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Uma Oportunidade de Regresso às Origens

A escola no pós-pandemia

Uma Oportunidade de Regresso às Origens

Escreve quem sabe

2021-04-23 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

Das regras vigentes para o desconfinamento destacam-se os pequenos grupos de 6 elementos na restauração, na atividade física em grupo, bem como a pequena taxa de ocupação de espaços para celebrações religiosas ou espetáculos culturais, por forma a manter-se o afastamento social, também recomendado.
Naturalmente que a etiqueta social também se mantém em vigor, sendo que o álcool-gel e máscara são dois “compagnons de route” imprescindíveis na nossa vida quotidiana, alguns até personalizados a nosso gosto ou à circunstância.
O escutismo não pode esquecer estas normas, bem pelo contrário, deve incrementá-las e, desta forma, aproveitar a oportunidade para revisitar as origens.
Recordemos que Baden-Powell, no primeiro acampamento escutista realizado no verão de 1907, na ilha de Brownsea, no sul de Inglaterra, organizou o campo com 4 pequenos grupos (patrulhas), sendo, cada um deles composto por 5 elementos, um do quais era o líder: “o guia patrulha”. Estes guias reuniam com os adultos para trabalharem os conteúdos de modo que estes fossem capazes de ser os instrutores dos restantes membros da patrulha. Só depois se faziam os jogos entre patrulhas para se apurar a destreza dos jovens na aplicação desses conteúdos a novas realidades, mas também ao desenvolvimento do “espírito de patrulha”, isto é, a união e entreajuda no seio da patrulha, pois a performance da equipa sobrepõe-se a performance individual, bem como a assunção das funções e competências de cada um dos membros.
Hoje, já que temos de viver as nossas reuniões, encontros ou atividades em pequenos grupos, devemos aproveitar estas situações, impostas pelo combate à pandemia, não como um problema em si, mas antes como uma oportunidade para que todos nós (adultos, crianças e jovens) possamos aprofundar a vivência do sistema de “patrulhas” e de “conselhos”. Esta é a designação dada às reuniões onde os jovens são chamados a apresentar, por patrulha, os seus projetos de atividades, onde eles próprios, e só eles, podem escolher, por votação, a atividade que vão desenvolver e constituindo pequenas equipas de especialidade que programam as diversas fases e momentos da atividade que vão viver, desde o reconhecimento do local, da escolha do material adequado, das ementas e dos respetivos víveres até toda a logística de transporte e acomodação de pessoas e bens, da atribuição de tarefas individuais e coletivas, até ao modelo de avaliação da atividade.
Depois das fases de escolha e de preparação da atividade, tendo passado algumas semanas ou meses, dependendo do grau de complexidade e exigência, entra-se na fase da realização, ou vivência da atividade, onde se observa a aplicação das aprendizagens a situações do quotidiano, tantas vezes trabalhadas na fase anterior. É a alegria de ver que o esforço produzido na preparação deu os seus frutos, ainda que, aqui ou ali, tomemos consciência que podíamos ter feito mais e melhor.
Terminada a aventura há que cuidar do material para que esteja pronto para a próxima, seguindo-se o momento da avaliação de forma individual, seguido da partilha em patrulha e depois cada guia de patrulha leva a conselho de guias as avaliações dos pequenos grupos e consolida-se a avaliação final da atividade.
Desta, deve resultar o reconhecimento do progresso individual de cada elemento bem como as recomendações de melhoria para atividades futuras.
Em tempos normais este processo culminaria com uma confraternização entre todos os elementos da Secção, para a qual também eram convidadas as famílias dos jovens onde os guias apresentavam as conclusões da avaliação e os resultados obtidos e o chefe de Unidade aproveita para evidenciar o progresso realizado, entregando, se fosse o caso, as respetivas insígnias. O encontro terminaria com um pequeno lanche preparado pelas patrulhas.
Hoje, este “happy end” deverá ser realizado em cada uma das patrulhas, reunidas presencialmente, mas em espaços diferentes, estando ligadas entre si de for-ma digital, assim como os seus familiares.
Claro que não será um momento tão efusivo, temos que ter presente as palavras de Fernando Pessoa: “mas o melhor do mundo são as crianças” e, por isso, a primeira obrigação de todos nós é a sua proteção.

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