligente decidir visitar-nos e ensinar-nos a reparar os problemas ambientais e sociais que nos afetam. Poderá ser muito pior se, como no filme “Melancholia” de Lars von Trier, um corpo celeste de grande porte decidir entrar em rota de colisão com a Terra provocando o seu fim. Prevejo que as coisas se passarão entre estes dois extremos.

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