Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Uma semana determinante

Uma carruagem de aprendizagens

Ideias

2015-01-23 às 06h00

Margarida Proença

Os dados mais recentes sobre a economia mundial, e em particular, a europeia não são famosos. Mesmo com a baixa do preço do petróleo, o Fundo Monetário Internacional reviu em baixa as projeções face ao que antecipava em outubro de 2014; aponta agora para uma taxa de crescimento global em 2015 na ordem dos 3,5%. Mas na zona euro a coisa está bem mais complicada, já que se prevê um crescimento anémico de 1,2% em 2015 e de 1,4% em 2016.

E o próprio Fundo Monetário Internacional, no relatório que acabou de divulgar , chama a atenção para a responsabilidade que cabe a um nível de investimento que continua muito, muito baixo, e nem a depreciação do euro, ou mesmo a probabilidade, real, de uma maior abertura na política monetária do Banco Central Europeu poderão representar verdadeiros remédios.
Esta semana é marcada ainda assim por dois acontecimentos de grande importância.

Um deles é a reunião do dia 22 de janeiro, que antecipa a decisão do Banco Central Europeu de comprar cerca de 50 mil milhões de euros de compra de ativos; no fundo, isso irá permitir injetar euros em circulação , o que se espera que venha a estimular a economia da zona euro. Trata-se de uma política que foi usada nos Estados Unidos, mas também por exemplo no Japão e em Inglaterra, para responder à crise financeira que se iniciou no final da década passada.

Para muitos economistas, esta decisão do BCE peca apenas por ser tardia ; por exemplo, Krugman defendia esta semana no seu blogue que o contraste entre os EUA e a Europa é surpreendente, e que se deve a um conjunto de razões , mas certamente ao efeito da austeridade fiscal e de uma política monetária errada na Europa. Mas adianta, à semelhança de muitos outros, que o remédio vai tarde já, e que por outro lado, o estímulo terá que ser muitíssimo maior para ter eficácia.

Há também quem argumente que parte dos problemas da zona euro se enquadram na incapacidade de negociar acordos entre os países membros, ou mesmo porque o mercado interbancário da zona euro é verdade fragmentado; bancos periféricos têm muita dificuldade em se financiarem, enquanto que bancos fortes, de países no centro da Europa, não dispõem de qualquer problema de liquidez, traduzindo de certa forma conflitos distribucionais

Falta, de qualquer forma, saber pormenores. Falta saber o que acontecerá no domingo na Grécia, e o mod como os mercados responderão á vitória mais que provável do Syriza, com a sua proposta de renegociar a sua dívida soberana, no sentido de um perdão de 50%. Será que, na prática, e após a eleição, só ou coligado, haverá de facto condições reais para diminuir de forma significativa a austeridade? Como irá reagir a Alemanha, a França, e outros países na zona euro?

Como irão reagir os seus eleitores, e os líderes empresariais? Para Portugal, tudo isto é da máxima importância, tanto mais que a dívida pública é a terceira mais elevada da zona euro - em meados de 2014, representava 131,4% do PIB, logo a seguir à Itália (131,8%) e à da Grécia (176%). Recentemente, numa conferencia em Lisboa, um reputado economista europeu , Paul de Grauwe, dizia que Portugal precisaria de pelo menos 15 anos, mantendo uma taxa de crescimento constante na ordem dos 4%, para conseguir cortar a sua dívida pública para metade…

Ninguém nega hoje a necessidade de programas de austeridade, mas discute-se a sua grandeza, a extensão dos programas de consolidação orçamental, a necessidade de manter políticas monetárias adequadas e níveis de ajustamento fiscal que sustentem o crescimento económico a longo prazo.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.